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Os melhores no Brasil em 2020: (1) - felps

5 MVPs e 5 EVPs fizeram com que felps ostentasse 142,5 D5 points, sendo eleito o melhor atuando no Brasil em 2020

por Lucas Spricigo / 17 de jan de 2021 - 18:13 / Capa: Arte/DRAFT5
A trajetória de João Vasconcellos se confunde com a do CS:GO no Brasil. Nascido na capital do estado de São Paulo, o jogador, hoje com 24 anos, tem uma carreira extensa nacional e internacionalmente. Após outrora ter colecionado títulos no mais alto escalão, em 2020, felps dominou o Brasil e garantiu inacreditáveis 5 MVPs e 5 EVPs, se consagrando como o melhor jogador atuando em terras tupiniquins na temporada.

O pequeno João conheceu os jogos por curiosidade ao ver um PlayStation numa lan house. Algum tempo depois os videogames deram lugar a computadores com o Counter-Strike instalado, a curiosidade foi elevada a níveis ainda maiores.

Alguns anos depois, menino se tornaria felps, homenageando a lenda das piscinas Michael Phelps, mal sabia ele que em 2020, também iria ter uma estante recheada de medalhas.

FORJADO NO SOURCE E NA TRADIÇÃO


Os mais saudosos lembram de um longínquo cenário em que os maiores torneios aconteciam na tradicional LGX Lan. Lá que jogadores nasceram e que grande parte do CS:GO brasileiro cresceu. A escassez de torneios no começo da nova versão do FPS mais amado do mundo só não era maior pelo trabalho exercido naquela que era a casa do Counter-Strike brasileiro.

Foi na própria LGX que felps deu os primeiros passos no competitivo, ainda em época de Counter-Strike: Source. Porém, ao mesmo tempo que crescia, o jogador viu o mundo transicionar para a nova versão e ele também não perdeu tempo em migrar.

felps é um dos poucos no Brasil que se têm registro ainda de 2013, disputando pequenos torneios que já existiam na plataforma da XCL, empresa que anos depois daria origem a Gamers Club.

Defendendo a semXorah o jogador começou a trilhar seu caminho ao lado de nomes reconhecidos hoje, como o treinador da FURIA Academy Leonardo “msr” Caixeta e, pouco tempo depois, ao lado de Epitácio “TACO” Pessoa, jogador que estaria ao lado de felps nos primeiros grandes momentos da carreira e, que por coincidência do destino, estará em mais projetos com felps no futuro.

A 1º r1se & LGX Cup em 2014 com a Seven Wars e-Sports é a primeira final presencial que se têm registro, lá um vice ao lado de Lucas "DeStiNy" Bullo e Alexandre "xand" Zizi contra o Fake da Rima de Fernando “fer” Alvarenga, Caio "zqk" Fonseca e outros nomes reconhecidos do Brasil.

CURRÍCULO DE RESPEITO


O melhor do Brasil em 2020 pode ter orgulho em dizer que defendeu algumas das maiores organizações do Counter-Strike brasileiro. Ainda em 2014 passaria pela ProGaming e Golden Glory, saudosa tag que na época foi defendida ao lado de Marcelo “coldzera” David e Ricardo “boltz” Prass.

O próprio 2014 foi o ano em que o Brasil presenciou a primeira leva de torneios na nova versão do CS. Após ter disputado a BSOG 2014, o jogador passaria um tempo amargando vices contra uma impossível KaBuM! que posteriormente ganharia o mundo. Mas nem os vices com a GFX na X5 Mega Arena, e BGS apagaram a vontade de ser campeão.

Felps durante a BGS em 2014 pela GFX | FOTO: Games Academy


Foi no Circuito Game7, já como Dexterity, que felps conseguiu vencer o “time do FalleN” na final, na época ao lado de coldzera e TACO.

