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Os melhores no Brasil em 2020: (15) - leo_drk

Com apenas 5 campeonatos e 2 classificatórios disputados no Brasil em 2020, o jogador conseguiu 4 EVPs, o bastante para carimbar vaga na lista

por Gabriel Melo / 10 de jan de 2021 - 18:30 / Capa: Arte/DRAFT5
No Counter-Strike: Global Offensive existem dois tipos de jogadores: os que migraram do saudoso 1.6 e aqueles que surgiram na atual versão do jogo. E Leonardo "leo_drk" Oliveira faz parte do seleto grupo que viveu a transição de era do FPS. Bom para o atleta e também para o Brasil, que viu o jovem de 21 despontar e se tornar um dos principais nomes do país.

COMPETITIVO DESDE PEQUENO


leo_drk nasceu em Lençóis Paulista, cidade do interior de São Paulo conhecida por ter uma das maiores bibliotecas do país e casa do ex-atletista Claudinei Quirino, que foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Sidney em 2000. Por lá, teve uma infância muito ligada as competições, já que quando pequeno gostava muito de jogar futebol e basquete, mas ao mesmo tempo inserido no mundo gamer.

O hoje integrante da Sharks conheceu os games por conta do pai, com o qual jogou bastante as antigas versões do consagrado Metal Slug, enquanto um primo foi o responsável por fazer nascer em leo_drk o amor pelo FPS mais jogado no mundo nas últimas decadas.

"Quando eu jogava 1.6, meu primo gab, que até hoje disputa as ligas da Gamers Club, tinha um time e jogava. Eu espera pequeno naquela época, ficava assistindo e vislumbrado com todo o cenário competitivo", conta.

Como muitos outros jogadores, leo_drk começou a competir junto de amigos, mas de acordo com o próprio jogador o primeiro time com o qual teve relevância no cenário foi RoyalClub Gaming junto de Michael "dok" Marques (Havan Liberty) e Vinicius "VN" Stradiotto  (ex-FURIA Academy). Junto a estes, grindou no circuito de ligas da Gamers Club, como Liga Amadora, Liga Principal e a Liga Pro - atualmente conhecida como Liga Dell.

Arquivo Pessoal

DE DEGRAU EM DEGRAU


As primeiras aparições de leo_drk no competitivo que se tem notícia aconteceram em 2016, com o jogador junto a Ownerd e-Sports terminando a edição de abril da Liga Pro na 9ª/12ª colocação. No mês seguinte, já pela Royal, conseguiu chegar em 4º lugar, não indo mais longe por conta da derrota sofrida para Big Gods nas semifinais, de virada.

Naquele mesmo ano, leo_drk disputou outras duas edições da Liga Pro, pela Nox LD, conseguindo 5º/8º lugar em junho e 13º/16º em julho. Ainda em 2016, o jogador defendeu a GamerHouse - tag que tem história no cenário nacional -, com a qual terminou o classificatório americano da World Cyber Arena na 9º/12º e a divisão brasileira da ESEA Open Division 23.

leo_drk começou 2017 sem equipe, mas não demorou muito para passar a defender a ProGaming, com as quais disputou diversas edições da Liga Pro, sendo que na de abril novamente chegou nas semifinais, perdendo para Team oNe. Resultado parecido conseguiu na XLG Copa Brasil, sendo vítima mais uma vez dos Golden Boys no duelo que antecedeu a decisão.

Por mais que não tenha conseguido resultados extraordinários no início da carreira, leo_drk era considerado um jogador promissor e, por conta das boas exibições pelo time que passou, chamou a atenção da Sharks, que decidiu investir no elenco liderado pelo veterano Renato "nak" Nakano.

E junto da organização portuguesa foi alçar voos maiores na Europa. Já nos primeiros meses, bons resultados aconteceram. Um deles especial já que foi obtido no primeiro presencial do jogador: Cross Border Esports 2017. Nesse torneio, a Sharks chegou nas semifinais e perdeu para eXatus, equipe que se consagraria campeã.

