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Os melhores no Brasil em 2019: (2) – biguzera

Do anonimato ao destaque do time mais vencedor de 2019: O ano inesquecível de biguzera

por Abner Bento / 14 de jan de 2020 - 13:00 / Capa: Arte/DRAFT5
Ninguém no Brasil teve um ano tão especial quanto de Rodrigo “biguzera” Bittencourt, o jogador de apenas 21 anos foi de aposta a estrela em pouco mais de nove meses vestindo as cores da paiN Gaming. Entrando quase que como um desconhecido, o assault foi ganhando espaço ao longo da temporada e se tornou o principal fragger da equipe que dominou o cenário brasileiro em 2019.

Considerando seu início com jogos “clichê”, Rodrigo teve influência do irmão mais velho, que havia instalado Counter-Strike 1.6 no computador da família em Niterói (RJ). Naturalmente o caçula esperava o irmão sair do computador para dar suas primeiras balas no jogo.

O nick também veio de um apelido de infância, por ser o mais novo da turma, foi apelidado de “bigurrilho”. O apelido pegou e ele foi chamado de bigu até mesmo na escola. Utilizando sempre “bigu”, ele adicionou o “zera” pois não gostava de “biguzin” ou “biguzão”.

Veja a lista completa dos melhores atuando no Brasil em 2019.

PRIMEIROS PASSOS COMPETITIVOS

Ainda estudante de Ciências Contábeis, biguzera que se forma em 2021 diz que não se imaginava como jogador profissional e que jogava apenas por diversão. A entrada no competitivo veio em 2018 através da FK Team, equipe de Niterói onde biguzera disputou a Liga Amadora, subiu para a Liga Principal e ainda bateu na trave para entrar na Liga Pro em duas oportunidades, ambas para a DETONA. Sentindo que já estava em outro nível, o jogador pediu para sair do time e montou uma nova equipe com os amigos da Latam Pro League (LPL).

A criação da NO.ORG veio juntamente com Arthur “f4stzin” Schmitt, Rodrigo “rood” Gomes, Matheus “Dropzera” Santos e Eduardo “dumau” Wolkmer, biguzera ganhou mais destaque dentro da comunidade com o novo time ao vencer a Liga Principal de novembro de 2018.

Outro resultado importante para a equipe foi a participação na ESL Brasil Premier League Season 7, onde a NO.ORG conseguiu chegar até a final, caindo para a DETONA por 2-0 na grande final. A equipe realmente demonstrava bastante potencial, já que praticamente todos os jogadores sairiam para grandes organizações no futuro.

No primeiro lance presencial de sua carreira, biguzera fez um clutch 1v3 contra a FaZe Clan | Foto: Igor Bezborodov/StarLadder


COMEÇO NA PAIN E ESTREIA NA CHINA

A entrada veio ainda antes da equipe assinar com a paiN, sob o nome de Ex-Team Wild. Biguzera veio juntamente com Maxcel “maxcel” Rocha para ocupar os lugares deixados por Denner “KHTEX” Barchfield e Lucas “Destiny” Bullo, conforme o anúncio do capitão Vinícios “PKL” Coelho:



Ainda como ex-Team Wild, biguzera acabou com o vice-campeonato da Liga Pro de Janeiro, caindo para a INTZ Academy. Já em fevereiro, após a paiN Gaming assumir a line-up, o começo ainda foi bastante lento com derrotas precoces em campeonatos como o fase online da LA League S3 e da ESL Pro League (ambos para a DETONA), além da eliminação nas semifinais da Liga Pro de Março e Abril (para a W7M), nessa época, já com f4stzin no lugar de maxcel.

Justamente na Liga Pro de maio bigu levou seu primeiro EVP da temporada. No mesmo mês teve a sua estreia em LAN e que não poderia ser num palco mais especial. O jogador fez sua estreia presencial no grande torneio disputado pela paiN em 2019: a StarSeries Season 7, na China. O 1v3 contra a FaZe, primeiro lance de biguzera em uma LAN, parecia já ditar o que seria o ano do jogador:


A equipe acabou não vencendo nenhuma partida e curiosamente este foi o único torneio em LAN que biguzera não conquistou em sua carreira. De volta ao Brasil a equipe ainda estava distante do desempenho ideal, vencendo apenas a Liga Pro de Maio. O torneio foi importante para dar ainda mais confiança para biguzera, que terminou com um rating de 1.23, levando o destaque de EVP, e começava a dar indícios que poderia carregar a equipe estatisticamente.

No mês seguinte, após levar a etapa brasileira da AORUS contra a W7M, finalmente jogos em LAN e títulos, o primeiro na Argentina, batendo a Rejected por 3-0 e levantando o caneco da superfinal continental da Aorus League S2 Apesar de enaltecer o time chileno, biguzera reconheceu que o nível no Brasil é mais forte e que o torneio serviu como preparação. O jogador ainda comentou que esse torneio foi um dos principais pontos de virada da equipe para a sequência da temporada.

