A StarLadder i-League StarSeries chega a sua quarta edição trazendo uma grande novidade na sua fórmula de disputa. A primeira fase ainda será no popular formato suíço, porém, todos os jogos serão em melhor de três. De acordo com a organização, isso minimiza a "chance de resultados aleatórios", querendo dizer a menor possibilidade de zebras.
Realizado entre os dias 17 e 25 de fevereiro, o torneio novamente será realizado em Kiev, Ucrânia. O local das finais mudou. Saiu do Palace Ukraine e foi para o Kiev Cybersport Arena, uma arena gamer com 200 computadores e que fica aberta 24 horas. A premiação total é de $300 mil e $130 mil só para o campeão.
Arena em Kiev é exclusiva para esportes eletrônicos e já sediou vários campeonatos desde 2010 (Foto: Divulgação/HLTV.org)
E é a FaZe Clan que defenderá o título. Na última edição, precisou ir até a quinta rodada, eliminando a SK Gaming para chegar a fase final. Depois eliminaram os invictos da competição G2 Esports e o algoz da primeira fase HellRaisers para chegar a final. Na decisão enfrentou a até então campeã mundial Astralis. Foi uma partida de muita emoção. Saiu atrás perdendo o primeiro mapa e foi buscar a virada com direito a prorrogação no último.
Nikola "NiKo" Kovač foi destaque da conquista e levou o prêmio de MVP (foto: Divulgação/HLTV.org)
Único representante brasileiro na competição, a SK Gaming nunca foi bem neste torneio. Na primeira edição desistiu de participar por conta da cirurgia que Fernando "fer" Alvarenga fez na época. Já na última edição, pegou três equipes fortíssimas em sequência e acabou sendo eliminada. O time brasileiro já vinha de um mal resultado na Intel Extreme Masters e ainda estava se adaptando ao estilo de João "felps" Vasconcellos. Acabou sendo derrotado por G2 Esports, Astralis e FaZe Clan, custando a vaga.
Atuais campeões vão defender o título com uma formação diferente da última vez que estiveram em Kiev (foto: Divulgação/HLTV.org)
Uma equipe que pode derrubar a FaZe é a Cloud9. 2018 começou com o surpreendente desempenho dos americanos no ELEAGUE Major, que resultou no título. Mostrando um excelente teamplay, a C9 tem mostrado um estilo agressivo e de punição. Foi assim que chegou ao maior momento da história da equipe e tentará repetir o feito na StarSeries.
A SK Gaming é outra que pode enfrentar a FaZe de igual para igual. Com Ricardo "boltz Prass na line-up, a SK deu uma renovada no seu ânimo e buscou três títulos no final de 2017 e prometeu uma temporada 2018 promissora. Apesar de terem perdido a cs_summit 2 sem apresentar um grande CS:GO, a equipe sabe de seu potencial e da capacidade de se reinventar em grandes torneios.
Por fim a G2 Esports. O selecionado francês sempre entra como um dos favoritos a título de qualquer competição, e não seria diferente na StarSeries. Uma vez ou outra dominam uma competição e levam o título. Foi assim na DreamHack Masters Malmö e na ESL Pro League Season 5. Mantendo a mesma line-up há um ano ainda depende muito do individual de alguns atletas como Kenny "kennyS" Schrub e Richard "shox" Papillon.
Arte: Divulgação/Astralis
Já a Natus Vincere é uma equipe que precisa se provar, e a StarSeries é uma grande oportunidade para isso. A histórica organização fez algumas mudanças recentes na line-up em busca de melhorar sua performance nas competições, porém segue instável. A volta de Danylo "Zeus" Teslenko trouxe a esperança de equilíbrio para equipe, o que não aconteceu. Vendo que outras mudanças eram necessárias, a Na'Vi trouxe Denis "electronic" Sharipov, que surtiu efeito e o time passou a ter boas atuações. Entretanto, o que é cobrado da organização é um título em torneios com grandes equipes. Esse feito não acontece desde a ESL One: New York em 2016. Por isso a StarSeries 4 é uma chance da Na'Vi mudar o pensamento de todos e provar que podem conquistar um grande torneio.
Outra histórica organização que tenta voltar aos velhos tempos é a fnatic. Os suecos tiveram um 2015 mágico, mas depois nunca mais foi o mesmo. Passou por várias alterações na line-up e agora parece que conseguiu uma estabilidade. Mas, sem as mesmas estrelas de antigamente, não é mais temida pelos adversários e dificilmente chega com favoritismo nas competições. Os jovens Jonas "Lekr0" Olofsson e Maikil "Golden" Selim tentam trazer renovação e assumirem o papel de protagonistas na equipe. Já mostrou uma evolução no ELEAGUE Major Boston 2018, onde tiveram um bom desempenho, mesmo sendo o primeiro Major deles. A dúvida que fica é se vão continuar nessa boa fase ou foi pura sorte?
