Início instável e volta por cima: a trajetória do Fluxo até o momento
Equipe passou por momentos de instabilidade, mas começou a empilhar títulos recentemente
por Ricardo Vaz de Melo/30 de setembro de 2022 - 17:00/Capa:
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Desde a entrada no cenário de Counter-Strike, o Fluxo vive o seu melhor momento. Dos últimos quatro campeonatos disputados, a equipe venceu todos e colocou mais quatro troféus na estante de umas das maiores organizações do país.

Entretanto, até chegar aos momentos de glória, o time passou por um período de instabilidade no início do projeto. O terceiro lugar na FiReLEAGUE Brasil 2022, na estreia do elenco pela organização, e a não classificação para o RMR das Américas, deixou um sabor amargo na boca dos jogadores.

Para repercutir todas as etapas da equipe, desde a montagem da escalação, até os títulos recentes, a DRAFT5 conversou com Adriano "WOOD7" Cerato, capitão e um dos jogadores mais experientes do elenco de Counter-Strike do Fluxo.

Como tudo começou

O Fluxo anunciou sua equipe de Counter-Strike no início de agosto. A entrada no cenário foi pautada pelo alto investimento da organização, que buscou jogadores renomados e muito habilidosos para compor a sua line-up.

Adriano diz que a estruturação da equipe foi feita por ele e por João "felps" Vasconcellos, a quem atribuiu um pensamento muito parecido sobre a forma de montar uma equipe.

"A montagem do elenco passou muito pela ideia que eu e o felps temos sobre como funciona uma equipe. Ele tinha um pensamento muito parecido com o meu, sobre como estruturar um time, peças que são importantes, jogadores que não estavam sendo bem aproveitados em outras equipes, revelações. Foi baseado nisso que a gente montou nosso projeto".

O capitão afirma que a primeira peça que ele e João buscaram foi um jovem talento. WOOD7 diz que outros jogadores foram testados, mas não tiveram dúvidas sobre a escolha. " O primeiro nome que a gente procurou era um jovem talento, a gente testou vários jogadores, mas logo de cara a gente encontrou o Lux como sendo essa peça fundamental".

Na sequência, Adriano revela que a equipe foi atrás de mais estrelas para compor o elenco. "Após isso, a gente precisava de mais estrelas para nos acompanhar, que fizesse nosso time ter um pouco de casca e um pouco de experiência, então fomos atrás do vsm, que talvez estivesse um pouco mal aproveitado nas últimas equipes".

Por fim, o capitão fala que o Fluxo foi atrás de um star player para fechar a escalação. "A gente precisava de um star player para acompanhar nosso time, um jogador que tivesse um impacto muito grande, e a gente buscou no Lucaozy isso", completa.

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Foto: Reprodução/Twitter/@fluxolux

Organização e torcida

Hoje, o Fluxo é uma das maiores organizações do Brasil, com um poder de investimento alto, uma estrutura de ponta e muitos torcedores. Adriano destaca a paixão da torcida pela organização e cita a importância de ter um apoio tão grande.

"Quando você fala do Fluxo, com certeza uma das primeiras coisas que remete é a torcida. Essa visibilidade, essa quantidade de pessoas apaixonadas que torcem pelo time e pela organização, com certeza é fundamental".

Entretanto, WOOD7 também é sincero ao dizer que o Fluxo não se resume somente a isso. O jogador revela que a organização oferece uma estrutura excelente e que os jogadores se sentem muito confortáveis para jogar.

"Eles dão toda a estrutura, eles dão todo o apoio financeiro que a gente precisa ter, tanto com planejamentos a curto, médio e longo prazo, seja pra gente estruturar bootcamps internacionais, nacionais, ou talvez a gente mudar de região, caso necessário".

Além de todo o apoio financeiro, Adriano também destaca o apoio emocional que a organização oferece e cita que os jogadores recebem um tratamento familiar, o que os deixam ainda mais confortáveis para exercer o seu trabalho.

"O Fluxo tem uma cultura de tratamento de família, seja na vitória, na derrota, eles estão sempre apoiando nós. As pessoas mais altas da organização estão sempre em contato com nós, sempre apoiando, e isso é fundamental pra gente estar performando e se sentindo acolhido".

