Após a vitória da Sharks por 3 a 1 contra a Isurus Gaming na grande final da ESL La League Season 2 na noite da última quarta-feira (14), conversamos com Leonardo "leo_drunky" Oliveira, jogador da equipe brasileira que comentou sobre os problemas que enfrentaram na partida decisiva, as polêmicas do confronto e os benefícios da temporada em Portugal.
Hoje vocês fizeram um ótimo primeiro mapa, mas no segundo mapa, teoricamente o melhor de vocês, a Mirage, acabaram sofrendo uma grande derrota. Como foi a conversa depois desse segundo mapa?
Na Mirage, basicamente, a Isurus jogou muito bem, conseguiram ler diversas jogadas que iríamos fazer, acredito que tenham nos estudado bastante. Nosso TR também foi bastante fraco nesse mapa, geralmente o nosso melhor lado na Mirage é justamente o TR. Assim que o jogo acabou na Mirage, nos reunimos e conversamos sobre termos levado o pick deles e eles terem levado o nosso pick, estava zero a zero. Seguimos em frente, não costumamos ter muitos problemas em relação a isso.
Você acha que esse período de vocês na Europa, essa fase de bootcamp, influencia muito no desempenho de vocês, faz com que tragam muita coisa de diferente pra cá?
Acho que sim. Na Europa, a estrutura de treino é muito diferente da daqui da América do Sul. Aqui os treinos ainda são um problema para os times. Existe muito amadorismo. Lá na Europa, se você quiser começar a treinar às dez da manhã, você começa, tem time pra treinar, e acaba às nove da noite. Além disso, todos os treinos que você arruma são de qualidade, contra times bons, com isso você consegue identificar melhor os seus erros, evoluir muito mais, melhorar suas táticas. Isso é mais difícil aqui no Brasil, não só pelo amadorismo, mas pelo nível dos times, que é inferior à Europa. Então, com certeza é um fator que influencia muito nos nossos resultados aqui.
Na última temporada em que vocês foram à Dallas, vocês saíram sem nenhuma vitória, mas conseguiram fazer mapas apertados contra a mousesports e a Cloud9. Você acredita que a Sharks chega mais forte pra essa oitava temporada?
Pelo que o pessoal me disse ali, acredito que vamos enfrentar a Astralis no nosso primeiro jogo, então desde o primeiro momento vai ser muito difícil, mas com certeza estamos mais preparados, não só na experiência, mas como um time, taticamente evoluímos muito nesses últimos meses. Acredito que estamos sim melhores preparados, mais confiantes. Com certeza vamos fazer nosso melhor em Odense e tentar sempre sair com a vitória.
Na primeira edição da LA League, entrevistamos o Renato "nak" Nakano, que na ocasião, falou que a volta a Portugal era incerta. Vocês inclusive já relataram que o objetivo de vocês era o Brasil, mas acabaram saindo. Como você vê o cenário brasileiro cada vez com mais campeonatos importantes e vagas para torneios no exterior? Você acredita que já seja sustentável manter a equipe apenas aqui no Brasil, sem ficar muito tempo lá fora?
Acredito que nesse momento, não. Existem muitos campeonatos dando vagas para fora, mas se formos colocar na balança, a Europa ainda compensa mais. Como eu disse antes, os treinos lá são mais produtivos, tem muitos eventos lá também, apesar de competirmos como um time menor, ficarmos meio escondidinhos lá na Europa, ainda tem muitos eventos e dinheiro por lá. Acho que essa soma de fatores resulta no favorecimento pra Europa ainda nesse momento, mas a gente gostaria que no futuro, com todas essas vagas e com esse dinheiro vindo pro Brasil, acredito que o time realmente queira, no futuro, vir para cá jogar full time.
Ainda sobre hoje, tivemos uma final com recorde de problemas técnicos, inclusive o round com o Raphael "exit" Lacerta. Você acha que esses problemas técnicos atrapalharam?
