O MIBR teve que lidar com mudanças no elenco para a temporada de 2023. Sem Jhonatan "JOTA" Willian, que foi para a Imperial, o time trouxe Felipe "insani" Yuji, da base. A equipe não teve a atuação perfeita na IEM Katowice 2023, mas teve uma grande surpresa com o desempenho do jovem em sua primeira LAN. Em entrevista à DRAFT5, Renato "nak" Nakano falou sobre a chegada do novato, mudanças no time e a IEM Brasil.
Em Katowice, todos os times brasileiros foram eliminados na fase de entrada e o coach estratégico do MIBR, nak comentou brevemente sobre essa primeira atuação das equipes, que deixou a desejar para os torcedores.
"Sobre o desempenho dos brasileiros, eu acho que foi um pouco abaixo do esperado, principalmente pela FURIA, que a galera veio com uma sensação de que a FURIA estava em uma crescente boa depois do Major no Brasil e foi meio que uma decepção, o começo de ano um pouco devagar."
"Pra gente também, não foi aquele resultado bom, é um resultado ruim que estamos tentando sair já há algum tempo aí, tentando passar para a próxima fase. Porém, com uma surpresa boa, que foi o desempenho do insani. A gente não sabia muito o que esperar, sabemos do potencial dele porque já estamos com ele há 1 ano e meio no Academy, mas é sempre uma surpresa quando você passa um jogador novo assim pra uma próxima etapa, que é jogador entre os grandes. E foi uma surpresa muito boa, mas ainda não é o que a gente quer, mas ainda precisamos trabalhar muito e evoluir."
Com um novo elenco, o MIBR vai precisar de tempo para realmente se encaixar nos trilhos, tudo isso enquanto disputa os principais campeonatos de CS:GO. nak falou sobre a estrutura da organização, que busca o melhor para os jogadores para ver essa evolução a longo prazo.
"Todo mundo fala sobre tempo, longo prazo e lá na frente a gente vai melhorar só que poucos tem a solução realmente. Estamos tentando de tudo, não só com o bit, mas também trouxemos o tacitus, reforçamos a comissão técnica do time, eu faço parte também, mas não estou tão envolvido quanto eles, está mais o bit e o tacitus. A gente procura ter a melhor estrutura possível para os jogadores só precisarem focar no jogo. Temos uma equipe de psicólogos também, que estamos tentando melhorar, estamos procurando diferentes perfis para diferentes momentos do time. Estamos procurando de todas as maneiras melhorar essa parte e essa evolução a longo prazo começar a aparecer."
Sem JOTA, que era o antigo líder do quinteto, Raphael "exit" Lacerda assumiu a função deixada pelo colega de profissão. Em uma nova fase, nak rasgou elogios ao comandante que tem se adaptado bem com essa responsabilidade.
"Sendo sincero, eu estou muito feliz com o amadurecimento do exit principalmente, mas do time como um todo. O exit começou a ser capitão pela primeira vez agora, faz pouco tempo e se você parar pra ver nossos dados no TR, que o capitão tem uma grande influência nisso, estão sendo muito bons, os melhores, é o nosso ponto forte, inclusive. Estou feliz pra caramba que conseguimos trazer o exit pra essa função, que ele mesmo tinha uma dúvida, não queria e agora ele assumiu de vez, ele abraçou essa função e está mandando muito bem. Acho que o bit e o tacitus têm uma grande influência nisso, ele tem dois caras muito bons por trás. O exit é um cara muito dedicado, tem uma disciplina muito grande pra trabalho, acho que essa evolução vai vir com o tempo."
IEM BRASIL
Há alguns meses a ESL revelou que a Intel Extreme Masters (IEM) iria ter uma edição no Brasil. Em fevereiro, a organizadora afirmou que o torneio iria voltar para o Rio de Janeiro, especificamente a Jeunesse Arena, local que recebeu o IEM Rio Major 2022.
Durante o começo do ano, os times lutaram nas seletivas para garantirem uma vaga na competição. No classificatório da América do Norte, o MIBR conquistou sua vaga e terá a chance de jogar na frente da torcida. Para nak, esse interesse das organizadoras de eventos no Brasil é algo surreal e que é fruto de muito trabalho da cena nacional.
"É muito legal, é quase que um sonho realizado você começar ver o Brasil sendo um dos spots (lugares) nos grandes circuitos. Isso nunca aconteceu no 1.6, lá na época de 2002, teve um ou outro campeonato específico, era menor, não era nível de Tier S iguais esses que estão rolando, então é muito legal. Acho que a torcida tem uma grande influência nisso porque eles deram um show no Major, a galera está vendo que o brasileiro é realmente apaixonado pelo jogo e que tem um mercado enorme aqui. Apesar da logística não ser uma das melhores porque é sempre muito afastado e deve ser um custo algo para eles, mas acho que eles encontraram retorno, então enquanto tiver retorno eles devem voltar sempre."
Um dos grandes nomes do cenário, nak falou sobre essa atenção que o Brasil está recebendo de empresas internacionais. O coach comentou que ainda há muito espaço para o país dominar nos esports, que de certa maneira ainda é uma bolha na sociedade.
"Eu sempre fui muito otimista, se não eu não estava jogando, sempre acreditei muito que o Brasil e os esports no geral iriam crescer, e estão crescendo ainda. Acho que tem muito ainda para crescer, tem muito espaço, ainda não somos vistos como um esporte por muita gente, querendo ou não é uma bolha ainda. Tem muita gente que não conhece e eu acho que dá para crescer ainda mais, mas eu fico muito feliz por estar vendo isso acontecer, uma pena que não como jogador porque fui atleta minha vida toda e eu tenho essa vontade. Eu vejo uma competição e é o que me anima, infelizmente não estou podendo aproveitar mais disso, mas estou ainda muito envolvido. Estou no MIBR e sofro muito mais do que jogando, inclusive. É um prazer ter feito parte dessa história e ter ajudado, nem que seja um pouco lá trás para colocar o Brasil nesse mapa."