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Por onde anda: Luis Felipe "Savage" Hessel

Sav é um dos responsávels pelo atual cenário estabelecido de Counter-Strike no Brasil e pelo sucesso das transmissões dos campeonatos. No 1.6, foi um expoente em revelar grandes talentos

Por onde anda: Luis Felipe "Savage" HesselFoto por: Arte/DRAFT5
Se atualmente estrelas brasileiras têm a possibilidade de competir em um Counter-Strike estabelecido, muito se deve a aqueles que deram a cara a tapa por um competir em um cenário profissional. E este Por onde Anda tem como objetivo contar um pouco da história de um dos personagens que ajudaram a construir a base da modalidade no Brasil: Luis Felipe "Savage" Hessel.

Savage, ou simplesmente sav, é um nome que está marcado nas duas mais famosas versões do Counter-Strike. No saudoso 1.6, além de competir, Luis Felipe foi um dos responsáveis pela imortalidade do nome semXorah e por ter revelado futuros grandes nomes, enquanto no Global Offensive desbravou as transmissões dos torneios no primórdio da modalidade.

Depois de quase 20 anos brigando por um Counter-Strike melhor, sav trava atualmente outra grande batalha: mostrar que os games podem, sim, ser aliados na educação da sociedade. E o veterano vem fazendo isso na parte acadêmica.

Estou cursando mestrado no departamento de tecnologia de inteligência e design digital da PUC-SP, desenvolvendo uma pesquisa que relaciona os esports com educação. O objetivo é mostrar que os esports podem contribuir para os praticantes e como estes conseguem desenvolver habilidades cognitivas, sociais e motoras jogando. Meu estudo foca três modalidades: as coletivas League of Legends e Counter-Strike, e a individual que é o StarCraft”, conta sav à DRAFT5.

Sav classifica a oportunidade de produzir um estudo embasado no mundo gamer como “unir o útil com o agradável”. “Sempre tive isso em mente. Os games sempre me ajudaram muito a desenvolver algumas habilidades específicas”, completa.

Para sav, ele só está colocando no papel o que aprendeu nos 20 anos em que fez parte do cenário: “Por experiência pessoal eu vi que os esports me ajudaram em muitos aspectos. Há 20 anos, quando eu comecei no StarCraft, vi alguns jogadores profissionais e ficava assustado como eles tinham talento para desenvolver habilidades com multitarefas, planejamento e até mesmo habilidades motoras. Eu ficava espantado. Quando eu ganhei essa oportunidade de fazer o mestrado, pensei nesse tema por não ser tão abordado e vi que eu iria conseguir contribuir para o mundo dos esports e levar conceitos diferentes para o mundo geral”.

E o veterano mostra entusiasmo com o trabalho que está produzindo porque ele o ajudou a vislumbrar outras possibilidades, como a da educação ajudando o mundo dos games.“Muito se fala, atualmente, da gamificação da educação, que é um caminho fantástico para fazer, de repente, crianças que não têm interesse na escola se interessarem pela educação, mas de uma forma gamificada”, aponta.

Estou bem motivado em aprofundar meus estudos nesse âmbito. Cada vez mais vemos praticantes dos games surgindo. Faz parte das rotinas da criança e do jovem. É quase impossível separar isso. A partir do momento que a pessoa tem acesso a tecnologia, é difícil de separar do mundo gamer. É algo natural, um entretenimento que, naturalmente, as crianças vão desenvolver. A sacada, para aproveitarmos esse hábito, é misturá-lo com educação”, opina.

alt sav como comentarista na Gamers Club de 2018 | Foto: Lucas Spricigo / DRAFT5


O que é legal, na opinião de sav, que com os games inseridos na educação “a criança se sente motivada em aprender porque está no ambiente que gosta de estar. Ela está brincando, aprendendo e desenvolvendo essas noções. Habilidades sociais são desenvolvidas nos jogos porque você acaba tendo que conversar com os amigos de time, interagindo com as pessoas. Também tem o aspecto motor”.

Sav revela que sentiu “uma pressão maior em conseguir me adaptar ao mundo acadêmico” nos primeiros meses que se desligou do cenário. “Obviamente nesse momento eu me afastei do mundo dos games e estou sentindo dificuldade em conciliar. Mas a partir do momento que eu conseguir adequar minha rotina, quero voltar. Eu quero voltar. Está no meu foco conseguir adaptar meu dia a dia para conciliar os dois”, garante.

