Psicólogo da MIBR mostra entusiasmo dos jogadores: “Receptividade foi fantástica”
João Cozac é psicólogo do esporte e estará na preparação para o Major de Berlim
por Abner Bento/11 de julho de 2019 - 13:36/Capa: Arquivo Pessoal/Arte: DRAFT5
Em meio a saída de João “felps” Vasconcellos e mais recentemente, a pedida de Marcelo “coldzera” David para ir ao banco, uma questão volta à tona: Psicólogos no staff da MIBR. A equipe agora contará com o auxílio de João Ricardo Cozac, psicólogo do esporte e referência da área no Brasil, que coleciona trabalhos em clubes de futebol como Corinthians e Palmeiras e atualmente trabalha também com a Vivo Keyd. Ao responder um tweet que destacava o trabalho do psicólogo da Team Liquid Jared Tendler, Epitácio “TACO” Melo rasgou elogios ao ex-companheiro de organização no auxílio da atual número um do mundo.
A informação foi confirmada pelo próprio TACO em seu Twitter e reiterada pelo Manager Ricardo “dead” Sinigaglia na última terça-feira.
Em entrevista exclusiva ao DRAFT5, João Cozac destacou a importância de um psicólogo do esporte, comentou sobre o primeiro contato com a MIBR, além de dar alguns detalhes de como será feito o trabalho com Gabriel “FalleN” Toledo e cia. “Eu acho que aos poucos as equipes não só de esports como de outras modalidades vão valorizando a presença de psicólogos do esporte. Há trabalhos muito bacanas já realizados em equipes de esports pelo mundo e hoje já é uma tendência em ter a base da preparação esportiva como a base psicológica e emocional, assim como a física e técnica”, garantiu. O TRABALHO NA MIBR Sobre o primeiro trabalho com os jogadores, ocorreu dois dias após a eliminação da ESL One Cologne pela BIG Clan. João afirmou ter sido muito bem recebido por todos: “O contato inicial foi o melhor possível, a receptividade é fantástica desde o início até agora. O trabalho foi iniciado formalmente na sexta-feira passada (5), mas desde os primeiros contatos com o staff e com os players foram fundamentais para que o trabalho tenha sucesso”, comentou. Cozac também esclareceu que o trabalho será na maior parte, remota, mas que também acompanhará a equipe em alguns bootcamps e campeonatos: “O trabalho vai ocorrer tanto de forma remota como presencial. Seja com apps de vídeo, reuniões coletivas com os players e reuniões individuais, com a comissão técnica e os atletas. Também estão previstas algumas viagens para estar junto aos jogadores, viagens para bootcamps e campeonatos. Isso porque alguns exercícios e técnicas só podem ser realizados pessoalmente, mas também para otimizar nossas relações e atuar na comissão técnica, observar jogos e treinos. Por conta da distância acontecerão algumas viagens durante o ano, mas a base de trabalho será mais remota”, declarou. DEMANDA DOS ESPORTS Não apenas no CS:GO, mas cada vez mais equipes de esports necessitam de psicólogos nos staffs. Apesar de grande experiência em clubes de esporte tradicional, Cozac garante que o modelo de trabalho é muito parecido nos esports: “As demandas são semelhantes, na área de comunicação, motivação, união, integração da equipe. Alguns instrumentos tecnológicos para controle e monitoramento de ansiedade e concentração, é possível aplicar nos esports como em modalidades tradicionais”, assegurou. Ainda segundo Cozac, os problemas enfrentados por jogadores são muito parecidos em diversos jogos: “Normalmente as demandas que não são percebidas pelas organizações são sobre o controle de ansiedade, gerenciamento da concentração, foco, atenção, velocidade de decisão, que muitas vezes precisa ser trabalhada. São muito comuns e acabam passando despercebidas. Outras são questões relacionadas à liderança in-game, comunicação, união. Em diversos casos não são reconhecidas para que possam ser trabalhados por profissionais da área”, revelou. GAMING HOUSE X GAMING OFFICE Sobre a convivência dos jogadores, Cozac comentou sobre os modelos de Gaming House e Gaming Office. Equipes que atuam na América do Norte como a INTZ, FURIA, Team oNe e Luminosity vêm adotando o modelo de Gaming House. Existiram rumores de que a equipe da MIBR utilizaria o modelo de escritório, mas apenas FalleN não está morando na casa. “Eu acredito que a GH é interessante desde que se tenha uma boa convivência e pode promover maior união e integração, desde que haja respeito, disciplina e auxílio mútuo. O lado negativo pode ser a exaustão na convivência, porque morar no seu trabalho e junto com quem trabalha, nem sempre as pessoas estão nos dias bons. E nesses dias é preciso muita resiliência para manter o equilíbrio e não ter uma reação que possa danificar algum momento do treino ou fora dele”, admitiu. Ainda sobre o modelo de Office, atualmente utilizado por equipes como Team Liquid, Astralis e Ninjas in Pyjamas, Cozac vê com bons olhos mas alerta para a as particularidades de cada equipe: “Sobre Office acredito ser um conceito mais moderno. Acho que pode ter o benefício de poupar um pouco o desgaste comum em GH's, mas também não oferece a proximidade que uma GH oferece, o contato diário fora do trabalho. Há prós e contras. O office me parece mais equilibrado entre relação-performance, a quantidade de convívio num escritório é menor e espera-se uma qualidade de trabalho melhor, mas nem sempre funciona dessa forma, depende muito da personalidade dos atletas e comissão”, finalizou.
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