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Os melhores no Brasil em 2018 (5) – KHTEX: Dos obstáculos ao ápice de um ano dominante

Após dominar o cenário junto da Wild, KHTEX garante a posição de número 5

por Cristino 'cac0' Melo / 08 de Jan de 2019 - 20:01 / Capa: Draft5
Denner Barchfield nasceu para ser competitivo. Queria e tinha talento para ter sido jogador de futebol. Com nome do lendário jogador da portuguesa e habilidoso como ele, poderia estar nos representando nos gramados brasileiros… poderia. Porém, KHTEX abriu mão do futebol aos 16 anos e começou a se dedicar ao Counter-Strike. As duas carreiras são de alto risco, mas obteve sucesso na sua escolha. Depois de mais de seis anos de profissional alcançou um nível altíssimo e fez de 2018 um dos melhores anos da carreira sendo quinto melhor jogador brasileiro do ano.

Denner começou a carreira em 2012, ainda no Counter-Strike 1.6. Depois da insistência de Epitácio "TACO" Pessoa, migrou para o CS:GO na equipe FragWorks.

KHTEX com sua primeira equipe do CS:GO, FragWorks | Foto: Acervo Pessoal


Desde o início utilizou o nick KHTEX. A origem desse nome é uma homenagem ao sueco Frej "kHRYSTAL" Sjöström, lendário jogador do CS 1.6 com passagens por Lemondogs e SK Gaming. Então, o brasileiro abreviou o nick do jogador para KHT, até que um dia os jogadores do seu time decidiram usar "EX" no final do nick, ficando KHTEX. Depois que saiu da FragWorks rodou por diversas equipes, muitas nas quais não durava duas semanas. Seu companheiro João "felps" Vasconcelos o levou para Seven Wars e-Sports, TRC, Soldiers. A organização onde ficou por mais tempo foi a semXorah. Em meados de 2014 decidiu encerrar a carreira a pedido de sua mãe.

"O CS não estava dando dinheiro, não tinha como viver disso no Brasil. E minha mãe começou a me cobrar de ir trabalhar. Arrumei um emprego ainda em 2014 e fiquei na empresa até 2016"

Época de Dai Dai Gaming ao lado de mch, felps, destinyy e LuL4 | Foto: Acervo Pessoal


Porém, a vontade de jogar ainda era grande e surgiu a oportunidade na Big Gods. Convenceu sua mãe a deixá-lo sair do emprego para se dedicar ao jogo. Seu chefe o chamou de doido, quando disse que sairia para jogar CS. Foi morar na Gaming House da organização, contando com o dinheiro dos direitos trabalhistas e o pequeno salário. Mesmo com todo esse sacrifício tiveram a grande conquista que foi a vaga para o Americas Minor do ESL Major Cologne 2016. Mas outro problema apareceu. Por não conseguir o visto para disputar o torneio, a equipe perdeu a vaga, que ficou com a WinOut.net.

Uma das maiores conquistas na carreira de KHTEX foi a vaga para o ESL One Major 2016 com a Big Gods | Foto: Acervo Pessoal


Mesmo com as conquistas pela Big Gods a situação financeira apertou e ele foi em busca de melhores oportunidades. Rodou por mais algumas equipes no segundo semestre de 2016 e encerrou o ano na g3nerationX. Pela g3x conquistou a vaga para World Cyber Arena 2016, na China. Na volta do oriente, já em dezembro, descobriu que ia ser pai. Tendo que ajudar a sustentar o filho, um novo abandono. KHTEX chegou a jogar um tempo na Merciless Gaming, mas largou novamente o CS.

Viagem para China com a g3x | Foto: Acervo Pessoal


A segunda parada na carreira foi apenas até julho de 2017. A convite de Renato "nak" Nakano, foi para Portugal defender a Sharks Esports. A aventura na europa durou apenas alguns meses. Em dezembro daquele ano o rifler entrou em acordo com a organização e voltou para o Brasil.

"Vou continuar jogando sim, mas agora quero continuar jogando no Brasil. Quando fui para a Europa meu filho tinha apenas 13 dias de vida. Hoje, ele está com 4 meses e preciso ficar perto dele um pouco."

