Desde que iniciou os boatos sobre a entrada de Oleksandr "s1mple" Kostyliev e Egor "flamie" Vasilyev na SK Gaming, várias pessoas demonstraram ser contrarias a essas mudanças. O principal motivo apontado é a perda de uma equipe consagrada inteiramente brasileira. A exigência do torcedor brasileiro é que a SK sempre esteja no topo, chegando as finais e conquistando títulos (que ficou acostumada nos últimos dois anos). Mas, e se para voltar a estar neste nível seja preciso internacionalizar a equipe?
Hoje, metade das equipes que estão no top10 do mundo são formadas por jogadores de duas nações ou mais. A número 1, FaZe Clan, é formada por cinco jogadores de nacionalidades diferentes. Apesar do estigma de nunca conquistar títulos, esteve presente nas finais dos três grandes torneios realizados em 2018, além do segundo semestre espetacular de 2017.
A realidade é que a internacionalização das equipes será cada vez mais comum, e apenas dessa forma poderá se manter uma equipe com um rendimento como o da FaZe atualmente. Este processo é mais que natural e não aderir a ele pode ser prejudicial a longo prazo. E claro, equipes com maior investimento poderão fazer as melhores contratações.
Esse movimento é semelhante ao que aconteceu no futebol no início dos anos 2000. Claro que essas transferências existem no esporte desde os anos 50, porém a globalização o tornou comum apenas neste milênio, os obrigando a criar um período específico para essas mudanças. Com isso, os times começaram a formar verdadeiras seleções mundiais. O Manchester City, uma das melhores equipes do mundo hoje, conta com apenas quatro ingleses num elenco de 22 atletas.
Então vem a questão: torcedores deixam de torcer para o City por conta da falta de ingleses no elenco? A média de 54 mil pessoas por partida responde a pergunta. Claro que no CS:GO, o vínculo com a equipe vem por conta dos jogadores brasileiros nela. Assim aconteceu com Luminosity Gaming, SK Gaming e Immortals. A verdade é que não é necessário ter uma line-up inteiramente brasileira para essa relação acontecer. Vide, Lucas "steel" Lopes e Wilton "zews" Prado na Team Liquid. Ninguém deixaria de torcer para o Gabriel "FalleN" Toledo caso ele fosse defender outra organização, mesmo sendo totalmente internacional. Essa geração passou a torcer para o Barcelona por conta de Ronaldinho Gaúcho ou para o Paris Saint-Germain por conta de Neymar.
Cada jogador tem uma personalidade, tem seus costumes e sua cultura, e óbvio que isso vai moldar o estilo de jogo da equipe. Porém, não cabe ao torcedor determinar qual player será benéfico ou prejudicial para o time que torce. Qualquer organização pesquisa, não só como é o jogador dentro do game, mas também fora. Seus relacionamentos, hábitos e metas... isso que determina a contratação ou não de player. E sempre é bom deixar claro: é um esporte que envolve milhões e milhões de reais, portanto eles sempre devem buscar deixar sua equipe o mais forte possível.
A globalização chegou as equipes. A diversidade de nações em um time será cada vez mais comum e não terá volta. Agora, cabe os amantes do esporte se adaptarem a essa mudança e torcerem para seus atletas favoritos e principalmente, estarem curtindo o todo.
O inevitável processo de internacionalização dos times
Por que s1mple e flamie não poderiam jogar na SK?
/24 de março de 2018 - 12:00/Capa: