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Da alegria ao pesadelo brasileiro: icônica Train dá adeus ao cenário competitivo

Mapa logo dará lugar à Ancient no map pool oficial de campeonatos

por Lucas Benvegnú / 04 de mai de 2021 - 20:13 / Capa: GoodFon.com

Os ensolarados dias de ação na icônica Train estão chegando ao fim, ao menos no cenário competitivo de Counter-Strike. Alegria de uns, tristeza de outros, um dos mais antigos mapas do clássico FPS dará adeus à rotação de mapas competitivos para dar lugar à recém-lançada Ancient.

Em breve, Ancient tomará o lugar da Train no competitivo | Foto: Reprodução/ValveEm breve, Ancient tomará o lugar da Train no competitivo | Foto: Reprodução/Valve

Originalmente lançado para a BETA 5.0 do Counter-Strike, o mapa é um dos mais antigos a continuarem na atividade. Atravessando gerações, a Train foi trazida em sua forma clássica para o CS:GO e, após integrar o map pool dos dois primeiros Majors da história, foi mandada para escanteio para ser retrabalhada.

Completamente remodelado, com a adição de novas áreas e remoção de outras, drásticas mudanças em seu visual e muito mais, o palco de algumas grandes disputas da história do FPS foi relançado em dezembro de 2014, sendo posteriormente reintegrado à rotação competitiva em março de 2015, tomando o lugar da Nuke.

Foram mais de seis anos na atividade. Nesses mais de 2200 dias, o mapa foi jogado mais de 11.500 vezes em partidas do cenário profissional, de acordo com o site especializado HLTV.org. Sendo famosa por sua tendência ao lado contra-terrorista, estatisticamente a Train só fica atrás da Nuke nesse quesito, tendo 54.6% de seus rounds vencidos pelo lado defensivo.

PALCO DE ALEGRIAS

A torcida brasileira certamente levará consigo lembranças de grandes alegrias ocorridas neste que é um dos mais amados palcos do Counter-Strike.

O mapa esteve presente em quase todas as finais vencidas pelas hegemônicas Luminosity e SK Gaming. Não à toa, Gabriel "FalleN" Toledo é considerado por muitos o "Rei da Train". A nível de curiosidade, apenas no MLG Columbus Major 2016, na DreamHack Austin 2016 e na BLAST Pro Series: Copenhagen 2017, o mapa não se fez presente nos títulos brasileiros.

Do improvável clutch de Marcelo "coldzera" David contra a forte Natus Vincere, ainda nos tempos de LG, passando pela épica jogada do Verdadeiro na decisão da IEM Sydney 2017, chegando à quase entregada perante a rival FaZe Clan na final da ECS S3. As lembranças inegavelmente são das melhores.

Não à toa, durante seus tempos de ouro, FalleN e suas tropas conseguiram ficar dezessete partidas sem perderem na Train, tendo uma média de 11 a 4 do lado CT, e aplicando 16 a 0 na francesa G2, 14 a 1 do lado CT contra a Virtus.pro e chegando a abrir 9 a 0 perante a Natus Vincere, sendo que, àquela altura, estas duas últimas eram consideradas as melhores do mundo no mapa.

O NASCIMENTO DE UM MEME

Talvez em solo brasileiro isso não seja tão comum, mas especialmente nos Estados Unidos, caso você morra queimado para uma granada incendiária ou molotov, é possível que alguém coloque "1g" no chat. Muitos não sabem o significado do meme, mas é fácil de explicar.

Durante a partida eliminatória do Grupo A da DreamHack Open Austin 2016 - competição que, por sinal, foi vencida pela Luminosity sobre a Tempo Storm em uma final 100% brasileira - Jaryd "summit1g" Lazar protagonizou uma das mais bizarras jogadas da história.

Após vencer clutch 1v2 contra a Counter Logic Gaming, summit precisava apenas desarmar a C4 para selar a vitória de sua equipe, a Splyce, onde ele vinha atuando como stand-in.

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Mas, ao invés disso, em um momento de desatenção que ficou eternizado na história do Counter-Strike, o norte-americano passou por cima de sua própria incendiária, sucumbindo às chamas e perdendo aquele que seria o round da vitória. No fim das contas, a CLG aplicou o comeback e acabou vencendo o mapa e, posteriormente, a série. Um verdadeiro pesadelo para o jogador.

E POR FALAR EM PESADELO...

É bem verdade que a ampla maioria das lembranças que ficaram para os brasileiros são das melhores. No entanto, é difícil falar sobre a Train e não lembrar também de uma das maiores decepções da história do CS:GO brasileiro.

Aos 19 dias do mês de abril de 2020, pouco mais de um ano atrás, o MIBR parecia clamar pelo fim de seu jejum de títulos, que àquela altura já alcançava a marca de dezenove meses. Tudo se encaminhava para que o grito de campeão finalmente pudesse ser celebrado por FalleN e suas tropas.

Na grande final da temporada inaugural de Flashpoint, os brasileiros lideravam sobre a dinamarquesa MAD Lions por 12 a 1 no terceiro e decisivo mapa, mas simplesmente esqueceram de como se jogava Counter-Strike. Sofrendo uma das mais acachapantes viradas da história do FPS, o MIBR sucumbiu à força da rival, perdendo por 16 a 13 em uma partida que certamente assombra muitos até hoje.

A ELITE

Nos mais de seis anos em que passou na atividade, levando em conta apenas as equipes do top 30, a Train teve como jogador mais regular Oleksandr "s1mple" Kostyliev. O melhor jogador do mundo em 2018 teve 1.31 de rating 2.0 acumulado em 141 aparições no mapa, sendo de longe o melhor no quesito.

Os números não mentem: FalleN é sim um dos reis da Train | Foto: ESLOs números não mentem: FalleN é sim um dos reis da Train | Foto: ESL

O senhor consistente Nicolai "device" Reedtz se posta na segunda colocação, com 1.18 de rating 2.0 em 167 partidas no mapa, seguido de perto pelo búlgaro Tsvetelin "CeRq" Dimitrov, com 1.15 em 95 partidas e FalleN, dono de 1.14 em 162 ocasiões. O norte-americano Vincent "Brehze" Cayonte completa o top 5 com 1.13 de rating 2.0 em 97 mapas disputados.

QUEDA NA POPULARIDADE

Após viver seu auge entre os anos de 2017 e 2018, sendo então o terceiro mapa mais jogado do CS:GO, o mapa despencou nos anos que se sucederam. Em 2019, foi apenas o sexto mapa mais jogado entre os sete da rotação competitiva. Em 2020, apesar de breve melhora, não passou da quinta posição, mesma colocação em que vinha se postando em 2021.

Dentre os profissionais, Train vem em queda nos últimos anos | Foto: Reprodução/ValveDentre os profissionais, Train vem em queda nos últimos anos | Foto: Reprodução/Valve

Equipes como as gigantes Team Liquid e Vitality renegam a Train há bastante tempo e, não à toa, o mapa vinha se tornando cada vez mais impopular entre as equipes de ponta do cenário mundial, ficando apenas à frente da Vertigo em 2021.

É difícil explicar os fatores que levaram à esta derrocada. A esperança dos apaixonados pela Train é que, apesar de sua saída do map pool competitivo, o mapa não caia no esquecimento como aconteceu com a outrora soberana Cobblestone.