O segundo e mais marcante, a Gamers Club Masters III, teve um começo lento da paiN, perdendo as duas primeira partidas e só não foi eliminada após vencer um jogo muito duro contra a Team Reapers. Na semifinal e mais confiante, a equipe passeou sob a W7M e garantiu o lugar na grande final. O adversário seria a DETONA, que tanto tirou títulos de biguzera no início da carreira e o título ficou nas mãos da paiN, em partida que certamente entrou para a história do CS nacional.


Após a GC Masters III, a equipe anunciou outra troca: Desta vez, f4stzin iria para o banco de reservas para a entrada de Wesley "hardzao" Lopes, que já vinha sendo destaque na DETONA e prometia aumentar ainda mais o poder de fogo da equipe. A entrada do assault foi decisiva para a sequência do ano tão vencedor da paiN.


EMPILHANDO TROFÉUS

O título seguinte seria um sonoro 3-0 na final presencial da BGS Esports 2019, contra os atuais bicampeões da W7M. Na visão do jogador, aquela final foi o verdadeiro divisor de águas para a comunidade olhar mais para o time e também foi o campeonato onde mais entraram confiantes. Biguzera foi eleito o MVP DRAFT5 com rating de 1.32 na grande final.

Ainda no mesmo mês, a equipe que já estava disputando e liderando o CLUTCH Brasileirão Season 1 terminou o primeiro turno na liderança (onde fizeram três vitórias e dois empates) e classificados para a LA League. No torneio continental, a equipe passeou na semifinal contra a Malvinas Gaming da Argentina e na final contra a DETONA para conquistar sua quarta LAN no ano. O primeiro mapa acabou tendo um desempenho discreto de biguzera. Já na Dust2, o assault foi o grande destaque do mapa que garantiu o título da América com rating de 1.32, só não vencendo o MVP pelo desempenho massivo de PKL

Para os dois torneios finais, a equipe teve a entrada de Gabriel “NEKIZ” Schenato no lugar de Alef “tatazin” Pereira e mesmo assim não rendeu menos. Com caminho parecido ao da edição anterior, a equipe começou mal mas acabou campeã da GC Masters IV mais uma vez contra a DETONA. Apesar de não ter brilhado estatisticamente nos mapas dos playoffs, a regularidade (marca de biguzera) rendeu ao jogador o prêmio de MVP do torneio, com rating de 1.11.

Foto: Lucas Spricigo/DRAFT5


Fechando o ano com chave de ouro, a equipe voltou aos estúdios da BBL para disputar a final do Brasileirão. Importante destacar que o segundo turno da equipe foi muito diferente da primeira metade dominante. No segundo turno a equipe teve apenas uma vitória, um empate e três derrota. Na final, encarou a RED Canids onde novamente provaram sua força coletiva e venceram por 2-0, contabilizando seis LAN’s vencidas no país em 2019. Dessa vez a medalha de MVP foi para biguzera.

O 2º MELHOR DO BRASIL EM 2019

Para biguzera, a força de seu jogo está no coletivo. O próprio jogador não se importa tanto com desempenho individual contanto que esteja vencendo títulos, como foi boa parte de 2019. Consistência é a palavra que pode definir melhor o assault, que embora não lidere nenhum quesito de nossa lista, tem excelentes colocações em todos os aspectos analisados, mostrando-se um jogador completo.

O ano de biguzera em números | Foto: DRAFT5/Estatísticas: HLTV


Ao todo, ele jogou 169 mapas na temporada e teve um rating médio de 1.16 (o quarto melhor no quesito), seu dano médio ficou em 81,5 (o quinto melhor no quesito) e o jogador realizou 60 clutches bem sucedidos (o quarto melhor no quesito). É também sua regularidade que o fez conquistar três dos mais importantes títulos de MVP da temporada, incluindo o da BGS Esports 2019, o da GC Masters IV e do Brasileirão. Os ótimos números na temporada o levaram a um total de 51.8 DRAFT Points.

Como uma espécie de “coringa” do time, biguzera diz ser o que mais troca de função e posição dentro do time, priorizando sempre o que favoreça os companheiros: “O mais importante é o coletivo. Para mim não adiantava nada ganhar prêmios e não vencer com o time, essa é minha prioridade. Sou o cara que faz o que precisarem que eu faça no servidor, CS é coletivo e acho que fomos o melhor time do ano por isso, jogamos o jogo coletivo”, definiu.

Destaque individual e coletivo, títulos conquistados e a rapidez com que surgiu no cenário colocam biguzera como discutivelmente a grande revelação do ano de 2019. Resta saber o futuro da paiN Gaming que pode continuar dominando o Brasil, mas deve seguir o caminho natural das equipes e elevar seu nível no cenário norte-americano.

Veja a lista completa dos melhores atuando no Brasil em 2019.
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