ChrisJ vem ganhando destaque na mouz | Foto: HLTV
A mousesports vem passando por uma transformação. Tentando repetir a fórmula da FaZe Clan, formou uma line-up com bons players, independente de sua nacionalidade, formando uma seleção europeia. A equipe atual vem trazendo alguns bons resultados, como o vice da Esports Championship Series Season 4 e da DreamHack Open Winter 2017, além do título da ESG Tour Mykonos 2017. As mudanças também resultaram numa melhora de alguns jogadores. Chris "chrisJ" de Jong, membro mais antigo da equipe, deixou de ser um mero coadjuvante e passou a chamar a responsabilidade em várias oportunidades. Para a mouz, a StarSeries é mais um torneio para provar que estão no mesmo nível dos melhores do mundo.
A Team Liquid é outra equipe que está em busca de chegar ao nível das melhores. A chegada de Keith "NAF" Markovic já surtiu efeito na equipe americana que ficou com o título na cs_summit 2 no último dia 11. A organização finalmente conquistou uma taça depois de bater na trave por várias vezes. Foi na ESL One: Cologne 2016, ESG Tour Mykonos 2017 e ESL One: New York 2017. E a cs_summit também representou um upgrade na skill da equipe. Além de NAF, o jovem Russel "Twistzz" Van Dulken provando que é um jogador acima da média, cotado para ser um dos melhores do mundo futuramente. Por conta disso e da evolução de Nicholas "nitr0" Cannella como in-game leader, a Liquid segue a trilha para ser uma equipe de classe mundial.
Embalada pelo título da cs_summit 2, a Liquid vai em busca da StarSeries (foto: Todd Gutierrez/Beyond the Summit)
Com Taz fora, VP tenta voltar aos tempos áureos | Foto: HLTV
Voltando para a Europa, a lendária Virtus.pro deixou de ser a protagonista e caiu de rendimento nos últimos tempos. No último Major foi eliminada sem nenhuma vitória e várias declarações davam a entender que o fim estava próximo. Para manter a competitividade e o espírito de vencedor mudanças foram necessárias. O grupo que se mantinha desde 2014 foi desfeito com a saída de Wiktor "TaZ" Wojtas. Para seu lugar contrataram Michał "MICHU" Müller, promissor jogador de 21 anos da Team Kinguin, rival local da VP. Com isso é esperado muito mais que um bom CS, é esperado a gana que o time polônes sempre teve em grandes competições.
Vale observar HSK. Jogador é essencial de AWP no funcionamento da MVP | Foto: HLTV
A mudança trouxe uma nova cara para a MVP PK, que tinha uma expectativa de futuro bem abaixo do esperado para uma equipe “recém-criada”, com média de idade de 30 anos. Os dois jovens ao lado de solo, são hoje os que mais aparecem nas partidas, aliando a experiência do trio que sobrevive, com a nova visão e vontade das novas caras.
É um dos primeiros torneios da nova MVP PK, participando apenas nas finais da WESG da Ásia-Pacífico em janeiro, onde conseguiram o segundo lugar, perdendo para a ORDER da Austrália, equipe que disputará a IEM Katowice no fim do mês. Qualquer previsão seria complicada com tão pouco tempo de line-up, mas os coreanos já mostraram há algum tempo atrás que podem ser uma surpresa recorrente e seria no mínimo nostálgico revivermos tais momentos.
Cloud9 vs. Heroic
SK Gaming vs. MVP PK
fnatic vs. Gambit
FaZe Clan vs. TyLoo
G2 Esports vs. Renegades
Natus Vincere vs. HellRaisers
mousesports vs. Virtus.pro
Astralis vs. Team Liquid
Para saber todos os horários da competição, visite nossa página de "próximas partidas".
Arena em Kiev é exclusiva para esportes eletrônicos e já sediou vários campeonatos desde 2010 (Foto: Divulgação/HLTV.org)
Nikola "NiKo" Kovač foi destaque da conquista e levou o prêmio de MVP (foto: Divulgação/HLTV.org)
Favoritos
Hoje, não existe uma grande favorita para a conquista do título. Nenhuma equipe tem mostrado um nível competitivo muito acima das outras. Mas, estas equipes tem um histórico recente de alto nível e players altamente decisivos. A atual campeã, FaZe Clan, não tem a mesma line-up do título, porém, é considerada mais forte. Apesar disso, é irregular. Em vários momentos decisivos é acusado de "sentir a pressão de favorito" e acaba perdendo. Ocorreu isso no ELEAGUE Major Boston 2018. Jogando contra a Cloud9 era favorito, chegava invicto a final, saiu na frente, teve oportunidades de vencer a partida, mas acabou perdendo. Mesmo com esta fama, mantém um histórico de sempre chegar as fases finais de competições e brigar pelo título.
