JonY BoY projeta embate contra FURIA: "Você pode punir o arT por sua agressividade ou ele pode te amassar"
Jogador falou sobre período na Europa, retorno à Isurus, comunicação em português e nova chance internacional
por Lucas Benvegnú/24 de novembro de 2020 - 13:42/Capa: Yves Pierre Laroche/DreamHack
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Prestes a estrear junto da Isurus na BLAST Premier Fall Showdown 2020, Jonathan "⁠JonY BoY⁠" Muñoz conversou com o site especializado HLTV.org para tratar de diversos pontos de sua carreira, desde o período na Europa, passando por seu retorno a Argentina e chegando à grande chance junto da composição sul-americana.

Separamos os melhores trechos da entrevista, os quais você confere abaixo.

VOLTA PARA CASA

Seis anos depois de encerrar sua primeira passagem junto aos tubarões, JonY BoY voltou à Isurus para escrever mais um capítulo desta bela história. Diz o ditado bíblico que o bom filho a casa torna. Mas o retorno nem sempre foi a primeira alternativa.

"Tive algumas ofertas quando saímos da x6tence e o time se desfez. Tentei jogar VALORANT, nunca se sabe. É outro FPS, é divertido, tive algumas propostas internacionais por lá, mas a verdade é que eu gosto do Counter-Strike, então quando tive a oportunidade de jogar na QLASH, aceitei", conta o argentino.

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JonY BoY passou os últimos quatro anos competindo em solo estrangeiro | Foto: Yves Pierre Laroche/DreamHack

"Me juntei à QLASH, mas aí uma pessoa da minha família teve COVID e isso me fez repensar meu futuro. Não sei até quando esta situação irá durar, mas eu sabia que estava longe da minha família em um momento delicado, então comecei a refletir acerca do meu futuro", revela.

Em um timing quase que perfeito, juntou-se a fome com a vontade de comer. O desejo de regressar a casa ganhou o respaldo da chance de ingressar na maior equipe de seu país à medida em que a mesma anunciou a saída de Gabriel "1962" Sinopoli.

"Fui muito bem tratado na Espanha, como se fosse minha própria casa, mas eu queria me aposentar na minha região. Quero jogar meus últimos torneios na Argentina, cercado dos meus fãs e do meu povo. Quando comecei a pensar nisso, a Isurus anunciou a saída do 1962."

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A saída de 1962 abriu espaço para o retorno do velho conhecido dos tubarões | Foto: Lucas Spricigo/DRAFT5

"Eu já vinha conversando com a Isurus antes de me juntar à QLASH e meu empresário me disse que seria um bom momento para voltar. Assim, quando voltei para a América do Sul, treinei com o time e as coisas funcionaram bem", relembra.

Para o argentino de 29 anos, estar perto da família realmente pesou em tempos tão árduos: "Tomei essa decisão de retornar para ficar próximo da minha família na pandemia", afirmou. "Somos muito próximos, eles estão sempre assistindo minhas partidas e streams", conta.

DIFERENÇAS SUTIS

Apesar do português e do espanhol serem idiomas extremamente similares, não foi tão fácil para JonY BoY e os demais membros da Isurus se adaptarem a sua adição, visto que a equipe já havia adotado o português como linguagem principal desde a adição de Caike "caike" Costa, ainda em junho.

"O mais difícil de se adaptar foi falar português, a língua que usamos dentro do jogo por causa do caike, que é brasileiro. Já joguei no Brasil, mas foi há tanto tempo que já esqueci a maior parte das coisas. Nem quero começar a falar sobre os callouts, é uma bagunça!", brincou o hermano.

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Isurus adotou o português para comunicar-se desde a chegada de caike | Foto: HLTV.org

"Já joguei usando o espanhol argentino, o espanhol da Espanha, o inglês norte-americano, o inglês britânico e agora o português brasileiro... É difícil por causa da linguagem, mais do que tudo. Também falo rapidamente, então se foi difícil para mim compreender o caike em português, aconteceu o mesmo com ele e meu espanhol", analisou.

A comunicação, no entanto, não foi a única dificuldade encontrada no retorno para a América do Sul. "É muito mais rápido aqui na América do Sul, os times jogam de forma muito acelerada. (...) Você tem que estar pronto para não ser pego desprevenido", ponderou.

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Adversária dos tubarões na rodada inaugural, FURIA é inspiração para muitas equipes sul-americanas | Foto: Beyond The Summit

"Muitos times tem a FURIA como referência, e percebem que esse estilo funcionou para eles, então, adotaram esse estilo de jogo. Você tem que se adaptar a um jogo mais rápido, espontâneo. Individualmente, me sinto bem", assinala.

CRESCIMENTO ANIMADOR

Vivendo e treinando no Brasil junto dos tiburones, JonY BoY vê com bons olhos a evolução do cenário em sua terra natal: "O cenário cresceu muito desde que saí daqui, em 2016. Há mais organizações envolvidas e por mais que não paguem um grande salário, pagam algo, o que aumenta a competitividade."

