A madrugada desta terça-feira (4) foi agitada nos bastidores do Counter-Strike brasileiro. A disputa pelos direitos de transmissão do StarLadder Budapest Major 2025 ganhou um novo capítulo após Gaules e André Akkari divergirem publicamente sobre o processo de compra e divisão das transmissões do torneio.
A criação da MADHOUSE TV, canal idealizado pela FURIA em parceria com o PODPAH, adicionou um novo competidor à disputa por transmissões no Brasil — território até então dominado por Gaules e pela Omelete.
O primeiro grande teste dessa divisão aconteceu durante a IEM Chengdu 2025, realizada entre 3 e 9 de novembro, na China. No evento, os dois grupos dividiram os direitos de transmissão, mas o clima esquentou após declarações de Nicolas "fks" Madureira, apresentador da MADHOUSE, que afirmou que Gaules teria se recusado a dividir o Major.
Gaules, até então, havia comentado brevemente sobre o assunto: "eles tentaram ir direto lá no Major e tentaram comprar. Eles não tentaram falar com a gente, tentaram falar com o Major e tomaram um não. Agora quem tem que liberar pra eles é o próprio Major, então já que o fks tá falando isso, ele que fale tudo."
Tudo isso desencadeou um grande debate da comunidade nas redes sociais, fazendo com que o streamer se pronunciasse logo no início do segundo dia de transmissões. Veja abaixo as principais falas:
"A galera da MADHOUSE lá é God. Eu sempre falei que a gente está disposto a dividir direitos de transmissão, a conversar, a trocar ideia, ver como a gente vai fazer e por aí vai. Não tenho medo de transmitir com outras pessoas transmitindo junto. Acho que é legal para todo mundo e faz parte."
"A gente não tinha os direitos do Major ainda. A StarLadder recebeu propostas de várias partes e quis avaliar o melhor projeto. Quando eles decidiram que iriam com a gente, a Madhouse passou a entrar em contato — mas aí já era algo entre eles e a organizadora", afirmou o streamer.
Ele também lamentou o clima criado pela disputa:
“Depois de oito anos transmitindo, esse é o pior anúncio de Major que a gente já fez. Não quero entrar em briga, nem torcer contra a FURIA.”
Pouco depois, o CEO da FURIA, André Akkari, se manifestou em vídeo no X (antigo Twitter) e contestou a versão do streamer:
"Infelizmente o que ele falou não é verdade, eu vou relatar pra vocês o que aconteceu. Quem lutou pra comprar os direitos, ou quem representou o grupo MADHOUSE na compra dos direitos, nas possíveis compras dos direitos, fui eu mesmo. Então, eu sei a verdade, ele sabe a verdade também, e muitas pessoas do grupo dele, né, Brexe, Pierre, a galera toda sabe a verdade, e não é essa daí que está sendo exposta."
“A StarLadder abriu um processo de leilão e todos deram seus lances — Gaules, Omelete, Madhouse. Eu entrei em contato com o Brexe no dia 25 de setembro, antes de qualquer resultado, e manifestei a intenção de dividir direitos. Então essa história de que só procuramos depois de perder é mentira.”
"No dia 1 de outubro ninguém sabia de direito nenhum ainda. E aí eu falei pra ele, inclusive ele me falou quanto que eles estavam dando de lance, eu falei pra ele quanto a gente estava dando de lance, e falei pra ele que se, independente do resultado, que a gente tinha a pré-disposição pra gente dividir o que fosse pra dividir, do jeito que vocês quisessem. Aí ele falou, porra, legal cara, vou pensar aqui com o meu grupo."
"Eu mandei uma mensagem pro Pierre, e aí eu falei, Pierre, eu acho que a gente perdeu o direito pra alguém, porque tinha outros grupos dando também, porque a gente foi a quem foi negado. E aí o Pierre falou assim, não, nós ganhamos, a gente ganhou o direito, eu falei, porr@, legal mano, tesão pra caralho, parabéns, vocês ganharam o direito, então se vocês quiserem dividir, tamo junto, tamo junto pra dividir. E aí fizemos um outro call, eu e ele, aonde ele falou que ele não estava com interesse em dividir naquele momento. Ele ia pensar nessa alguma maneira, que ele me ligava de volta e a gente falava sobre dividir os direitos. Eu falei, tudo bem, Pierre, porque é direito, o cara comprou os direitos dele, ele pode dividir, eu posso não dividir. E aí eu fiquei esperando ele e ele não entrou mais em contato comigo até agora."
Stephanie Lindgren/BLAST.tv e Danny Maxwell / Rational Intellectual Holdings Limited"Então a narrativa do Gaules de que a gente não tinha os direitos, que a gente deu o bid pra comprar os direitos, que a gente viu que a gente perdeu, e aí depois a gente foi lá pedir pra dividir os direitos, é mentira, não é verdade."
Logo em seguida, Gaules reagiu ao vídeo de Akkari dando novas opiniões sobre o debate.
"Em todos os momentos a ideia do Akkari, do PODPAH, da MADHOUSE, aparentemente é: você me dá o que você tem e eu não divido o que eu tenho. Sobre as mensagens para o Pierre, realmente ele mandou, o Pierre respondeu pra ele: então você faça uma proposta do que vocês podem oferecer que a gente chega num acordo e ele não mandou proposta nenhum até o dia 2 quando ele soube que perdeu os direitos do Major."
"Eu gostaria de receber esse print com proposta deles formalizada de como a gente também dividira as coisas que eles tem. É aquele negócio né, o do outro também é seu e o que é seu é só seu, mas vida que segue rapaziada."
O debate segue movimentando a comunidade e reacende a discussão sobre o futuro das transmissões de Counter-Strike no Brasil — especialmente com a chegada de novos players no cenário. A DRAFT5 segue acompanhando o caso.