Arte: Draft5


No início de 2018, Denner se juntou a Vito "kNg" Giuseppe na nova formação da Virtue Gaming. Depois de uma série de mudanças, principalmente com a contratação do trio de jogadores ex-Dereguedere em abril, a line-up encaixou e os resultados começaram a vir.

2018 E O SEMESTRE INESQUECÍVEL

Junto com Lucas "destinyy" Bullo, Denis "dzt" Fischer, Alef "tatazin" Pereira e Paulo "land1n" Felipe a Virtue Gaming começou a engrenar em 2018. Porém, nos primeiros seis meses do ano não obtiveram nenhuma conquista.

A equipe de KHTEX sempre mostrou muito potencial, muito por causa de seus companheiros, destinyy e land1n. No entanto, acabava tropeçando em momentos decisivos. Perdeu classificatórios importantes e chegou a ser rebaixada na Liga Profissional Alienware Gamers Club. Entendendo que o time passava por dificuldades para encaixar seu jogo, mudanças foram necessárias. Com dzt desempenhando uma função que o time não precisava, a saída dele foi inevitável. Depois, aproveitaram a dispensa de Vinícios "PKL" Coelho da Luminosity Gaming e o contrataram no início de junho.

Pouco antes da mudança, ainda sem PKL, o time ainda dependia da skill de seus jogadores. E foi assim que a equipe chegou na decisão da segunda temporada da Aorus League. KHTEX teve um papel decisivo em todas as partidas, contando com um rating de 1.38 na grande final. Na semifinal contra a W7M Gaming, KHTEX foi decisivo com 40 kills nos dois mapas jogados e um dano de 101 por round.

Já com PKL comandando a line-up, o individual cresceu. Ganhando liberdade de jogo, KHTEX evoluiu junto da equipe e os títulos começaram a vir.

"O Dzt é muito bom, mas estava fazendo uma função no time da qual não precisávamos, e o PKL é especilista em ser in-game leader. Então, com a entrada dele, eu acabei voltando pras funções que eu sempre fiz, isso me deu mais liberdade de jogar de terrorista e de CT, onde eu voltei a jogar como segundo AWP. Então, comecei a fazer bons jogos."

Foram três conquistas consecutivas com a tag da Virtue: Aorus League Season 2, Liga Pro do mês de julho e ESEA Open S29. Em todas elas, KHTEX esteve entre os três melhores da competição. No título da ESEA, que rendeu $2250 para sua equipe, ele alcançou o maior rating em nove mapas jogados, 1.32, sendo o MVP.

Apesar dos bons resultados, um novo problema. A Virtue anunciou o fim de suas atividades no Brasil. Com isso, KHTEX e seus companheiros ficaram sem casa, mas não por muito tempo. No dia 17 de agosto, passaram a defender a tag da Team Wild. De lá até dezembro, chegaram no mínimo às semifinais de todas as competições que disputaram. Ao todo foram seis títulos, dois vices e sete terceiro/quarto lugares.

Ao longo do ano, o jogador somou quatro MVPs, sendo destaque das grandes conquistas de sua equipe. Entretanto, também foi um jogador destaque das batidas na trave, acumulando seis EVPs. KHTEX também soma um ótimo rating de eliminação de entrada, com 1.05. O rating geral ficou em 1.17.

Arte: Draft5 | Estatísticas: HLTV


Em 36 torneios no ano, entre classificatórios, campeonatos online e presenciais, KHTEX ficou com rating abaixo de 1 em apenas cinco dos trinta e seis disputados.


UMA NOVA SAÍDA E UM NOVO RECOMEÇO EM 2019

Em conversa com KHTEX, o jogador mostrou muita confiança para 2019. Agora, mesmo após sua saída da ex-Team Wild, sua grande temporada em 2018 pode garantir uma vaga em alguma equipe para o próximo ano.

Individualmente, KHTEX acredita que ainda tem muito à evoluir no seu lado CT, mas tem objetivos ambiciosos e sonhos ainda maiores: "Eu não sei onde eu posso chegar, mas sei onde quero chegar, que é onde todo mundo sonha, o Major".

KHTEX foi certeiro no palpite da posição no top10 de jogadores brasileiros em 2018, e acha justa: "Tiveram muitos jogadores bons no Brasil nesse ano".

Para 2019, ele almeja o top1, porém, o primordial para ele é sua equipe: "Se meu time for mais uma vez o top1, eu nem preciso estar nesse ranking".
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