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Saymon Sampaio e André Vieira/Fluxo

Início instável

O começo do elenco de Counter-Strike do Fluxo não foi dos melhores. Na FiReLEAGUE Brasil 2022, primeiro campeonato com a camisa da nova organização, os jogadores amargaram uma terceira colocação.

Nos três classificatórios abertos para o RMR das Américas, derrotas para 00Nation, O PLANO e ODDIK adiaram o sonho da organização e da equipe em disputar um Major. WOOD7 acredita que a não classificação pode ser vista de várias formas.

"No primeiro classificatório, a gente não teve dificuldade alguma nas MD1s, a gente foi dominante. Nas finais a gente enfrentou duas equipes extremamente qualificadas, que estavam mais preparadas que nós, e nos dois jogos a gente venceu o primeiro mapa e não conseguiu fechar a série", comentou.

"Viemos para o segundo classificatório, onde mais uma vez a gente foi dominante nas MD1s, sem nenhuma dificuldade. Na disputa pela vaga com o time do O PLANO, que era um time que estava no mesmo patamar que nós, infelizmente a gente jogou pior, o que é normal no CS", disse.

Por fim, o capitão comentou sobre o último classificatório e pontuou uma dificuldade que a equipe ainda não havia encontrado. "Viemos para o terceiro classificatório e encontramos uma dificuldade que a gente ainda não tinha encontrado antes, que era a questão da MD1. É normal, a gente viu em outros classificatórios times fortes perdendo, como a Astralis. MD1 é um jogo duro e perigoso".

Apesar disso, WOOD7 é sincero ao dizer que não dá pra imaginar se o resultado seria diferente caso os classificatórios acontecessem em outro momento. "Mesmo que os classificatórios fossem hoje, vendo o que a gente fez naqueles classificatórios, poderia ser que a gente se classificasse, poderia ser que a gente não se classificasse, é tudo muito difícil de dar uma certeza".

Mesmo assim, Adriano destaca que as derrotas naquele momento foram importantes para o crescimento da equipe atualmente. "Se tem uma coisa que eu aprendi na minha carreira é que a derrota serve sim para amadurecimento. Ela vai ser inevitável, você vai mais perder do que vencer. O importante é como você responde ao fracasso. Se teve uma coisa que a gente deu aula, foi como responder ao fracasso", pontuou.

Mudança de chave e títulos conquistados

Após um pequeno momento de turbulência, a chave virou para o Fluxo. A equipe começou a desempenhar melhor dentro do servidor e os resultados apareceram. O time conquistou o bicampeonato do CCT South America Series em um mês, ao derrotar paiN Gaming e Paquetá nas finais da competição.

Além disso, a equipe conseguiu se classificar para dois campeonatos internacionais. Após derrotar a 9z Team na grande final da FiReLEAGUE Latin Power Fall 2022, o Fluxo carimbou seu passaporte rumo à BLAST Premier: Fall Showdown 2022.

Antes disso, o time passou com facilidade pelo classificatório aberto da ESL Challenger Rotterdam 2022. No classificatório fechado, outra vitória sobre a Paquetá na grande final garantiu a participação do time no campeonato principal, que acontece em outubro, nos Países Baixos.

Para WOOD7, a chegada desse bom momento vivido pela equipe era inelutável. "Eu acredito que era inevitável esse time atingir um bom momento com o tempo. Devido a todos os perfis e pessoas que a gente tem aqui. Temos jogadores que tem muito anseio em conquistar títulos, em se provar, em dar a volta por cima."

Por fim, Adriano destacou a calma e a tranquilidade para conseguir chegar aos títulos. "Talvez o motivo principal tenha sido a nossa calma e a nossa resiliência, que a gente teve em cima de cada resultado que a gente tava tendo. A gente sabia que poderia crescer, poderia voltar mais forte. Essa resiliência e essa calma foram fundamentais pra gente atingir esse pico nosso mais alto, do que ficar flutuando e dando muita atenção a derrotas e a falhas".

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