Jogadores relatam realidade da guerra na Ucrânia e fuga do país: "Ouvimos explosões e fomos direto para a estação de trem"
Com o apoio de Jérôme Coupez, dois atletas da região conseguiram abrigo no centro de treinamentos da Kinguin
por Lucas Benvegnú/28 de março de 2022 - 18:30/Capa: HLTV.org
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A guerra que vai se sucedendo na Ucrânia não deixou o Counter-Strike ileso. Além das sanções impostas a clubes e jogadores russos pela postura de seu país, muitos atletas ucranianos acabaram tendo de vivenciar a triste realidade que o conflito armado trouxe consigo.

Dois deles, inclusive, concederam entrevista ao portal norte-americano Dexerto.com, no qual detalham suas saídas do país na tentativa de fugirem da guerra. O mais conhecido deles é possivelmente Aidyn "KrizzeN" Tūrlybekov, cazaque que residia na Ucrânia há cinco anos.

O atleta de 22 anos, aliás, se mudou para o país ainda em 2017, junto de sua AVANGAR, na tentativa de dar continuidade aos seus estudos e, claro, seu crescimento no cenário profissional de CS:GO. Ele, por sinal, teve de deixar sua casa às pressas:

"Depois que ouvimos as explosões, fomos direto para a estação de trem, mas já haviam muitas pessoas por lá. Então, tentamos esperar por um ônibus, mas ouvimos as sirenes e decidirmos ir para a vila onde a vó de minha namorada mora", contou.

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KrizzeN já representou equipes como AVANGAR e Winstrike durante sua carreira | Foto: HLTV.org

Já o ucraniano Yaroslav "isk" Issakov, que vinha defendendo a britânica Into The Breach nos últimos meses, se viu forçado a buscar o afastamento das competições, sendo temporariamente substituído por Owen "smooya" Butterfield na escalação titular do clube britânico.

Para ele, contudo, a fuga não foi tão árdua, dado o fato de que sua família possuía um veículo para rumar à Polônia em busca de abrigo. Mas, nem por isso, o relato do sniper deixa de ser triste: "Naquele momento eu já sabia que era o som de uma explosão. Fui checar meu telefone para ver o que outras pessoas diziam, e todas elas tinham ouvido o mesmo barulho", relembrou.

O destino de ambos os atletas, todavia, acabou sendo o mesmo. Graças à ajuda provida por Jérôme Coupez, CEO da Prodigy Agency, empresa que representa alguns dos principais atletas do mundo dos esports, a dupla não demorou a encontrar refúgio.

O francês, que tem sob sua tutela jogadores como Mathieu "ZywOo" Herbaut e Dan "apEX" Madesclaire, estrelas da divisão de Counter-Strike da Vitality, bem como Tyson "TenZ" Ngo e Adil "ScreaM" Benrlitom, grandes nomes do VALORANT, não hesitou em ajudar a dupla:

"É uma guerra, e eu estava na Polônia quando tudo começou, muito próximo da Ucrânia. Temos atletas e colaboradores por lá, pessoas que me preocupo como se fossem da família. Sei que não posso mudar a situação política, mas sempre tentei encontrar formas de ajudar", explicou.

"Foi por isso que criei uma agência de jogadores, para ajudar", ponderou. Assim, Coupez acabou sendo o intermediador para que o centro de treinamentos da Kinguin abrisse as portas para abrigar os atletas em fuga e até mesmo suas famílias, isso tudo sem qualquer custo.

E para KrizzeN, que sequer teve tempo de pegar seus periféricos antes de fugir da Ucrânia, o francês providenciou novos equipamentos com o apoio de grandes marcas como Logitech, Xtrfy, e Razer.

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