Instantes após o showmatch entre lendas de Brasil e Suécia, disputado no palco da Jeunesse Arena antes da final do IEM Rio Major 2022, Epitácio "TACO" de Melo falou à DRAFT5 acerca da sensação de voltar a atuar ao lado dos ex-companheiros de LG/SK, a realização de ver um Major acontecendo no Brasil e o futuro da carreira.
"É fantástico. Um sentimento maravilhoso de felicidade, de alegria, de gratidão. Posso falar por mim e por todos os outros que jogaram comigo na SK. É motivo de orgulho, de muita alegria para todo mundo. Até conversamos um pouco sobre isso no começo do campeonato. Há seis, sete anos atrás... obviamente que o início do CS não se deu sete anos atrás, são muitos e muitos anos, principalmente aqui no Brasil, quinze anos, sei lá, muitos anos, teve muita gente por trás disso, mas há sete anos, quando estávamos começando, a gente jogava os campeonatos para ganhar e pagar a nossa passagem, porque a gente pagava para jogar os campeonatos, essa é a realidade", relembrou.
"Hoje, depois de tanto tempo, estamos aqui no nosso país, jogando o maior torneio do jogo, um torneio de $1 milhão, com arena lotada, no Rio de Janeiro, então às vezes passa um filme na nossa cabeça, mas é um filme bom, de orgulho, de muita alegria, de muita gratidão. Como eu falei, acho que posso falar por todos do time. Todos são muito orgulhosos, felizes e satisfeitos de estarem vivendo esse momento. Muito grato à ESL por nos dar esse presente, poder jogar pra nossa torcida", agradeceu o Lampião.
"O Major no Brasil, na minha opinião, é um divisor de águas para o esporte eletrônico aqui no Brasil. Graças a todos os envolvidos, a galeria que assiste, graças ao público, isso foi uma vitrine absurda para o mundo todo. Creio e espero que para os próximos anos nós tenhamos mais campeonatos de grande porte como esse Major aqui no Rio. Pra mim, foi um divisor de águas, positivamente falando. Nosso cenário é fera. Mostramos para o mundo inteiro que somos feras. Espero que tenhamos mais chances de continuar mostrando nos próximos anos", analisou.
TACO, por sinal, valoriza a experiência que foi jogar frente à apaixonada torcida brasileira, não só durante a partida festiva, mas durante os dois dias da Etapa das Desafiantes no qual a 00NATION subiu ao palco do Riocentro:
"Acho que isso vem um pouquinho do Gaules. Ele faz um trabalho muito legal de unir a comunidade de todos os times. Esse mini-caldeirão que foi formado com quatro, cinco mil pessoas no Riocentro vem muito também de sermos brasileiros. Eu como brasileiro, sinto muito orgulho do nosso país, orgulho de ser brasileiro. A gente fala mal, critica, mas a gente pode por ser brasileiro (risos). Enfim, jogar para a torcida no Riocentro foi muito bacana, uma experiência única na minha carreira. É um caldeirãozinho. É um negócio que é pequeno, mas é gigantesco, parece que tem muito mais gente do que realmente tem, é muito barulho."
"Foi uma experiência nova, ter a galera gritando meu nome, gritando o nome do meu time, ver a molecada nova do meu time que nunca tinha jogado para uma torcida tão legal, ver eles com o olho brilhando, felizes com todos gritando seus nomes, foi um momento muito mágico, não só para mim, mas para todos os envolvidos. Creio que até os jogadores de fora tenham a mesma opinião. Foi muito legal, muito bacana", contou.

TACO, que já rodou pelos quatro cantos do planeta representando algumas das mais lendárias equipes da modalidade, sabe que a impressão que fica do IEM Rio Major 2022 para os estrangeiros é extremamente positiva:
"A impressão que fica desse Major no Brasil é que a gente consegue comportar eventos desse tamanho, que somos uma torcida apaixonada por CS:GO e por esportes eletrônicos, que temos grandes personalidades e ídolos na nossa comunidade que conseguem engajar essa quantidade de gente. Estamos aqui há vários dias no Major e a quantidade de fotos, de gente, de assinatura, de abraço que a gente dá diariamente é um absurdo."
"Creio que é essa imagem que fica para o resto do mundo, de uma comunidade gigantesca, unida, um país que comporta esse tipo de evento, uma comunidade apaixonada por esporte eletrônico, pelo jogo, e obviamente uma comunidade que tem muito respeito e admiração por toda essa galera que veio aqui nos ajudar a fazer isso aqui acontecer", ponderou.
Quando questionado acerca da não existência de uma idade limite para se competir em alto nível no Counter-Strike, mas sim de prioridades na vida, TACO concorda, mas acredita que ainda tem lenha para queimar, especialmente se for junto de seus pupilos na 00NATION:
"É uma excelente pergunta, não a pergunta em si, mas a forma como ela foi feita. Não é sobre a idade, mas sobre quanto você está disposto a sacrificar da sua vida. Eu estou há muito tempo no CS, há muitos anos vivendo isso aqui de corpo e alma. Eu realmente dou tudo de mim quando estou trabalhando, fazendo as coisas que faço dentro e fora do servidor. A gente vai ficando cansado também. Não sei quanto tempo ainda tenho de CS."
"Não posso falar que não penso em parar de jogar, porque eu penso, é algo que tenho na cabeça. Só não sei quando. Se agora, se no próximo ano. São coisas que é preciso colocar a cabeça no lugar, pensar, mas eu sei, tenho certeza, que ainda tenho um tempo para ajudar a galera da 00NATION, ajudar essa molecada. Quero fazer esse time ser campeão no futuro e o que eles precisarem de mim, toda minha energia estará concentrada neste projeto, para fazer isso dar certo. Assim como sempre foi, vou dar meu melhor até que um dia, quando essa necessidade de parar de jogar reaparecer na minha vida, vou seguir meu caminho com muito orgulho e com a cabeça erguida", assegurou.

Por fim, TACO ainda teve tempo de comentar os próximos passos que dará junto à 00NATION, os quais incluem a ESL Brasil Premier League S13, porta de acesso à ESL Pro League S17 Conference, e um período de férias ante a um 2023 que promete ser de muito, muito trabalho:
"O próximo passo é a classificação à ESL Pro League. Temos o classificatório aqui no Brasil valendo vaga na Conference. Depois desse campeonato, teremos um período de férias. Eu preciso bastante de um tempo off para ajeitar algumas coisas pessoais minhas, questões mentais, pessoais, coisas que eu realmente preciso ajeitar. Vamos ter esse período de férias que é o player break, onde todos estarão de férias. É super importante, na minha opinião, para dar descansada, dar uma resetada", afirmou.
"No próximo ano vamos voltar fortissímos para jogar todos os classificatórios, todos os campeonatos que pudermos. Vamos brigar firme. Quem sabe, se Deus quiser, está longe ainda, ainda estamos no Major, mas a grande meta, é classificar para o Major de Paris", pontuou o Lampião.