O ano de 2015 chegaria com a saída de felps da Dex, chegando na MasterMind com nomes rodados como Rafael "zakk" Fernandes e o próprio xand, que o acompanharia como braço direito por muito tempo. felps passaria por muitos projetos em 2015, não ficando muito tempo neles, como DaiDai, Keyd e até g3x. Porém, tudo mudaria na reta final daquele ano.

RUMO AO EXTERIOR


Com o projeto da Games Academy de levar um time para os Estados Unidos via o torneio da Golden Chance, a equipe vencedora, de Lucas, hen1, taco, fnx e shoowtime ficaria pouco tempo intacta no NA. Logo que a Luminosity “convocou” fnx e TACO, felps seria chamado para fazer parte.

Ficando pouco tempo no restante do projeto, a equipe rumou para a Tempo Storm em 2016 e não demoraria para conquistar bons resultados. Apesar de levar pequenas competições no NA como RGN Winter Classic II, ESEA Premier S21Stream.me Gauntlet, o melhor estaria por vir.

Felps na Tempo Storm | Foto: Arquivo Pessoal


Foi na CEVO Pro League Season 9, em maio daquele ano, em que felps e grande parte daquele equipe conquistariam o primeiro título internacional de suas carreiras, presencial, batendo a lendária Virtus.pro na semifinal e a respeitável equipe dinamaquesa da SK na grande final. Destino ou não, a vida de felps cruzaria novamente o caminho da tag alemã meses mais tarde.

Mas o título da CEVO em Londres era apenas o começo. Talvez uma das cenas mais emblemáticas aconteceria em Austin, no Texas, na disputa da DreamHack Open, a final brasileira contra a Luminosity, ficando com o vice, mas a imagem da taça levantada por 10 brasileiros nunca se apagaria e correria o mundo.

Foto: Marc Joseph


Em junho a Immortals chegaria na vida de felps com diversas conquistas. O título da DreamHack Open Summer 2016 foi um dos maiores, batendo a NiP na grande final. Além disso,  também teve o título presencial na Northern Arena 2016 - Toronto contra a Cloud9, a lista ficaria enorme daí pra frente, novas conquistas como na iBUYPOWER Masters 2016 chegariam, e o jogador sempre foi um dos grandes destaques, tanto que foi chamado ao principal time do Brasil, a SK Gaming que naquela altura já havia levado dois títulos de Major.

O TOPO DO MUNDO


A estreia de felps na SK foi em 2017 na DreamHack Masters Las Vegas 2017, com uma amarga derrota contra a Virtus.pro. Os primeiros meses daquele ano foram marcados pela pressão por resultados, mas que acabaria na cs_summit. Mal sabia felps e a SK que aquele torneio seria a virada de chave para um ano recheado de conquistas.

Nem um mês depois, a taça levantada foi em Sydney na Austrália, contra a FaZe Clan. Aliás, na passagem de felps pela SK a rivalidade contra o misto europeu ficou ainda mais em voga.

Foram seis grandes títulos em 2017, incluindo prestigiados como ESL One Cologne e ECS S3. Além do gostinho especial de vencer a fnatic na casa deles na DreamHack Open Summer 2017. felps e a SK estavam no topo do mundo, o sonho de disputar um Major também enfim chegaria para o jogador no PGL Major Krakow, mas o jogador resolveu dar um passo atrás.

Felps em uma das grandes conquistas de sua carreira em Cologne 2017 | Foto: ESL


Em outubro, o jogador resolveu pedir para deixar a equipe, exibindo queixas pessoais na época, manifestou em algumas entrevistas que não se sentia mais com vontade de atuar pela SK. Agora, em 2020, o felps mais experiente ausenta uma fala de arrependimento: “arrependimento não pois toda decisão que tomei, principalmente aquela, foi devido a muitas circunstâncias e muitas que ninguém sabe, então não é que eu me arrependa, mas se fosse hoje eu não tomaria”.