DO PRECONCEITO AO AMOR INCONDICIONAL AO CS

Quando questionado sobre o que o CS significa para o Luis Felipe Hessel, a resposta é clara: “O CS me deu perspectiva de vida, de me identificar em alguma coisa”.

Sav explica que é uma pessoa que “sempre tive dificuldade de me encaixar em ambientes corporativos. Sempre tive muita dificuldade em encarar alguns valores pregados no mundo capitalista, de me ver inserido em ambientes nos quais a preocupação era o resultado e não o lado humano. Eu vi no CS uma fuga e um lugar que eu poderia pregar o que acreditava”.

Mas quem vê essa declaração de amor incondicional ao Counter-Strike, não acredita que sav já teve um conceito pré-concebido do FPS quando conheceu o jogo lá na primeira década dos anos 2000.

Sav faz parte dos nomes históricos do CS que começaram em outra modalidade. A dele foi o StarCraft, um dos mais icônicos títulos de estratégia em tempo real já desenvolvidos.

Comecei na época da internet discada. Um amigo de faculdade me deu o CD e falou que eu ia gostar do jogo. Gostei demais. Só que alguns amigos do meu clan de SC jogavam CS, como o cogu, e eu sabia que eles iam para a LAN”, relembra.

Contudo, sav revela que “tinha um certo preconceito (com o CS) porque o StarCraft era bem complexo e, às vezes, eu olhava o CS, um joguinho de tiro, e questionava. Eu tinha esse preconceito e todo preconceito é burro. Eu olhava o CS e falava que não precisava pensar para jogar e dizia que não queria jogar”.

O amor de sav pelo Counter-Strike foi surgindo aos poucos. O veterano conta que, quando uma Monkey abriu perto de casa, ele deu uma oportunidade melhor de conhecer o CS e não demorou muito para perceber “que era um jogo muito divertido e que precisava, sim, pensar um pouco” porque “o CS não é só tiro, é estratégia também e, de repente, eu me via no mundo do CS, no qual eu andava pelos mapas e precisava sobreviver. Isso me cativou bastante, além de que era um jogo em equipe”.

Eu me envolvi, me apaixonei e não larguei mais. Hoje eu sou um defensor do CS, que você tem que desenvolver uma estratégia e tem todo um lado de inteligência, apesar do jogo ter a máxima de um tiro na cara resolver tudo. Mas você precisa criar situações para que isso aconteça de uma forma tranquila, facilitada”, aponta.

Outro fator que fez sav gostar de CS foi o amor que tem pela competição: “Sempre fui ligado aos esportes, no geral, por causa do meu avô. Meu avô e minha família me ensinaram que o esporte era importante para o convívio social e desenvolver alguns valores como respeito e companheirismo Isso me ajudou a praticar CS, gostar do CS e participar das competições”.

alt Sav como comentarista do CBCS, durante a GameXP | Foto: CBCS


O primeiro contato de sav com o competitivo de CS aconteceu por meio de um time que era ligado ao clan do qual fazia parte no StarCraft, o Rox Team. “Competi um pouco no SC, em campeonatos online, e, logo quando fui para o CS, tinha os torneios em LAN e já me envolvi querendo partir para esse lado de competição. O time começou um pouco fraco, mas foi crescendo até se tornar o segundo melhor time da LAN. E foi quando o melhor time da Zona Norte, o semXorah, me chamou. Foi assim que começou minha história no CS”, conta.

UMA PAIXÃO CHAMADA SEMXORAH

A história de sav pelo semXorah vai além da esfera jogador vestindo a camisa de um time. Se tem uma tag que ficou marcada no 1.6, essa foi a sX. Não muito no quesito títulos, mas sim por ser uma equipe que ficou conhecida por revelar nomes que acabaram vingando no cenário. E muito disso é consequência do trabalho realizado pelo veterano.

A minha história está bem ligada com o sX e sempre tive muito carinho pela tag. Gostava muito do que eu fazia e administrei o sX com muito carinho”, garante.

Um dos momentos marcantes da época de sX aconteceu em 2004, quando, de acordo com sav, a equipe conseguiu um bom patrocínio de uma lan paulista. “Foi a primeira vez que participei de um time que tinha salário. E a gente conseguiu aproveitar aquele momento para crescer muito e foi ali que o sX despontou no cenário nacional. Pouco tempo depois a gente ganhou do MIBR na seletiva nacional para ESWC. Essa vitória foi surreal porque o MIBR era o melhor time do Brasil e, nessa partida, comecei mal e depois melhorei. A gente conseguiu o feito e foi uma alegria muito grande a ponto de não acreditarmos. Foi um momento muito gostoso porque a gente conseguia competir de igual para igual”, relembra.

