Depois de levar a Team Liquid ao posto de segundo melhor time do mundo, Wilton “zews” Prado retornou para a MIBR com a missão de resgatar a era de ouro do CS brasileiro. Agora, o desafio do treinador será ainda maior, tentar manter o status Legend em Berlim como jogador.
Em entrevista a DRAFT5, zews falou sobre disputar o Starladder Major Berlin como jogador, a surpresa pela queda repentina de desempenho e a dura missão de substituir Marcelo “coldzera” David na line-up titular durante o Mundial.
"O que muda é que quando se tem o cold você precisa jogar muito em função dele, seria até burrice não fazer isso. Quando jogam comigo, inverte um pouco, faço o entry, o suporte, o que for preciso. A mentalidade mudou porque o objetivo agora é outro, somos underdogs, vamos jogar com o coach. É bonito da parte deles dedicarem esse Major para mim. Continuo fazendo meu trabalho de coach, mas dando um pouco de atenção ao meu individual", declarou.
O treinador já havia jogado do ELEAGUE Major: Boston em 2018, quando Lucas “steel” Lopes não pôde atuar por ter disputado o Minor pela Immortals. Apesar de situação semelhante, o sentimento para zews é totalmente diferente.
"Essa vai ser muito mais especial, aquela situação eu fui um complete, tive uma semana de preparação. Aqui tive dois meses e estou jogando pela seleção brasileira. É um sonho meu jogar na melhor equipe brasileira e representar o país desse jeito, vai ser uma coisa espetacular e espero todos torcendo, porque vamos nos matar por isso", garantiu.
Questionado sobre o jejum de finais que já dura oito meses, o técnico afirmou não afetar a confiança e mostrou otimismo com os rumos da equipe.
"Hoje em dia não afeta (a falta de finais). O problema de estar tão acostumado a ganhar é isso, você fica muito para baixo com resultado ruim. O MIBR nunca tinha passado por uma fase dessas, é uma situação triste, mas agora acredito que estamos no caminho certo, precisamos dessa mudança de cultura. Ficamos tristes pela falta de finais, mas o mais importante não é resultado e sim a performance, a dedicação. Quando não vêm, quem mais fica abalado somos nós", admitiu.
Sobre o bicampeonato do Major e a era de ouro de Luminosity e SK Gaming, zews comparou as diferenças entre os cenários de hoje em dia e três anos atrás, ressaltando o aumento considerável no nível geral.
"Não existe nem comparação. O nível baixo hoje, é alto. Naquela época nós tínhamos um CS inteligente que o resto do mundo não tinha e só precisávamos ficar parados para que os outros errassem e entregassem kills para a gente. Hoje em dia todo o mundo cresceu com essa informação e mais, sabem ser agressivos, tomar iniciativa. Os jogadores estão com um talento absurdo, muita skill. CS é isso, três meses é uma eternidade. Da época que vencemos o bicampeonato para hoje, é outro mundo", afirmou.
Ainda sobre o momento, zews diz que não esperava que essa queda brusca de desempenho aconteceria depois da reunião da line-up, no final de 2018. Ao mesmo tempo, acredita na capacidade de adaptação dos jogadores.
"É inevitável que quando se está no topo, uma hora você vai cair. A vida é cíclica, até porque não dá pra se manter no topo para sempre. A gente só não sabia que seria agora, depois de remontar essa line. Mas graças a Deus que foi agora, porque no nosso time não exitamos para mudar as coisas e evoluir, então a gente cai, mas se levanta mais rápido ainda", reiterou.
Para finalizar, o treinador despistou sobre a chance de um jogador estrangeiro entrar na equipe. Para ele, o foco da equipe deve permanecer firme em um jogador brasileiro.
"Possibilidade sempre existe (de um estrangeiro) porque gosto de lidar com todas as opções. Preferimos ser um time brasileiro até porque foi esse o motivo de eu e o TACO voltarmos da Team Liquid. Enquanto existir opção, vamos querer usar todo o potencial do nosso cenário", garantiu.
Zews reforça confiança na motivação da MIBR: “É bonito da parte deles dedicarem esse Major para mim”
Treinador comenta mudança de postura da equipe às vésperas do Major
/6 de agosto de 2019 - 17:55/Capa: Lucas Spricigo/Draft5