Mesa tática: o 15x14 que poderia ter feito o 'brasileirinho' sorrir ainda mais
A história poderia ter sido diferente, mas o sentimento sempre vai permanecer o mesmo
por Ricardo Vaz de Melo/18 de maio de 2022 - 20:05/Capa: João Ferreira/PGL

A Imperial deu adeus ao PGL Major Antwerp 2022, nessa terça-feira (17). O time brasileiro perdeu para a Copenhagen Flames por 2 a 0 e caiu no Legends Stage com duas vitórias e três derrotas. Apesar disso, o sentimento que fica é quase o mesmo de seis anos atrás.

Sentimento esse que poderia ter sido estendido ou intensificado com uma possível vitória brasileira. Vitória essa que não veio após um primeiro mapa abaixo das expectativas e após um segundo mapa que deixou o Brasil inteiro com a sensação de que 'dava'.

O segundo mapa, Vertigo, escolha clássica da equipe dinamarquesa. Nos últimos três meses, a Copenhagen Flames jogou tal mapa 17 vezes e teve um aproveitamento de 76%. A Imperial encontrou dificuldades para encaixar sua defesa, e quando o fez, deixou a esperança de que do lado terrorista algo seria diferente.

Realmente, algo diferente estava por vir. Algo mágico, assim como no dia anterior ao jogo, contra a Cloud9, diante uma La Tribonera lotada por mais de 700 mil fanáticos que há tempos não se emocionava com o Brasil no Counter-Strike.

A Imperial, mesmo jogando contra a parede, pressionada por carregar no ombro um peso de quase um milhão de torcedores, não se deu por vencido. O time brasileiro foi valente, foi guerreiro e conseguiu virar a partida.

Quando o placar mostrava 15x14 para a Imperial, não tenho dúvidas de que grande parte dos fanáticos torcedores, regidos por um gigante Gaules, pensou: "AQUI ACABOU". Aquele round, aquele maldito round, vai ficar na cabeça de todos os brasileiros por um bom tempo.

Três famas, uma eagle e uma MP9. Esse era o armamento da Copenhagen Flames naquele round. Nem o mais pessimista torcedor poderia imaginar que a arma, considerada a "melhor do jogo" pelos lunáticos gauleses, faria um estrago tão grande na campanha da Imperial no Major.

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A equipe brasileira, orquestrada por FalleN, sabia que a economia do adversário não era boa. Sendo assim, optou por um round mais lento e cadenciado. O objetivo ali, provavelmente, era fazer um padrão seguido de um domínio, para forçar os dinamarqueses a gastarem seus recursos.

Assim foi feito. Fer foi o responsável por fazer o padrão na rampa do bombsite A. Sozinho, o jogador conseguiu forçar o uso de quase metade dos utilitários da Copenhagen Flames. FalleN tentou fazer um pick na escada do bombsite B, mas não teve sucesso.


Na sequência, o capitão se direcionou ao meio do mapa, para ajudar Boltz e Vini a dominar aquela região. O cenário era perfeito. A Imperial havia forçado o uso dos recursos do adversário e conseguia dominar um espaço crucial do mapa.

O round estava desenhado. Fnx era o encarregado de jogar sozinho, lentamente, pelo bombsite B, enquanto sua equipe tirava informação da rampa do bombsite A. O objetivo era forçar a rotação dos dinamarqueses, que naquela altura estavam com os nervos à flor da pele.

Como em toda sua carreira, Lincoln Lau cumpriu bem o seu papel. Entretanto, um mínimo detalhe mudou a história do time brasileiro na competição. Ao ser abatido por Jabbi, que desistiu de fazer a rotação na metade do caminho, Fnx deixou cair no chão uma AK-47 e uma molotov.


Ambos equipamentos utilizados pelo próprio Jabbi para impedir a Imperial de avançar para dentro do bombsite. Com a arma, Jabbi eliminou mais dois brasileiros. Com a molotov, o dinamarquês forçou o uso de uma smoke, que mais atrapalhou do que ajudou a Imperial.

Analisando a situação de fora, é muito fácil julgar e apontar alternativas. Entretanto, no calor do jogo, na pressão de representar todo um país e não decepcionar os milhões de torcedores ao redor do mundo, é muito difícil.

Difícil mesmo até para Lincoln Lau, bicampeão de Major e com inúmeros títulos no currículo. Logo ele, que tanto cobra o uso dos utilitários, não utilizou uma smoke e uma molotov, que poderiam ter mudado a história do jogo.

Muito se discute se o não uso das granadas foi correto. Muitos vão falar que se ele tivesse utilizado, teria entregado para o adversário a informação de que a Imperial havia optado por retornar ao bombsite B. Entretanto, com 20 segundos faltando no relógio e sem movimentação na rampa do bombsite A, a Copenhagen Flames já estava certa de onde o round acabaria.

Além disso, ganhar uma posição avançada era uma excelente alternativa, mas não naquele caso, na minha humilde concepção. Com pouco tempo faltando para entrar no bombsite e plantar a bomba, eliminar o máximo possível de buracos e brechas TALVEZ fosse o mais correto.

Apesar dos pesares, o peso da derrota não está nos ombros de Fnx. Uma equipe não perde uma partida por conta de um round. Mais do que isso, como eu aprendi em todos os anos de carreira no Counter-Strike, quando o time perde, todo mundo é responsável.

A última dança começou. Sim, ela apenas começou. Uma dança típica de festa brasileira, da alegria do funk à tristeza melancólica da moda sertaneja. A Imperial fez o Brasil inteiro sorrir e sentir esperança. Quem sabe no final do ano, no Rio de Janeiro, não estejamos dançando valsa com mais um troféu de Major nas mãos.

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