Sav explica que, “por ser um pouco mais velho” em relação aos companheiros do time, “sempre fui envolvido nos bastidores. Tentava procurar patrocínio, fazer uns projetos. A própria experiência que trouxe do SC, fiz site e fórum, acabava cuidando desse lado”.

alt Sav relembrando a época de jogador durante o showmatch da Masters 2018 | Foto: Lucas Spricigo / DRAFT5


O veterano revela que o fato de ter mais idade do que a maioria daqueles que competiam na época fazia com que alguns jogadores “olhassem torto” e pegassem no pé dele: “A molecada me via como um vovô e muitas pessoas pegavam no meu pé.”.

Mas eu também pensava nisso. Eu mesmo tinha esse pensamento. Tiveram alguns momentos que eu falava ‘eu vou ter que sair (do CS) para trabalhar e fazer outra coisa porque não dava para ficar jogando’. Mas sempre que eu tentava fazer isso, alguém me chamava para voltar e eu voltava. Até quando as coisas ficaram mais sérias e eu não via motivos para achar que estava no lugar certo”, completa.

Por mais que, inicialmente, os comentários maldosos sobre a idade não o afetasse, o preconceito foi aumentando mediante a chegada de novos jogadores no cenário. Isso somado ao sentimento de não estar mais fazendo a diferença foram determinantes para sav se aposentar.

Eu percebi que, quando eu estava jogando, não estava mais fazendo a diferença. Não só em questão de gameplay. Sentia que havia divergências no modo de pensar, de eu não conseguir mais colocar na cabeça da molecada meu estilo de jogo e vida”, explica.

Sav diz ainda que isso o deixou um pouco frustrado em relação a como os novos jogadores o enxergavam: “Eu senti que uma molecada nova começou a jogar e vi que eles não tinham muito respeito. Não carregavam os valores de respeito, irmandade e valorizar o adversário. Eu me sentia um peixe fora d’água. A molecada não aceitava, tinha um preconceito de tomar bala de velhote”.

“Foi aí que percebi que seria mais útil nos bastidores”, revela.

Na visão do veterano, “ia ser mais valioso” tomar conta do time “porque não tinha ninguém correndo atrás” de coisas como patrocínio. “Era um passo que eu precisava dar. Eu sentia que ia perder muito tempo jogando e não estava mais valendo a pena. Pensei bastante no sX nesse momento porque, se eu quisesse que o sX desse um passo a mais, eu teria que ir para os bastidores”.

Mas nos bastidores, sav viu a oportunidade de passar para seus comandados valores de vida que prezava.

Se eu quisesse mudar, levar certos valores para a molecada não ia ser mais jogando, mas sim nos bastidores cuidando no time e influenciando nesse sentido de adquirir valores sociais e para vida, como de respeito ao próximo”, expõe.

INDO CONTRA O SISTEMA

Quando o fato de ser um jogador mais velho atuando numa modalidade que pouco disso era visto, sav aponta que existia um estigma. “Por ser mais velho, eu era um cara que não era chamado pelos times”, opina.

O veterano lembra de um episódio que aconteceu em um treino contra g3nerationX: “O manager chegou pra mim e perguntou ‘o que um manager está fazendo aqui, jogando?’. Apesar de ser uma pessoa gente boa, foi infeliz ao falar isso”.

Sav diz que percebia esse preconceito e, por conta disso, acabava tratando o semXorah com muito carinho. “Eu via o sX como a oportunidade de mostrar o contrário, que eu não só podia participar, competir de igual para igual, mas eu também queria mostrar o lado bom de se ter uma pessoa mais experiente e que ela conseguia fazer a diferença sendo um bom capitão, um estrategista e auxiliando os novos jogadores a serem melhores”, aponta.

alt Junto à ellll e nak, sav no período que competia | Foto: Arquivo pessoal


O ALQUIMISTA DO COUNTER-STRIKE

Pelo olhar cirúrgico para encontrar novos talentos e conseguir transformá-los em potenciais estrelas, sav foi primordial para a oxigenação do cenário. Muitos foram os pinçados pelo veterano que jogaram no semXorah e, posteriormente, alçaram voos maiores.

