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Os melhores no Brasil em 2020: (13) – remix

Com 4 MVPs, 6 EVPs e 7 títulos no ano o AWPer da Havan é o 13º da lista dos melhores no ano

por Lucas Spricigo / 11 de jan de 2021 - 20:18 / Capa: Arte/DRAFT5
Futebol, música e Counter-Strike. A história de Victor Monteiro passa por três das paixões mais acaloradas dos brasileiros.

Nascido em Tatuí, no interior de São Paulo, o jovem Victor, durante sua adolescência, teve de dividir seu coração com as competições de futebol e Counter-Strike 1.6. Impulsionado pelo desejo de se tornar mais um craque do futebol de seu estado, o jogador tentava a sorte nas categorias de base de sua cidade, onde conheceria um futuro adversário dos servidores: Antonio "realziN" Oliveira.

Sendo de 1994, um ano mais velho, o jogador estava uma categoria acima de realzin, nunca tendo dividido os gramados com o ex-W7M.

Porém, só um dos sonhos poderia seguir vivo no jovem Victor, que, nascido e criado na Capital da Música do estado de São Paulo, passaria a usar “remix” como apelido, este que ganharia a boca do cenário durante todo o 2020.

No auge dos seus 13 anos, teria uma grande decisão a se tomar, e viu o momento de pensar em qual carreira seguiria pela primeira vez ainda na década passada: “tive que pedir para o técnico me substituir para que eu pudesse ir para outra cidade jogar um campeonato de CS. Era minha primeira lan, fui campeão”.

O campeonato em questão era em Boituva, cerca de 30km de sua cidade, onde na final venceria a equipe de um outro nome tratado por muitos como um ícone do cenário brasileiro, Reisson “ecko” Ferreira, hoje Coordenador de Community Experience na Gamers Club e rosto conhecido dos conteúdos hilários de GC Masters.

A partir daí, remix começava a vislumbrar um futuro no Counter-Strike, chegou a disputar um grande evento em território nacional: a WCG 2010. Porém, no fim da era da antiga versão do jogo, qualquer carreira era complicada de se manter e como a grande maioria dos jovens que tentaram, acabou pausando sua carreira até segunda ordem.

Time de remix na WCG 2010 - da esquerda para direita: psy, deluxe e vm. remix (agachado) e guima (agachado) | Foto: Arquivo Pessoal


Após concluir um curso de tecnólogo de mecatrônica, Victor foi morar no Canadá por 7 meses, passando o 2013, início do cenário de CS:GO, longe de disputar qualquer coisa.

Foi quando voltou ao Brasil, e começou a cursar Engenharia, que remix notou o jogo que tanto amava se desenvolvendo, mas ainda longe de cair no seu gosto com a nova versão e o foco em sua faculdade, deixaria de lado qualquer ideia de recomeçar sua carreira, mas entre idas e vindas acabou, casualmente, jogando a partir de 2015.

Foi então que em outubro de 2016, durante a ESL Pro League S4 Finals em São Paulo, que remix foi com seu grande amigo Jair “dktenso” Araujo acompanhar o primeiro grande evento internacional em território brasileiro. Lá veria o desejo de voltar a jogar competitivamente se aguçar.

Cerca de um mês após focar em seu retorno, remix junto do thesix, equipe que contava com Marco “soni” Silva, além de dktenso, conseguiu chegar longe no classificatório da World Cyber Arena 2016, que dava vaga no campeonato que seria disputado na China.

Àquela disputa seria o pontapé inicial que remix precisava para entender que era possível uma carreira no CS:GO. Não demorou para que em 2017 aparecesse com mais frequência, em julho daquele ano disputaria seu primeiro presencial na nova versão do jogo, a MAX5 Cup, após passarem por um longo classificatório online. Porém o resultado não foi dos melhores, mas serviu de apresentação.