O 2018 ficou marcado pelo projeto ao lado de fnx, com a Não Tem Como, chegando a atuar na ESL One Belo Horizonte. Porém os resultados não vieram naquele ano, felps fecharia com a INTZ, mas olhando como um todo, o ano não foi de brilho.

Em 2019, felps fecharia com o MIBR que visava abrasileirar a equipe após um período com dois norte-americanos. A semifinal do major na IEM Katowice foi o seu grande momento com a camisa do MIBR, mas a partir daí maus resultados levaram a equipe a mudar novamente. O jogador chegou a ser emprestado para a Luminosity, mas voltaria ao banco do Made in Brazil após o disband dos azuis.

O fim do ano ficou marcado por felps disputando torneios menores enquanto “passava férias” no Brasil, mal sabia ele que o futuro do planeta impediria um 2020 fora de sua terra natal.

2020 DE GALA DO MELHOR NO BRASIL


A temporada de felps no Brasil começou com uma atuação de poucos dias na Team One, que, ainda no Brasil, disputou a seletiva da WESG. felps foi o maior destaque.

Em fevereiro, ainda sob contrato com o MIBR, o jogador acertou seu empréstimo ao time da BOOM. Organização da Indonésia que havia acabado de contratar o time ex-INTZ. Nesta altura o planejamento era a equipe disputar torneios no exterior e com isso se preparava para viajar à Malta para disputa da ESL Pro League.

Porém, o planejamento foi todo desfeito com a pandemia do novo coronavírus e o risco de ficarem presos, em quarentena, na ilha do mediterraneo.

Neste momento o melhor seria retornar ao Brasil e logo que aqui chegou a equipe começou uma sequência ininterrupta de vitórias. Contando apenas os torneios, a equipe levou 8 títulos em 8 disputados.

Tudo começou na seletiva para o Minor das Américas, vaga no torneio que seria cancelado por conta da covid-19. felps foi destaque. Sendo substituída por torneios RMR, a classificação ao Major começaria a ser montada com o título do Road to Rio. felps foi MVP.

Em junho a BOOM fecharia acordo para jogar o CBCS: The Rising. Sem qualquer susto, título para a equipe, felps novamente MVP. A Gamers Club então lançou um torneio de meio de temporada em conjunto com a Redragon, nesta altura já dominando o Brasil a BOOM levaria outro título e por pouco felps não conquistaria o destaque máximo, ficando atrás de chelo, mas levando o EVP1 da competição.

Após um merecido descanso, em agosto a equipe voltou com tudo e na GC Masters V conquistaria seu quarto caneco do ano. felps levaria outro MVP.

A BOOM então se aventuraria num quase torneio exibição, na Esports Maker Invitational título e MVP para felps. Na divisão sul-americana da ESL Pro League, felps não foi MVP, mas novamente conquistou o EVP1, só ficando atrás de yel.

Chegaria então o segundo torneio RMR do ano, o Tribo to Major. Título da BOOM, foi o único torneio em que disputou que felps não foi MVP ou EVP1, mas mesmo assim recebeu EVP, sendo a nona vez em que era listado entre os melhores de um torneio.

O ano de felps na BOOM terminou com o título do CBCS: The Revenge e sim, MVP. O quinto do ano.

Arte/DRAFT5


Fazendo jus a sua posição, felps teve o melhor rating 2.0 dos jogadores da lista com o expressivo número de 1.34. Em ADR liderou com 92,5, e Impacto com enormes 1.50. O jogador ainda teve o segundo maior K/D com 1.36 e foi sétimo em KAST com 74.1%.

Arte/DRAFT5


O 2021 de felps é no exterior buscando o que conquistou com a SK em outros momentos e tentando usar as conquistas no Brasil como alavanca de confiança. Com 24 anos e tendo passado por tudo o que um jogador almeja, ninguém mais pode duvidar que a coleção de medalhas deste felps seja tão grande quanto a do seu xará fonético.

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