O primeiro título de leo_drk também aconteceu em um evento presencial. Foi o do Famalicão Extreme Gaming, o qual a Sharks precisou superar na decisão o Team Alientech. Ainda no primeiro ano pela organização portuguesa, título também na Superliga, medalha de bronze no 4Gamers OMEN MastersBilbao Esports Tournament.

Primeiro título de leo_drk no CS e junto da Sharks | Divulgação / Sharks


Tendo em vista que o cenário brasileiro recebeu classificatórios para torneios internacionais logo nos primeiros meses de 2018, leo_drk voltou a competir no país natal junto da Sharks naquela temporada. O início não foi dos melhores, já que o time conseguiu um modesto 5º/8º lugar no classificatório da XLG Summer, não conseguindo assim avançar para as finais.

Tal resultado, contudo, não atrapalhou o time no decorrer do ano. Prova disso foi a classificação carimbada para a primeira temporada da extinta ESL LA League e vaga obtida para a seletiva fechada do ESL One Belo Horizonte.

Mas o melhor para leo_drk competindo no Brasil ainda estava por vim. Sem sombra de dúvidas a edição inaugural da LA League está marcada na vida do jogador por não só ter sido a primeira conquista presencial no Brasil, mas pela oportunidade de levantar o troféu na frente do pai, um dos maiores incentivadores do atleta.

Relembrando um pouco do campeonato, a Sharks terminou a temporada regular com a terceira melhor campanha: sete vitórias e três derrotas. No mata-mata, o time precisava de uma vitória somente para avançar para a final presencial e conseguiu com um 2 a 0 sobre a Isurus.  Contra a FURIA, os Tubarões protagonizaram um verdadeiro show no estúdio da ESL em São Paulo, no qual soltaram o grito de campeão após um sonoro 3 a 1. Além disso, carimbaram a classificação para a EPL Season 7.

leo_drk levantando o troféu da ESL LA League Season 1 | Foto: Lucas Spricigo/DRAFT5


Coincidentemente, no mesmo dia da conquista, a Sharks conseguiu também a classificação para a ZOTAC Cup Masters após vencer a YeaH Gaming no confronto valendo a vaga. O fim da primeira passagem da equipe pelo Brasil terminou com um 4º lugar no GG.BET Ascensão.

Lá nas finais da EPL 7, a Sharks não foi muito longe, sendo eliminada ainda na fase de grupos após derrotas para mousesportsCloud9. De forma rápida, para a disputa da seletiva aberta para o Minor válido pelo FACEIT Major London 2018, o time passou pelo Brasil, mas não conseguiu um resultado satisfatório já que não se classificou.

Na trave o time também bateu na seletiva aberta europeia para o ESL One New York 2018. A equipe voltou a figurar no pódio na final americana para a ZOTA Cup Masters, a qual terminou em 3º/4º lugar mas sem a vaga. Medalha de bronze também no GG.BET Summer Europe. Um ano depois do primeiro presencial, outra 3ª/4ª em uma edição do Cross Border Esports. Resultado repetido também no Famalicão Extreme Gaming 2018, com a dobradinha acontecendo no OMEN Eurogamer Challenge Porto 2018.

A Sharks voltou para o Brasil ao final da temporada 2018 e por aqui, novamente, foi campeã da LA League. Na temporada regular, campanha exemplo com liderança do Grupo A sem derrotas e triunfo contra Team Wild para chegar na fase presencial. O time conseguiu o bicampeonato em cima da Isurus, carimbando assim classificação para as finais da EPL Season 8.

Bicampeonato da Sharks na ESL LA League | Lucas Spricigo / DRAFT5


Ainda por aqui, mais uma vez, a Sharks não conseguiu a tão sonhada vaga para um Major ao não ir bem na seletiva fechada para IEM Katowice Major 2019. Campanha abaixo da média também na Season 2019 da ESEA Brasil, enquanto na final nacional da WESG 2018 veio o vice-campeonato contra Imperial. No final de 2018 o time ainda dispuntou as finais da EPL Season 8, também não passando da primeira fase, e figurou no Top 4 do PGL Grand Slam.

