Caminho ao Major: Com nome badalado entre investidores, Rogue lutará por uma chance entre as melhores do mundo

Ainda sem consistência, equipe tentará usar toda experiência disponível na disputa

No sétimo episódio da série Caminho ao Major, que apresentará cada uma das vinte e quatro equipes participantes do FACEIT Major London 2018, mostraremos um pouco da equipe que foi uma das grandes surpresas de sua região, a Rogue. ROGUE US Daniel "vice" Kim US Spencer "Hiko" Martin DK Casper "cadiaN" Møller US Hunter "SicK" Mims AU Ricky "Rickeh" Mulholland US Matthew "mCe" Elmore UMA HISTÓRIA RECENTE E PEQUENA NO CS:GO
DJ Steve Aoki é investidor na Rogue | Foto: Divulgação/Rogue
Uma organização jovem, com pouca tradição e jogadores de nome. Essa é a fórmula na qual a Rogue apostou para o ano de 2018, e, até o momento, vem melhorando seus resultados. O time, que teve seu início já no CS:GO em 2016, tem o seu núcleo junto desde setembro do ano passado, mas foi apenas neste que conseguiu conquistar os primeiros resultados positivos. A Rogue possui times em praticamente todas as modalidades de Esports disponíveis, sendo as mais bem sucedidas as dos jogos Overwatch e Rocket League. A equipe conta com a presença de investidores empolgados, mas ainda estranhos ao mercado dos jogos, tais como o DJ Steve Aoki e os músicos da banda americana Imagine Dragons, estes por meio da gigantesca agência de esporte eletrônico ReKTGlobal se tornaram sócios em 2018. Sendo o counter-strike uma das modalidades mais acompanhadas do mundo, não é difícil enxergar porque a organização virou seus olhos para o jogo. O início, em 2016, veio com uma tacada que deveria representar mais sucesso do que realmente representou. A contratação da ex-Unity incluia nomes famosos, como os dos dinamarqueses Casper "cadiaN" Møller e Jesper "tenzki" Mikalski, mas os resultados não foram nem um pouco empolgantes. A VIRADA DE 2018
Vice/Sick | Foto: DreamHack
Como toda organização em formação, a Rogue passou a testar diversos nomes, como os famosos europeus Kevin "HS" Tarn e Mathieu "Maniac" Quiquerez, passando por nomes pouco conhecidos do cenário, os búlgaros Viktor "v1c7oR" Dyankov e Kamen "bubble" Kostadinov, e chegando a nomes que tentavam se firmar entre os norte americanos, como Matthew "WARDELL" Yu e Josh "shinobi" Abastado. A estabilização do elenco veio em um momento crucial para uma organização que passou os últimos dois anos no total esquecimento. O foco em utilizar uma equipe totalmente européia, que só conseguiu de relevante a vitória no ESEA Season 23 Global Challenge, foi abandonado, dando espaço a chegada de jogadores que poderiam criar uma identificação com as ligas americanas da ESL Pro League e Esports Championship Series(ECS). Ao trazer jogadores da antiga Enigma6, a Rogue passou a ter finalmente uma equipe americana, adicionando a isso um grande jogador sedento por uma nova chance entre os melhores, Spencer "Hiko" Martin. Com Hiko, cadiaN e Daniel "vice" Kim, a equipe passou a ter um grupo sólido que passou a subir constantemente nos rankings de equipes. O jovem talento Hunter "SicK" Mims se uniu ao time no início de 2018, e, assim os resultados começaram a aparecer. Embora pareça pouco, a permanência tanto na ESL Pro League S6 quanto na ECS S5 representaram grande avanço no desenvolvimento e exposição da equipe. O último a chegar ao time, Ricky "Rickeh" Mulholland, trouxe com ele a experiência de um líder, e têm desde então dividido tal responsabilidade com cadiaN. Os resultados passaram a ser cada vez melhores, e o time alcançou a grande final do DreamHack Open Austin 2018, perdendo apenas na final contra a forte Space Soldiers, por dois a um. O vice campeonato foi o presságio para algo maior que estaria por vir: a classificação inédita para o Major. Após fase de grupo impecável, o time liderado por cadiaN chegou à final e garantiu a vaga para o grande torneio. A EQUIPE
Foto: Divulgação/Rogue
O time da Rogue apresenta uma grande divisão entre os jogadores que podem fazer a diferença durante a partida. O membro mais conhecido e respeitado pelos brasileiros é o experiante americano Hiko, de 28 anos. Hiko fez parte das maiores equipes americanas, além de já ter disputado oito Majors, sendo legend em cinco ocasiões. Na mais conhecida delas, o então igl da Team Liquid foi um dos responsáveis pelo vice campeonato no ESL One Cologne 2016, torneio em que o título foi para a equipe brasileira da SK Gaming. Lembramos também de Hiko quando falamos de qualidade individual, pois este era um dos melhores jogadores americanos até o ano de 2016. Tendo passado por compLexity, IBP, Cloud9 e Team Liquid, este sempre foi um jogador no qual se depositava muita esperança para levar os Estados Unidos ao topo do cenário internacional.

