A ansiedade de retornar às LANs certamente tem consumido os milhões de fãs que o Counter-Strike cativa pelos quatro cantos do globo. Mais do que um fã, Michal "Carmac" Blicharz viveu essa angústia de perto como vice-presidente da gigante ESL.
Ele conhece bem os percalços destes tempos pandêmicos. Não por acaso, foi Carmac que revelou ao público que a IEM Katowice 2020 não receberia torcida em sua fase de mata-mata, quando a pandemia de coronavírus sequer parecia tão agressiva quanto nos dias atuais.
Quase um ano e meio se passou desde aquele dia e agora a esperança é de que a IEM Cologne 2021 seja um divisor de águas para um período de tanta instabilidade para o CS:GO. Falando sobre a difícil tarefa de realizar um campeonato presencial nestes árduos tempos, Carmac concedeu entrevista ao site especializado HLTV.org, detalhando os bastidores da tão esperada disputa.
"Os fãs assistem às LANs em outros jogos e as querem por aqui o quanto antes. No entanto, em jogos como o VALORANT e o Rainbow Six, você controla todo o calendário", explicou o vice-presidente.

A declaração refere-se aos grandes campeonatos organizados por Riot Games, na Islândia, e Ubisoft, em Paris, com seus respectivos títulos, ainda em maio, quando as incertezas ainda rodeavam a tão amada IEM Cologne 2021.
"Quando você está organizando um evento, tem que ter em mente que algo pode fazer com que uma equipe fique duas semanas de quarentena. Você tem que levar em conta que algumas equipes também terão duas semanas de quarentena quando retornarem para casa", disse.
"Você precisa de quatro semanas livres no calendário para garantir que terá todo mundo no campeonato. Encontre um mês livre no calendário de CS para fazer isso. É algo que os fãs não levam em conta", defendeu-se.
Carmac ainda destacou a experiência adquirida pela ESL durante a organização do Six Invitational de Rainbow Six, sediado em Paris, no mês de maio, mas ressaltou as diferenças no processo durante estes tempos de pandemia:
"A ESL operou as finais do R6 para a Ubisoft, então é algo que temos experiência, mas cada país é diferente, especialmente nessa realidade do coronavírus. Não é algo que vamos necessariamente tomar por exemplo. Temos uma agência que nos ajuda com isso", revelou.

Os riscos de logística, por sinal, não são nada baixos em um cenário desses: "Teremos jogadores de 20 países diferentes, e alguns destes já tem a presença da variante Delta. Temos cerca de 200 pessoas no nosso ambiente. A chance de alguém que chegar em Cologne estar infectado não é insignificante", lembrou.
"Até que eu saiba, cerca de 80% do nosso estafe tem algum tipo de vacinação contra o coronavírus já aplicada, e eles terão de cumprir quarentena assim como os jogadores. Não é como se o fotógrafo fosse para casa, jantasse com sua família que não está nessa bolha e voltasse para o campeonato no outro dia", garantiu.
Questionado sobre este ser o maior desafio de sua carreira, Carmac disse ter passado por situações mais adversas: "O maior desafio é ir para um território novo, como a América, e reservar uma arena sem saber quantas pessoas comprarão ingressos. Ainda assim, continua sendo um grande desafio, provavelmente o maior dos últimos cinco anos", afirmou.
Por fim, o mandatário deu esperança ao público brasileiro, que ainda vive uma realidade bem distante dos países europeus. O coronavírus foi o responsável pelo adiamento e, posteriormente, pelo cancelamento do ESL One Rio Major 2020, mas nem por isso a ESL parece ter desistido da ideia de sediar um campeonato na Cidade Maravilhosa.
"Com certeza. Nada mais a dizer. Tenho 100% de certeza", disse Carmac quando questionado sobre a chance da empresa de organizar um Major no Rio de Janeiro em um futuro não tão distante.