2019 foi um ano que, novamente, a Sharks começou no Brasil. O primeiro compromisso foi a terceira temporada da ESL LA League. Mas, desta vez, o tricampeonato não aconteceu já que o time perdeu nas semifinais para a Isurus. A equipe ficou no quase também nas seletivas sul-americanas para EPL Season 9 - sendo vice para DETONA - e para DreamHack Masters Dallas 2019, na qual não chegou na final por conta da derrota sofrida para W7M nas semifinais.

A Sharks esteve presente na primeira DreamHack disputada no Brasil, a que aconteceu no Rio de Janeiro e ficou famosa por problemas nos bastidores. Neste torneio a equipe foi bem, não chegando na final por conta da derrota para FURIA na semifinal, equipe que acabou sendo vice. Depois disso os Tubarões voltaram para a Europa e foram juntando resultados de pouca expressão até o vice-campeonato na XF Braga Cup: derrota para OFFSET Esports.

O melhor da temporada 2019 estava por vir no retorno do time ao Brasil. Isso porque, enfim, a Sharks conseguiu avançar para um Minor ao vencer a seletiva sul-americana contra Isurus. E foi por pouco que os Tubarões não carimbaram a participação no StarLadder Berlim Major 2019. O time ficou em quarto após perder para os Panteras na rodada inicial da repescagem.

leo_drk e Sharks na disputa do Minor para o Major de Berlim | Igor Bezborodov / StarLadder


Na sequência da temporada o time competiu da América do Norte. A trajetória por lá começou com o pé direito, com a classificação para a seletiva fechada da DreamHack Masters Malmö o título da Challenger Cup e, consequentemente, a vaga conquistada para a ECS 8, além da participação assegurada na EPL Season 10 após se dar bem na repescagem sul-americana e vencer, a Supremacy Gaming, melhor time da região norte da América Latina.

A sonhada vaga para Malmö não veio, mas a frustração não durou muito tempo com o time dando a volta por cima ao dominar o grupo sul-americano da ESL Pro League , avançando assim para a etapa mundial do evento.

A Sharks foi bem também na divisão americana da ECS 8, a qual terminou em 4º lugar, campanha que garantiu o time na fase final.

Contudo, nesses torneios internacionais, quando se deparou com os grandes times mundiais, os Tubarões não conseguiram ir muito longe nas disputas.

2020 DE DECISÕES


Ano de decisões importantes. É desta forma que podemos classificar o 2020 de leo_drk. O plano inicial da Sharks para a temporada passada era buscar o topo do cenário internacional, mas por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus o time decidiu por não peitar a doença e, mais uma vez, competir no Brasil.

A decisão foi tomada perto dos Tubarões participarem da EPL Season 11, a qual inicialmente estava marcada para ser disputada presencialmente em Malta, mas que acabou sendo passada para o formato online e, com isso, o time ficando de fora. Vir para o Brasil foi uma decisão muito delicada de acordo com o jogador porque os jogadores não queriam ficar presos em Portugal

"Em nenhum momento pensamos em peitar a doença porque entendíamos a gravidade da situação", afirmou leo_drk.

CBCS The Rising foi o primeiro torneio disputados pelos Tubarões na nova passagem pelo Brasil. O time era cotado como um dos favoritos, mas acabou parando nas semifinais, onde foi derrotado pela Redemption. O Redragon Challenge foi outro campeonato que a Sharks terminou no Top 4 após nova derrota nas semis, agora para a paiN Gaming.

A temporada continuou com o time conseguindo avançar para a seletiva fechada do Tribo To Major, o qual foi vice-campeão após perder para a BOOM, equipe a qual também não conseguiu superar na decisão da divisão sul-americana da EPL Season 12. O terceiro 2º lugar seguido aconteceu no CLUTCH Season 3, agora para RED Canids.