E sav se sente orgulhoso “de ter garimpado esses talentos. Posso não ter tido uma carreira com títulos nacionais, mas eu transformava jogadores sem expressão em nomes respeitados. Foi muitas vezes que senti o prazer de mostrar que sempre era possível pegar um time fraco e transformar ele em bom”.

Essa parte da conversa faz sav reviver um dos maiores momentos que vivenciou no Counter-Strike. 

Eu tenho uma história que sou muito orgulhoso por isso. Em meados de 2008 e 2009, uma das épocas que parei de jogar e que participava de um clan de servidor de 4fun que era o Silence. Só que a gente só brincava. Mas um dia resolvemos criar uma equipe. Montamos uma line e fomos jogar os campeonatos. Chegamos a competir em Mogi e, de repente, a gente foi jogar uma seletiva de ESWC. Ganhamos a vaga para o nacional e lá estava eu jogando com a galera que veio do 4fun. Eu tenho muito orgulho disso”, lembra.

Dessa saga em questão, sav fala sobre um personagem em questão que era o Juvenal: “Era um cara mais velho e a gente brincava muito com ele porque ele era uma toupeira, um típico jogador de 4fun e, de repente, ele tava jogando um nacional. Eu guardo isso com muito carinho. É uma das grandes conquistas que eu tenho no CS, levar o Juvenal a jogar um nacional de ESWC”.

Outro momento de olheiro o qual sav se orgulha foi um junto ao semXorah, no qual ele incorporou à organização uma equipe composta por jogadores que tinham por lá dos 14 anos e que, no futuro, se tornaram nomes importantes do cenário como Henrique "rikz" Waku, Clemente "leon" Tegazzini e André "fatan" Salem. 

Foi uma forma de tirar do comodismo o time principal, de dar uma sacudida. Pensei que iria criar um ambiente competitivo. Foi o maior time de diferença de idade do qual eu participei”, conta.

Categórico, sav diz que gostava de fazer esses scouts porque se tratava de “uma forma de mostrar para a galera que, para ser um bom jogador, estar em um bom time, você não precisa de estrelas. Gostava de mostrar isso para a galera. Muitas vezes, o que você precisa é de determinação, treino e companheirismo com os com os colegas de time. Constantemente eu vivia com as perdas de jogadores para times com patrocinadores melhores e sempre gostei de pesquisar, ficar de olho em outras equipes. Eu sempre anotava sobre os jogadores durante os campeonatos”.

alt FalleN foi importante para o retorno de sav ao CS | Foto: Arquivo Pessoal


A AJUDA DO ANJO CAÍDO

Desavenças com outras pessoas que faziam parte da administração do semXorah fez sav deixar a organização. Fechada essa porta, o veterano foi se aventurar nos primórdios das transmissões de campeonato.

Foi uma coisa bem ao acaso. Pela falta de pessoas comprometidas em fazer eu comecei a assumir. Eu e o rent. Ele era minha dupla dinâmica. Descobrimos que era possível fazer. Mas tivemos muita dificuldade de ter gente comprometida com o projeto. Ficamos nesse projeto por um tempo e chegamos a fazer parte do MIBR.TV, mas a organização decidiu fechar e a gente se viu sem ter onde realizar as transmissões”, conta.

O fato do Made in Brazil fechar as portas e deixar o projeto de transmissões sem uma casa deixou o veterano para lá de desanimado. “Eu tive todo um trabalho, que mostrei que dá para acreditar no mundo dos esports e que os esportes eletrônicos não tinham morrido. Era uma época que que o CS estava em baixa. Isso me desanimou bastante e cheguei meio que largar o CS por um tempo”, lembra.

Save revela que se sentiu perdido nesse período fora do CS: “Eu senti muita falta e foi um tempo de reclusão. Foi um tempo que me escondi bastante a ponto de, quando eu ia jogar, trocava de nick”.

Eu continuei amigo de muita gente no CS. Mas foi um tempo que eu só curti o mundo dos games”, completa.

E um anjo caído do CS brasileiro foi responsável por resgatar sav das trevas. Trata-se de FalleN, aquele que é conhecido como o pai do Counter-Strike no Brasil.

O FalleN e o rent foram na minha casa falando que eu ia voltar. Eu meio que voltei, continuei fazendo isso por um tempo. Infelizmente eu não tinha PC e net para fazer live, mas eu estava presente”, lembra.