Pouco tempo depois remix chegaria à Infinity Gaming, onde conheceria Gabriel “crt” França e Caique “faintz” Melia, num momento de transição da equipe, disputariam a KaBuM! Challenge 2017, terminando na quarta colocação. Além disso, poucas semanas depois a equipe mudaria, trazendo um jovem chamado Filipe "pancc" Martins, e logo tendo que ir para outro desafio presencial, na Votogames em Sorocaba, onde ficaram com o vice contra a C4 Gaming.

remix atuando pela Infinity na Votogames em Sorocaba | Foto: Votogames


O ano de 2017 ainda finalizaria com remix e companhia subindo para a Liga Pro da Gamers Club, se mantendo na sequência dos meses. Era o momento em que a carreira estava andando e logo uma organização maior, com Alessandro "Apoka" Marcucci entre as cabeças, entraria. Em fevereiro a Avalanche começou a aparecer e se colocaria entre as boas equipes no Brasil lá pela metade do ano de 2018, quando garantiu vaga no classificatório de São Paulo da Gamers Club Masters, mas bateu na trave em conseguir vaga. Naquele mesmo ano, pintaria a oportunidade de defender a recém refundada Yeah Gaming no qual ficaram por volta de quatro meses.

O 2019 traria meses sem organização por parte de remix, que continuava junto de seus companheiros de longa data crt e faintz, mas aos poucos os destaques daquela line-up ganhavam novos rumos. Sob a tag SEGURAOBONE, o jogador teve bons destaques nos classificatórios para a Esportal Global, sendo contratado pela Redemption quase nos mesmos dias em que Rodrigo "drg" Ausenka. Junto de seu capita, remix começaria a aparecer mais no cenário, até que no segundo semestre o fenômeno das ligas fechadas mudaria o Brasil, junto da organização gaúcha, o jogador passaria a figurar entre os grandes nomes do CBCS.

Logo na primeira edição, uma queda na semifinal contra a Evidence deixou um gostinho de quero mais. No classificatório para a NEST Pro Series, uma quase vaga, perdendo para a paiN Gaming. Em dezembro de 2019 a consagração viria com o título do CBCS #2 contra a Imperial, numa grande final presencial na MAX5 Arena. Para àquela Redemption, o título virou a chave de nível, colocando a equipe um degrau acima: "ganhamos um pouco mais de visibilidade e também deu aquele gás".

Foto: CBCS

2020 DE MAIS VITÓRIAS QUE DERROTAS


O ano de 2020 teve início com uma chuva de classificatórios importantes. A campanha ruim em busca de vaga na WESG não baixou o brilho do grupo, que viria uma vaga na Flashpoint surgir quase que de maneira imediata. Em março, ainda sem muito desenvolvimento da pandemia, a então Redemption desembarcava em Los Angeles, mas acabou caindo nos grupos para Copenhagen Flames e Chaos.

remix avalia a experiência como positiva: "infelizmente não conseguimos ir alguns dias antes pra treinarmos, chegamos um dia antes do evento começar, por outro lado conseguimos treino com grandes times dos Estados Unidos. Com certeza a experiencia internacional conta dentro do servidor".

No retorno do exterior, a equipe faria uma das poucas mudanças de sua história. William “w1” Almasan entraria para a vaga deixada por Gabriel "sutecas" Dias.

E, após a mudança, a experiência citada por remix parece que contou mesmo, não demorou para que àquela Redemption que estava em crescimento desde 2019 se desenvolvesse ainda mais. Em junho, teve o bicho papão da temporada, BOOM, conquistando o troféu do CBCS, remix e cia. ficariam com o vice.

Por mais que ainda vivesse de um cenário um pouco mais fechado, O CBCS resolveu abrir um pouco a mão da exclusividade dos times, foi o bastante para a equipe levar o título da Aorus League 2020 Season 2, lá onde remix faturou seu primeiro MVP da temporada, ainda em junho.

Remix é destaque da Havan e frequentemente cotado como um dos melhores AWPs do Brasil | Foto: Rafael Veiga/DRAFT5


O mês de julho chegaria com a notícia de que a organização gaúcha não renovaria com os jogadores, e colocou toda a equipe à venda. Um mês depois a Havan Liberty anunciava os jogadores. Como a Redemption era parceira da liga, além da mudança de casa a equipe mudou seus ares, não tendo mais vínculo com o CBCS, passou a disputar as ligas da Gamers Club e subiu desde a primeira até o patamar máximo: Liga Dell.