Segundo leo_drk, nos primeiros meses no Brasil em 2020, ele sforeu de uma forte tendinite no punho direito, a qual o atrapalhou segurar o mouse e, com isso, fazer boas exibições. Contudo, tratando da lesão e melhorando o preparo físico, o atleta conseguiu se recuperar e, com isso, voltar a treinar forte, o que foi um diferencial para voltar a ter as boas performances que todos estavam acostumados a assistir.

Por mais que a sequência de vice-campeonatos tenha doído, leo_drk avalia que a Sharks teve um ótimo desempenho nos três campeonatos diante da situação que a equipe se encontrava na época já que tinha adicionado um integrante recentemente, o Matheus "supLex" Miranda.

leo_drk vestindo a camisa do MIBR: um sonho realizado | Reprodução/MIBR

REALIZANDO UM SONHO


Todos os brasileiros que buscam se tornar profissionais no Counter-Strike pelo menos uma vez na vida sonharam em vestir a camisa do MIBR. E leo_drk conseguiu. Após três anos de Sharks, o atleta foi emprestado para integrar a renovada escalação da lendária equipe e, segundo o próprio, tudo começou com um convite feito por Vito "kNg-" Giuseppe pela própria steam.

"Eu fiquei sem palavras. Era o sonho de todo jogador brasileiro, representar essa camisa, e para mim foi muito gratificante. Uma oportunidade que eu não esperava acontecer naquele momento".

leo_drk vestiu a camisa do MIBR em três competições realizadas na Europa. Tudo começou na BLAST Premier Fall 2020, a qual o time amarcou a 7ª/9ª colocação durante a fase regular. O time melhorou um pouco de produção na repescagem, a qual terminou em 5º/8º lugar. O melhor desempenho, sem sombra de dúvidas, aconteceu na Flashpoint Season 2 já que nese torneio o quinteto ficou em 4º após perder para OG na semifinal da Lower.

Avaliando o período em que vestiu a camisa do MIBR, leo_drk disse categoricamente que fez o melhor que poderia ter feito já que deu o máximo pela lendária tag, em todas as situações, até mesmo quando apresentou problema de saúde junto Alencar "trk" Rossato

Já quanto o que o time fez em tão pouco tempo, leo_drk acredita que ele e os companheiros surpreenderam o mundo porque são poucos os times que, em tão pouco tempo, conseguem ser impactantes e dar trabalho para adversários que, na época, estavam no Top 10 do mundo: "Caso tivessémos mais tempo, os resultados poderiam ter sido melhores".

Porém, vale lembrar que os resultados de leo fora do Brasil não contam em nosso cálculo, se prendendo apenas a campeonatos locais.

O 15º MELHOR NO BRASIL EM 2020


Arte por DRAFT5


No período em que competiu no Brasil junto à Sharks, leo_drk marcou presença nas listas de melhores jogadores produzidas pela DRAFT5 dos principais torneios do país. Foi assim na CBCS The Rising, Redragon Challenge e CLUTCH Season 3. Além de ter destaque na seletiva para o Tribo to Major. Em todos eles o atleta foi EVP, conseguindo assim um total de 33 D5 Points.

leo_drk terminou 2020 com rating 2.0 de 1.06, 0.98 de KD e 77.3 de ADR. O melhor KD / Difference obtido pelo jogador aconteceu no CLUTCH, quando ficou com +22, enquanto o rating foi na seletiva para o Tribo To Major, no qual com os 1.37 foi essencial para a classificação da Sharks.

Por mais que jogar pelo MIBR na parte final da temporada tenha significado da realização de um sonho, a parte "ruim" é que impossibilitou leo_drk de continuar competindo nas competições nacionais e, com isso, o jogador ficou impedido de brigar por posições mais altas.

Arte/DRAFT5


Por ainda ser jovem, leo_drk tem a possibilidade de construir uma vitoriosa carreira no Counter-Strike. Caso em 2021 continue competindo no Brasil, sem sombras de dúvida o jogador pode voltar a figurar na lista de melhores jogadores da DRAFT5, mas se nesta temporada que se inicia o atleta for competir no cenário internacional, já mostrou a capacidade que possui de se colocar entre os principais nomes mundialmente falando.
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