Atuais campeões vão defender o título com uma formação diferente da última vez que estiveram em Kiev (foto: Divulgação/HLTV.org)
Surpresas
Em todas as competições, uma equipe emergente surge assustando os favoritos e podendo até chegar ao título. Estes times tem bons players e frequetemente estão disputando torneios Premier. A Astralis caiu de patamar por conta da sua mudança recente na line-up. A ida de Markus "Kjaerbye" Kjærbye para North causou uma grande perda técnica e pode influenciar nos resultados, a princípio. Primeiro que Emil "Magisk" Reif não mostra um grande desempenho desde a época de Team Dignitas e por estar a menos de vinte dias com os novos companheiros o entrosamento ainda não é o ideal. Mesmo assim, Nicolai "dev1ce" Reedtz pode chamar a responsabilidade e decidir vários duelos.
Arte: Divulgação/Astralis
ChrisJ vem ganhando destaque na mouz | Foto: HLTV
Embalada pelo título da cs_summit 2, a Liquid vai em busca da StarSeries (foto: Todd Gutierrez/Beyond the Summit)
Coadjuvantes
A StarSeries também terá a participação de equipes que não vivem boa fase ou apenas nunca conseguiram bom desempenho em grandes torneios. A Heroic busca subir de patamar primeiro localmente. É a terceira equipe da Dinamarca, atrás de Astralis e North. Para isso trouxe Ruben "RUBINO" Villaroel e esse será o primeiro torneio com ele. Além de RUBINO, contam com Luis "peacemaker" Tadeu como coach. O brasileiro é uma peça fundamental para a evolução da equipe, fazendo analíses e traçando estratégias para cada partida. Ainda sem o ex-Team Dignitas, os dinamarqueses mostraram um bom teamplay e bastante anti-tático durante a cs_summit 2, garantindo a quarta colocação. A Gambit Esports já chegou a estar no topo. Porém, vem caindo desde que conquistou o PGL Major Krakow 2017 e desde lá não conseguiu se reerguer. A saída de "Zeus" é sentida até hoje e seu substituto, Bektiyar "fitch" Bahytov, não conseguiu suprir a altura. Tanto que já foi trocador por Denis "seized" Kostin. Perdeu o status de legends no último Major e não demonstra um bom CS para voltar ao protagonismo. Indo para o cenário Norte Americano, a Renegades é uma equipe que já se acostumou a ser coadjuvante. Nunca conquistou um título, porém tem uma equipe forte o suficiente no cenário para conquistar as vagas dos qualifiers, indo para grandes torneios. A saída de "NAF" foi sentida pela equipe, pois, o player vinha sendo o destaque. Contudo, seu substituto, Joakim "jkaem" Myrbostad pode fazer um bom papel e ocupar a vaga do canadense a altura.
Com Taz fora, VP tenta voltar aos tempos áureos | Foto: HLTV
Coreanos, a mescla de larga experiência com jovens estrelas
Em 2016 a MVP, uma das organizações mais respeitadas da Coréia do Sul, resolveu criar um segundo time. Tal quinteto seria composto por icônicos jogadores que se destacaram no Counter Strike 1.6 e defenderia o nome “MVP PK”. Principal dentro da organização, a MVP Project, composta por jovens nomes do país, rendia alguns bons resultados e com uma participação internacional até certo ponto respeitável na SL i-League S3 Finals. Ao mesmo tempo, a PK vinha num crescimento considerável, mas alguns nomes já não obtinham aquele desempenho que se viu outrora, como na conquista da WEM 2010 (WemadeFox vencendo a SK na final) ou no vice-campeonato da ESWC 2008. Com duas forças na mão, a organização então resolveu reestruturar, montando um quinteto mais forte. Pyeon “termi” Seon-ho seria movido para a função de treinador, substituindo o, agora coach da compLexity, Ronald “Rambo” Kim. Outra mudança significativa veio em um dos nomes mais respeitados do Counter Strike asiático, Jung “Peri” Bum-gi, eleito o 17º melhor do mundo em 2010, deixou a equipe devido ao baixo rendimento. O ponto chave veio com os dois jogadores que mais se destacavam na Project, Lee “XigN” Hyun-pyo e Kim “HSK” Hae-sung. O segundo trouxe uma nova configuração para a equipe, já que o veterano Keun-Chul "solo" Kang era quem majoritariamente trazia a AWP na equipe, deixando muito do firepower nas entradas abaixo da média, com HSK a equipe teve um maior rendimento pelo lado terrorista, o que é bem contraditório no cenário sul-coreano, que é um dos poucos no continente que tem um lado CT menos agressivo e mais centrado na disciplina, completamente diferente do estilo chinês.
Vale observar HSK. Jogador é essencial de AWP no funcionamento da MVP | Foto: HLTV