Antes mesmo de grindar as ligas da GC, o esquadrão levou outro título de Aorus League, em agosto contra a 9z, era o segundo título de Aorus na temporada e o segundo MVP de remix. Coincidentemente, o AWPer da Havan teve um crescimento individual muito elevado após a entrada de w1 e acha que as adaptações que a equipe teve de fazer, auxiliaram no seu crescimento: "w1 chegou jogando em todas as funções do sutecas de CT, mas de TR adaptamos pra um novo método, pode ter sido isso a melhora".

Agosto foi o mês de uma das primeiras quedas inesperadas da equipe. Mesmo enfrentando uma equipe rodada como a Imperial, no CBCS: The Conquest, o favoritismo era do lado da Havan, por estar mais centrada em seu jogo, diferente de uma remontada dos imperadores com Lucas "lucas1" Teles: "a gente esperava a revanche da final passada contra a BOOM, mas infelizmente aquele dia muita coisa dentro do server não entrou, os meninos la foram superiores e mereceram estar na final", avaliou.

Outros campeonatos viriam ainda em agosto, entre eles o convite para a ESL Pro League que contou com apenas quatro equipes da América do Sul e terceiro lugar para a Havan. Em setembro na primeira Liga Dell que a equipe conquistou, remix levou o MVP.


O título em setembro era só o primeiro indicio do que aconteceria até o fim do ano. Havan dominava a série B do Counter-Strike nacional, mas com uma facilidade que ficava evidente o quão de primeira era a equipe. Outubro, novembro e dezembro também foram dos meninos que representam a loja de departamentos. remix ainda colheria outro MVP na temporada, foi em outra Aorus a de número quatro no Brasil, que o AWPer voltou a aparecer em grande forma.

O maior desafio da temporada chegaria em dezembro, na primeira Gamers Club Masters da equipe e a edição de número VI. A Havan chegou colocada por muitos como favorita, por mais que o jogador não enxergava desta forma: "não nos via como favorito pois não estávamos no CLUTCH", porém afirmou que ficou uma "vontade de 'quero mais'". Falando de individual, remix começou a Masters como um dos destaques e postulante a destaque, mas segundo ele "faltou um pouco mais de impacto na última MD3", perdida por 2 a 1 contra a DETONA.

O 13º MELHOR EM 2020


Arte/DRAFT5


AWPer de grande impacto, remix foi um dos grandes destaques da Havan durante a temporada. Mesmo começando o primeiro semestre um pouco mais lento, o jogador conseguiu MVP em quatro ocasiões: a primeira na AORUS #2 com 1.37 de rating 2.0.

Porém, não apenas um, mas em três torneios da AORUS o jogador foi MVP durante 2020. No torneio de número #3 conseguiu os mesmos 1.37 de rating 2.0 na fase brasileira e insaciáveis 1.44 na continental. Já no torneio de número #4 disputado, 1.15 de KDR na fase brasileira elevaram o nível do jogador que ainda fecharia a fase continental com 1.29 de rating 2.0.

Além das três conquistas de AORUS, remix ainda levou o MVP da Liga Dell de setembro lá com 1.27 de KDR.

Os EVPs de remix também foram muitos durante a temporada, o primeiro no CBCS #4, depois da Logitech G Challenge, além de Liga Dell de outubro e dezembro. O jogador também foi destaque na campanha para ir até o classificatório global da Flashpoint e no closed qualifier da GC Masters VI.

Ao todo a Havan de remix conquistou 7 títulos durante o 2020, enquanto ele apareceu em 10 listagens somando 36,75 D5 Points. Porém, o peso dos torneios em que se destacou, impediu com que o jogador alçasse uma posição acima.

Arte/DRAFT5


Os números de remix ficam ainda mais surpreendentes se isolados os fatores. O jogador foi décimo da listagem em rating 2.0 com 1.16. Também foi décimo em KD com 1.15, além de 71,3% em KAST e o quarto jogador do top 20 com maior impacto com seus 1.25.

Classificando seu ano como o melhor da carreira, remix aponta a ajuda dos companheiros como primordial, além é claro de deixar um jovem como promessa para futuras listas, seu companheiro desde abril: w1.

No auge dos seus 27 anos, remix não é nenhum jovem no cenário, mas traz consigo a jovialidade de uma recente carreira que explodiu e que parece não ter limite de onde chegar.
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