Há mais de cinco anos o Counter-Strike brasileiro ainda vivia de histórias, contos e passagens de já algum tempo dá, ainda, versão antiga do jogo que é um dos mais amados pela nação.
Era final do ano de 2014 quando a MLG anunciara sua parceria com os X-Games de Aspen, levando pela primeira vez o CS:GO para a terra das montanhas rochosas e geladas do Colorado. Seria um espaço único, ao lado dos grandes esportes de inverno, para um cenário crescente aparecer.
Com a empresa trabalhando no Brasil, um espaço se abriu para um representante daqui. Seria um dos primeiros eventos com vaga direta, algo que havia acontecido por último em outubro daquele ano, com a KaBuM! e-Sports tendo uma campanha sem muito brilho na ESWC.
Em meio a uma cena local que se profissionalizava com pouco investimento, muita expectativa se fazia presente, ainda mais após as saídas conturbadas de Lincoln “
fnx” Lau, Henrique “
hen1” Teles e Lucas “
lucas1” Teles. Muitos olhares miravam em Gabriel “
FalleN” Toledo, julgando-o como utópico por querer uma junção entre ele e Fernando “
fer” Alvarenga, remanescentes daquela Kabum da
ESWC, e o trio que vinha da
ProGaming.TD: Ricardo “
boltz” Prass, Caio “
zqk” Fonseca e Lucas “
steel” Lopes.
Junção dos dois melhores times do Brasil era visando alçar novos objetivos | Foto: HLTV
De fato, juntar os dois maiores times foi uma ideia das mais radicais que o país já havia visto, ainda mais deixando de lado o multicampeão fnx. KaBuM! e ProGaming protagonizaram até aquele momento a maior rivalidade do cenário, algo que veio a se repetir apenas com KaBuM! e Dexterity alguns meses depois. Mas ninguém em sã consciência imaginaria que pouco tempo depois já traria resultados.
Foi naquela MLG Aspen que tudo mudou para o Counter-Strike brasileiro. Eram dois grupos de quatro em formato GSL. A Kabum.TD teve uma certa sorte, escapou da fnatic que era a grande máquina da época, ficou longe da LDLC atual campeã de Major e que naquele 2015 ainda levaria outro na DreamHack Cluj-Napoca, mas teria a NiP de seu lado, além de uma Cloud9 reformulada.
Poucos dias antes do fim de 2014, a C9 havia anunciado a entrada de Shahzeb "
ShahZaM" Khan. Um jovem AWPer muito habilidoso, que vinha obtendo muito sucesso na ESEA S17. O, até então, inquestionável Spencer "
Hiko" Martin havia sido deixado de lado.
No dia 23 de janeiro de 2015 a Kabum teria sua estreia em Aspen, contra a Cloud9 na Mirage. É bem verdade que pouco se tinha para estudar os brasileiros naquele tempo, talvez o que tenha sido o grande erro dos norte-americanos naquele início de noite gélido nas montanhas do Colorado.
Haviam muitos problemas para os brasileiros tomarem conta naquela noite. Um AWPer que poucas brechas dava ao erro. Uma Mirage bastante condensada por parte dos liderados por Sean “
seang@res” Gares, mas cada ponto pareceu ter sido perfeitamente estudado.
O jogo foi ganhando esperanças para o lado brasuca quando o forçado encaixou de terrorista, logo após o pistol ter sido para o lado da C9. Neste momento, nada segurou a vibração brasileira que compenetrada assistia o primeiro grande resultado do CS:GO brasileiro.
No 2020, coisas que talvez possamos chamar de simples e tradicional ainda era inovador no já longínquo 2015. A parede de smokes da Mirage ainda nascia e, naquela noite, ShahZaM seria anulado defendendo o janelão. Ao ser smokado da forma mais simples, mudava para o jungle, sendo doutrinado por zqk, que do palácio, cravaria round após round, se transformando no pesadelo norte-americano e constantemente dando a primeira eliminação para a Kabum.
Aquele primeiro half surpreenderia o cenário mundial de Counter-Strike, apresentando, ou melhor, reapresentando um cenário vitorioso. Aquele 11 a 4 mostrou muito, deu a vitória para a Kabum que fecharia em 16 a 4, mas também marcou um reinício, pois no final das contas todo conto tem de ter um início e o núcleo daquela equipe ainda iria muito longe.
Tudo começou naquela Mirage, e que poucas semanas depois começaria a ser chamada de melhor do mundo, mas este é assunto para uma outra vez.