"Sentimos como se estivéssemos sendo roubados", diz treinador da Vitality sobre mudanças nas regras da Valve
Equipe viu-se prejudicada por reset nos pontos do RMR, restrições do sexto player e coach
por Lucas Benvegnú/27 de abril de 2021 - 16:04/Capa: Igor Bezborodov/StarLadder
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O fraco início de 2021 da Team Vitality nem de perto lembra os áureos tempos da equipe que se consolidou como uma das grandes forças do cenário mundial entre os anos de 2019 e 2020. Sem conseguir bater de frente com suas principais rivais, os franceses adotaram medidas drásticas.

Em recente entrevista concedida ao portal francês 1pv.fr - e mais tarde traduzida para o inglês graças ao site especializado HLTV.org - Rémy "⁠XTQZZZ⁠" Quoniam esclareceu algumas questões sobre o fraco início temporada da equipe.

"Nos últimos dois anos, independentemente da line-up, tivemos problemas depois de retornar de uma parada. Em agosto fomos à final da ESL One Cologne, mas aquela era uma ilusão, não estávamos jogando bem", admitiu.

"Dessa vez, voltamos e fomos terceiros na BLAST Premier: Global Final, ficamos satisfeitos com o resultado, mas não com a forma com que jogamos. Temos problemas em voltar das paradas", ponderou o treinador de 32 anos.

O início do ano provaria ser ainda mais duro com a equipe à medida em que a Valve impôs novas regras de ausência dos treinadores nos torneios válidos pelo RMR, o reset nos pontos anteriormente conquistados pelos times no circuito e, principalmente, a restrição da utilização de um sexto jogador.

"Quando isso foi anunciado, sentimos como se estivéssemos sendo roubados, e é difícil aceitar isso até hoje", exclamou. "Uma diferença de 300 a 600 pontos é quase nada, pode ser revertida em um torneio, mas antes disso, tínhamos quase 2000 pontos de vantagem sobre o segundo colocado", resmungou.

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Vitality foi, de longe, a equipe mais prejudicada pelas novas regras da Valve | Foto: Divulgação/Vitality

Criticando com veemência a decisão de impedir a participação de um sexto jogador, o francês indicou que o sucesso do elenco estendido com Nabil "⁠Nivera⁠" Benrlitom incomodou muitas pessoas, fato que pesou na decisão da desenvolvedora acerca do tema.

"Eu não fiquei surpreso pelas decisões porque, hoje em dia, tomamos muitas decisões por conta das redes sociais e não pela lógica. As pessoas estavam bravas por termos seis jogadores e outros times com menos recursos não terem. É um debate que não existe nos esportes tradicionais, onde alguns times tem 25 jogadores e outros tem 15 ou 16", ponderou.

"A regra sobre os treinadores também não me surpreendeu. Vivemos em uma época onde generalizamos tudo, então alguns caras fazem bagunça e todos são banidos porque é muito mais fácil de garantir assim que não exista nenhum problema", assinalou.

Sem conseguir utilizar o sistema que lhe elevou a um novo patamar, a equipe viveu tempos difíceis neste início de 2021, definido pelo próprio XTQZZZ como "miserável". Na tentativa de virar a página, a formação apostou na adição Jayson "⁠Kyojin⁠" Nguyen Van, ao custo da vaga de Cédric "RpK" Guipouy.

"Chegamos à conclusão de que precisávamos mudar algo. Alguns disseram que devíamos esperar até o retorno das LANs, mas eles não percebem o quão longe vai a temporada. Também não sabemos quando os presenciais irão voltar. Existem grandes torneios sendo disputados online e precisamos respeitar nossa organização, que precisa de bons resultados", lembrou.

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Reconhecido pelo carisma e pela entrega dentro do servidor, RpK é amado por boa parte da comunidade | Foto: Divulgação/Vitality

"O único momento difícil e doloroso disso foi dizer ao RpK que ele estava indo para o banco. Ele é um cara excelente, que mesmo nessa complicada situação agiu de forma exemplar, entendendo que sempre fomos honestos com ele. Eu gosto muito do RpK, é um grande amigo, entendo as pessoas zangadas com sua saída. Ele é um ícone e merece todo esse respeito. Muito disso vem da comunidade internacional, o que me deixa bastante feliz", garante.

Agora com tempo para arrumar a casa após a acachapante derrota perante a 9z, a equipe espera poder retomar o caminho das vitórias após duas semanas de treinamentos intensos em preparação para a DreamHack Masters Spring 2021 e Flashpoint 3.

"Minha meta agora é ter apenas o CS na cabeça. Nós nos distraímos, perdemos nossa boa forma individual. Sempre fomos um time que trabalha duro e mira na mesma direção. Creio que podemos obter bons resultados. Não sei se venceremos o próximo RMR, mas a meta é se classificar e não iremos abrir mão disso", pontuou.

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