Conhecido pela fama de ser um "clutchmaster", e por ter protagonizado o histórico lance em que elimina Christopher "GeT_RiGhT" Alesund e provoca a frase "inhuman reaction", ou seja, uma reação não humana, Hiko perdeu muito de seu poder de fogo desde então, tendo sido a falta de "bala" a responsável por tirá-lo de sua posição na Liquid. Sua performance atual é regular, mas não será estranho se virmos uma ou outra jogada genial desta lenda americana em momentos de aperto. Os jovens SicK e vice são os responsáveis por ocupar espaços no mapa e guardar posições para o resto do time. Com o posicionamento mais suportivo, é comum ver os dois se dispondo a colocar o awp do time cadiaN em posições ideias para realizar suas eliminações. Remanescente da formação inicial, embora tenha saído por um breve período de 2017, cadiaN é a grande estrela e líder dessa equipe. Seu rating de 1.20 espelha sua atuação dentro do servidor, o que lhe rendeu, anteriormente, vagas em grandes equipes dinamarquesas, como a Copenhagen Wolves, Mousesports e  SK Gaming no início do CS:GO. Cadian já participou de três Majors, mas não aparece em uma competição patrocinada pela Valve desde 2014.

Fechando a line temos o ex-Renegades e CLG, o rifler australiano Rickeh. Jogador experiente, Rickeh apareceu ao cenário mundial jogando pela Team Immunity, como um igl com considerável poder de fogo. Sua capacidade com os rifles é considerável, mas também é possível observar este jogador assumindo a awp em alguns cenários, seja em formatos defensivos com dois awpers ou simplesmente se utilizando de um respawn privilegiado.

A equipe possui um map pool bastante consistente, utilizando Nuke, Dust2 e Overpass como suas principais escolhas. Quando observamos os resultados recentes, vemos que o time chega a ter pelo menos 70% de vitórias nesses três mapas, o que demonstra boa capacidade para enfrentar estilos de jogo diferentes. Restringindo as partidas para duelos apenas em lan, temos a perfeita consciência de que o mapa mais forte do time de fato é a Dust 2. Em todas as cinco vezes em que jogou o mapa nos últimos três meses, a equipe o escolhou, tendo perdido apenas uma: A mais recente na final do Minor das Américas, dezesseis a quatorze à favor da compLexity. Com uma equipe com alguns nomes experientes, mas poucas provas em lan, no destino da Rogue não deve estar a classificação para as fases finais do Major. O time possui jogadores que já estiveram em grandes equipes, entretanto, o momento ainda pede mais participações da equipe em torneios de grande porte. Jogar uma final de DreamHack contra a Space Soldiers de fato é um resultado expressivo, mas este é muito pouco diante de tantas equipes que estiveram em cenário parecido, ou até mesmo superior, durante o ano. Resta a Rogue a esperança de que seus mapas de maior domínio sejam escolhidos, talvez por serem subestimados, e talvez dessa forma faça brilhar novamente estrelas há muito apagadas. Capa: Foto HLTV com Arte Draft5