Outra pessoa que foi determinante para o renascimento de sav foi Bernardo “BiDa” Moura. E os dois se tornaram a principal voz no Brasil lá no primórdio do Counter-Strike: Global Offensive.

O BiDa tinha uma estrutura para assumir o projeto e me chamou. Foi aí que começamos a saga no CS:GO”, afirma.

alt Sav e BiDa foram os responsáveis pelo sucesso das transmissões no início do CS:GO | Foto: Felipe Guerra


E o fato de BiDa ter mergulhado de cabeça nas transmissões deu a sav a segurança e animação para o veterano retornar ao cenário. “Sempre gostei de fazer as coisas em conjunto. Por mais que, as vezes eu puxava o barco e tomava a iniciativa, sempre precisei estar em grupo para me motivar. Quando o BiDa apareceu e abraçou o projeto, falei que era a hora de voltar”, aponta.

Nesse momento sav mostra todo o apreço que tem pelo companheiro de transmissões: “Eu gostava muito do BiDa. Era uma época que, até esse lado de motivação eu senti, porque muita gente criticava ele e eu via outra coisa; um cara esforçado, extremamente responsável que assumia os compromissos e evoluía rapidamente no quesito conhecimento de jogo. Nisso eu percebi que valia muito a pena estar junto com ele”. 

Por mais que nos últimos anos sav tenha figurado na equipe de transmissão de grandes campeonatos, como CBCS, DreamHack Rio, Gamers Club Masters III, ESL One Belo Horizonte e ESL Pro League Season 4, o início da jornada como comentarista foi de bastante percalços.

Tive a oportunidade de participar de muitos projetos. No início foi de muita dedicação, com nossa jornada sendo muito grande e tivemos que superar muitas situações como a vez que precisei morar em uma pensão. Tive que me virar nos 30. Mas tudo pensando no futuro, que as coisas iam crescer e que, de repente, íamos ter oportunidades melhores de trabalho. Foi uma grande luta para fazer o cenário crescer”, lembra.

Orgulho é o sentimento que sav usa para definir esse período como comentarista, sendo por um bom tempo referência o Brasil. “A gente desbravou esse terreno. Fiz parte da geração que lutou para tornar isso tudo possível. Só me lembro com saudosismo desse tempo. Narrar no Ibirapuera, no Mineirinho e no Parque Olímpico. São momentos que vou guardar com muito carinho”, afirma.

“O CS ME SALVOU”

Após horas relembrando tudo o que passou no mundo do Counter-Strike, sav é enfático: “O CS foi fundamental. Sem o CS eu não teria chegado até aqui e o CS me salvou”.

Só posso pensar com orgulho. Só posso lembrar com saudosismo isso tudo o que eu fiz, até mesmo as coisas ruins, os desafios e barreiras que ultrapassei. Seja o cenário ou minha vida mesmo. Tudo isso me trouxe aqui e, hoje em dia, eu sou muito feliz porque, mesmo contra todas as probabilidades, as coisas acabaram dando certo”, analisa.

Quando olha para trás, sav fala que não fala sobre arrependimento, mas sim lições que aprendeu. “Gostaria de ter feito um pouco mais, mas não é algo que eu fico lamentando. Eu olho o lado bom das coisas e vejo que, diante dos desafios que encarei. Enfrentei e fiz bastante coisa. Me sinto um vencedor”, afirma.

Sav vê seu futuro aliando os esportes eletrônicos com os estudos. “Chance de poder voltar a estudar e botar propósito gigantesco na minha vida que é fazer bem para muita gente, levar conhecimento e não só mostrar ao mundo que o esport pode ser muito útil na educação, na formação de pessoas e cidadãos. Levantar essa bandeira da inclusão social”.

Eu vejo que, agora, posso trabalhar diretamente em cima disso, de tentar conscientizar o mundo em diminuir as desigualdades”, garante.

O veterano é humilde ao falar se enxerga o próprio nome imortalizado no cenário de CS: “Se a galera vai lembrar disso ou não é apenas um detalhe. Sempre vou me lembrar com muito orgulho das lutas que travei e venci. Foi um caminho muito nobre e gosto da pessoa que me tornei, graças as dificuldades e problemas. Mas não estou preocupado com fama. Minha preocupação é chegar ao final da minha jornada e ter muito orgulho do que fiz e dos valores que preguei”, afirma.

Para uma geração, talvez, fiquei imortalizado por ter lutado por esse cenário”, finaliza.
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