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A última experiência de Jonathan na América do Sul datava de 2016 | Foto: HLTV.org

Grande parte da evolução do cenário sul-americano passa pelas mãos do próprio público e de grandes figuras da comunidade, tais como o irreverente Alexandre "Gaules" Borba, conforme explica o experiente jogador argentino:

"No geral, a região se desenvolveu muito. A quantidade de espectadores tem crescido incrivelmente na América Latina. O Gaules move um número absurdo de pessoas e na Argentina temos 100 mil espectadores em um Coscu Army vs. 9z. Tivemos uma partida contra a 9z com mais de 50 mil assistindo um torneio local", elogia.

COMPATRIOTAS NO BANCO

JonY BoY também comentou a situação atual de dois dos principais jogadores de seu país: Ignacio "meyern" Meyer e Luca "Luken" Nadotti, hoje no banco de 9z e Sharks, respectivamente: "São tentadores para qualquer time", ressalta.

"Não sei o que está acontecendo com o meyern, porque ele não está jogando com a 9z, especialmente se considerarmos que não foi fácil o tirar do MIBR. Imagino que ele tenha uma oferta em sua mesa ou que está tendo sérios problemas pessoais. Creio que uma oferta que talvez envolva Luken", refletiu.

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JonY BoY lamentou o fato de meyern vir se ausentando das competições oficiais | Foto: Divulgação/MIBR

"Sei que eles se dão muito bem, que são grandes amigos e não ficaria surpreso em vê-los jogando juntos novamente. São os dois argentinos que mais atraíram olhares internacionalmente, quase vencendo a Astralis e jogando juntos na Sharks, bem como o meyern indo para o MIBR", lembrou.

O TIME A SER BATIDO

O experiente atleta não poupou elogios ao trabalho executado por sua atual organização nos últimos anos em solo sul-americano, ressaltando o compromisso da equipe: "A Isurus é o time mais consistente da Argentina nos últimos anos e é o único time do país a viver no Brasil", expôs.

"Se analisarmos como um todo, vendo de onde a Isurus vem, eu diria que somos os melhores na Argentina, mas se você olhar apenas os resultados recentes, a 9z também poderia ter esse status. Veremos como isso irá evoluir com o passar do tempo."

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Isurus é o único time da Argentina a viver em solo brasileiro | Foto: Divulgação/Isurus

"Temos trabalhado desde o dia em que me mudei para o Brasil. Se contarmos os dias de folga que tivemos nestes dois meses, talvez não cheguem a seis ou sete dias. (...) É o sentimento de um bootcamp contínuo", contou.

"Acordamos de manhã, trabalhamos individualmente e depois começamos nosso treino. Nossa rotina é semelhante a dos times europeus, mas com um toque latino-americano porque começamos a jogar apenas à tarde. Almoçamos ao meio-dia e então jogamos das 13h até às 21h ou 22h", explicou.

O VELHO CONTINENTE

Jogando diretamente da gaming house da Team Heretics, organização espanhola que é lar de um elenco francês, a Isurus ainda permanecerá por alguns dias em solo europeu: "Os melhores treinos são na Europa, não só onde os melhores jogam, mas onde também há uma variedade de times para jogar", enalteceu.

"Se você não consegue jogar com os melhores, você ainda pode jogar com o segundo escalão, que é quase tão bom quanto. É ótimo poder treinar a qualquer dia e a qualquer hora. Sempre há um time disponível", respaldou.

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Foto: Divulgação/Isurus

LUTANDO CONTRA UM DIA DE FURIA

Em sua estreia na competição, os tiburones certamente não terão vida fácil, visto que terão pela frente os brasileiros da FURIA, segunda equipe melhor ranqueada do torneio: "Será incrivelmente difícil para nós, independentemente de quem enfrentemos em um torneio deste calibre", afirmou JonY BoY.

"A FURIA tem um estilo o qual você pode realmente jogar bem ou ela pode te machucar. Você pode punir o arT por suas jogadas agressivas ou ele pode certamente te amassar. Ele pode pôr a baixo uma defesa inteira sozinho. A FURIA tem grandes jogadores como KSCERATO e yuurih, mas arT pode acabar com a estrutura de um time", garantiu.

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Enfrentar a FURIA de arT não será das tarefas mais fáceis para a Isurus de JonY BoY | Foto: HLTV.org

Por fim, JonY BoY lamentou o formato da BLAST Premier Fall Showdown 2020, disputada em formato de eliminação simples: "Podemos ir muito mal, mas não teremos outra chance caso não nos saiamos bem na primeira partida."

"Eliminação simples é desapontador, mas entendemos e somos gratos pela possibilidade de disputarmos este campeonato. Daremos nosso melhor para termos a chance de jogar contra mais de um time", finalizou o experiente JonY.

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