Pessoalmente, eu sou um cara muito emotivo, com as emoções à flor da pele. Não foi apenas esse round do exit, no último mapa, na Train, se eu não me engano, estava 13 a 11 ou 13 a 12, eles (a Isurus) rusharam A de TR, em um round armado e eu travei no meio do bomb A e morri. Eu fiquei muito, muito estressado, tirei o fone, enfim, infelizmente eu tenho esse probleminha com a emoção. Como eu disse, atrapalhou muito mesmo, mas, como qualquer outro evento em LAN, existem os problemas técnicos que só vão aparecer na hora do jogo. Assim como no round pistol da Nuke a internet caiu, assim que começou o jogo, simplesmente caiu a internet, mas são coisas que acontecem, não tem o que fazer, são problemas técnicos, mas fico feliz por termos conseguido colocar a cabeça no lugar independentemente de todos esses problemas e jogar o nosso jogo.
Nesse round do exit, vocês foram conversar com a Isurus, que até mostrou certa resistência. Mesmo assim, no final, você acha que o jogo limpo falou mais alto?
Com certeza. Acho que todos sabem que o time da Isurus, são cinco caras muito dedicados. Eles treinam muito, e não só isso, eles são muito humildes, muito gente boa. Desde ontem, quando viemos aqui no estúdio da ESL, conversamos com eles, trocamos uma ideia. Enfim, são pessoas muito amigáveis. Acredito que a atitude deles foi a que a gente teria tomado também. Parabenizo eles por terem tomado essa atitude, isso realmente demonstrou que eles queriam jogar limpo, porque era um 4x4 com a B dominada na Mirage, um eco seco. Qualquer jogador de CS que sabe o básico, sabe que é um round ganho. Acredito que isso também tenha feito com que eles repensassem sobre isso e tenham aceitado voltar o round. Inicialmente a ESL, baseado nas regras que eles tem, não queria dar o restore, queriam seguir em frente, mas foi graças a atitude da Isurus que podemos dar o restore, então parabenizo eles mais uma vez pela atitude.
Você falou a respeito dos estúdios, como foi inaugurar essa Arena, inédita para o cenário brasileiro?
Inaugurar essa Arena é um privilégio pra gente, pros Sharks e eu espero que eu possa passar mais um tempo aqui futuramente, ganhar mais títulos aqui. Estou muito feliz de ter jogado esse campeonato novamente, de ter ganho essa vaga novamente, de ter contado com o apoio da minha família novamente.
Além da LA League, Sharks garantiu vaga na PLG Grand Slam e ainda luta pela WESG e Minor | Foto: Lucas Spricigo
Recentemente, a Draft5 lançou o ranking brasileiro de equipes. Vocês estão na quinta posição, mesmo estando no país há menos de um mês. Como você vê essa ideia de ranking e o que acha que ela pode trazer de benefícios para o cenário?
Acredito que pode trazer de benefícios para o cenário e em relação à comunidade. O pessoal que não conhece muito dos times, eles entram nesse ranking e veem os times, os jogadores. Acho que é muito importante pra divulgar essas informações pras pessoas que não conhecem muito, não sabem muito do cenário, eu realmente acho isso importante. Não que isso seja algo que vá transmitir totalmente a verdade. Por exemplo, no ranking da HLTV, a Luminosity, a FURIA e a Team One estão no mesmo bolo que a gente, então eu acho que qualquer uma que se enfrentasse poderia resultar em um jogo muito bom, um jogo disputado, qualquer equipe poderia sair com a vitória, mas realmente, a ideia do ranking é muito interessante.
Agora vocês ainda tem pela frente a final da WESG Brasil, além do classificatório para o Minor das Américas. Como você enxerga esse restante de ano?
Bom, até agora, a nossa volta ao Brasil tem sido 100% de aproveitamento, a gente espera sair daqui com 100% de aproveitamento. O nosso objetivo principal, como time, era ter ganho pelo menos duas vagas, então nosso objetivo já foi cumprido, o que vier agora é lucro, mas com certeza iremos jogar todos os jogos com a mesma pegada, com o mesmo foco. Como disse, a gente quer todas as vagas, então vamos com tudo pra cima deles.
Além da LA League, Sharks garantiu vaga na PLG Grand Slam e ainda luta pela WESG e Minor | Foto: Lucas Spricigo