Após quatro anos junto de Gabriel "FalleN" Toledo e Fernando "fer" Alvarenga, Marcelo "coldzera" David está com novos planos e, recentemente, deixou a MIBR.
Em entrevista à ESPN eSports Brasil, o atleta falou sobre sua saída da organização, no quanto isso impacta no restante da equipe e em si mesmo, além de revelar uma mágoa com seus ex-companheiros pelas indiretas que acabou recebendo. Ele fez um breve resumo de tudo que viveu junto da equipe durante esses quatro anos.
"Com o passar do tempo, a gente teve anos incríveis. Tivemos um 2015 muito difícil, que foi o nosso começo. Em 2016 a gente teve um alto muito rápido, quando trouxemos o Epitácio "TACO" de Melo e o Lincoln "fnx" Lau para o time. Em 2017, tivemos um começo muito baixo, mas conseguimos dar a volta por cima e terminamos com um ano muito bom. Já em 2018, nos precipitamos um pouco em querer trocar a line quando a gente estava com o TACO e com o João "felps" Vasconcellos e trazer uma line internacional que, querendo ou não, era um grande desafio, pois nunca havíamos feito isso", disse.
Ao ser perguntado sobre os desafios de jogar com a line internacional em 2018, coldzera disse que a mudança do idioma na comunicação não foi a maior dificuldade encontrada pela equipe:
"A língua foi a primeira dificuldade, mas esse não foi o maior problema. Acho que o maior problema foi o estilo diferente de jogo que os americanos tem e nós temos um estilo totalmente diferente de jogo", apontou o ex-melhor do mundo. "Tentamos mesclar os estilos, mas não deu muito certo porque eles pensam muito diferente do que a gente pensa dentro do jogo. E ainda acho que o nosso jogo estava um pouco ultrapassado, tanto que o jeito que eles apresentaram é o jeito que a Liquid está jogando hoje. É um jogo mais rápido, mais explosivo, enquanto nós temos um jogo mais lento e não acho que foi sendo bom ao longo desse tempo", completou.
Cold também comentou o início de ano conturbado com a volta de TACO e Felps: "Na verdade, no começo, o time não queria o felps, mas sim o Kaike "KSCERATO" Cerato. Queriamos um jogador novo, um sangue novo, para ver se trazíamos de volta a vontade, mas não conseguimos, já que a organização não conseguiu pagar o buyout. Ao longo do tempo em 2019, abusamos muito do nosso estilo de jogo dos anos passados e a galera já sabe jogar muito bem contra a gente. Faltou um pouco dessa adaptação, de trazer um novo estilo de jogo, jogar um pouco mais rápido, ser mais explosivo, trocar as funções e não soubemos usar isso a nosso favor. Isso dificultou nosso ano de 2019", afirmou.
Perguntado a respeito da falta de conquistas, o jogador foi enfático: "Eu não ligo muito de perder. É o que eu sempre falo: "Perder dando o seu melhor é muito melhor do que perder dando só 30%". Então, acho que faltou um pouco da gente, dos cinco jogadores, me incluo também nisso, de jogar um pouco melhor, querer buscar um pouco mais, querer aprender coisas novas, querer mostrar que estamos lá e querer voltar a ser o melhor time do mundo. Faltou um pouco de vontade."
FalleN havia comentado que sua saída da equipe era um "mau necessário". Cold concorda com a afirmação do capitão, além de ressaltar que isso os ajudará a crescer novamente.
"Eu acho que, comigo saindo do time, acorda um pouco eles, estávamos na zona de conforto. Com o passar do tempo que jogamos, ganhamos e conquistamos tudo só tivemos altos, nunca tivemos baixos. A minha saída do time não foi sem pensar, eu já estava planejando desde 2018. Eu conversei com eles e disse que precisávamos melhorar e eu decidi, em 2019, ter um caminho diferente, um rumo diferente. Acho que isso vai ser bom para os dois lados. Vai ser bom para eles acordarem porque, querendo ou não, quando uma pessoa sai ela deixa um buraco e esse vazio só é completado com os cinco tentando novamente se provar. O buraco que eu deixei vai ser bom para eles acordarem, assim como vai ser bom para mim também que já não estava tão contente com o jeito que estávamos lidando com a situação e eu quero um caminho diferente também", revelou coldzera.
Apesar disso, ele disse que ficou chateado e disse que o restante da equipe pegou pesado em começar a mandar indiretas após sua decisão.
"Mágoa eu acho que não. Eles ficaram bastante chateados com a minha saída. Foram quatro anos e uma saída assim não é fácil, mas é uma decisão minha assim como o TACO e o felps tiveram. Todos saíram e ninguém foi julgado, ninguém meteu o pau em ninguém, ninguém ficou dando indiretinha. E depois que eu saí eles começaram a pegar muito pesado em termos de felicidade e "A gente está melhor sem ele". Eu acho que está sendo muito baixo isso e também me deixou bastante magoado ver isso. Porque, querendo ou não, eu saí do time e não fiz nenhuma postagem magoando ninguém, fiquei na minha, como se nada tivesse acontecido e eles começaram a jogar os fãs contra mim. Fiquei bem chateado com isso. É o que eu falei, os outros jogadores que saíram não foram massacrados e agora parecem que estão tentando fazer eu me sentir muito mal pelo o que escolhi fazer, sendo que já é uma decisão antiga e eles já sabiam disso", revelou Marcelo.
Cold, ainda, revelou que não falou com o restante da equipe após os ocorridos: "Não, não cheguei a falar com eles sobre isso. Mas eles sabem que estou bem chateado, porque eles "bateram" um pouco em mim e depois vieram amaciar um pouco. Então eles vieram conversar comigo e eu não respondi ninguém, porque eles me chatearam muito com isso e eu não sou uma pessoa que vou ser político, não sou duas caras. Eles me conhecem muito bem. Por isso, estou evitando ao máximo conversar com cada um deles e estou fingindo que nada aconteceu e não são só quatro anos de amizade, mas quatro anos de respeito e eu acho que eles perderam um pouco do respeito comigo e eu nunca perdi o respeito com eles. Isso machucou bastante e jamais irei "bater", não faço isso nem mandando indireta. Se um dia eles ganharem de mim vai ser normal, vão cair "matando" em cima. Mas se um dia eu ganhar deles, minha resposta será o silêncio, porque não sou assim."
Sobre rever seu passado, o jogador afirmou que em sua análise deveriam ter mantido a line-up internacional, que ganharia mais corpo com o passar do tempo: "Eu manteria o time internacional de 2018. Tivemos um período muito curto de adaptação e no fim do ano estávamos nos adaptando muito bem". Porém, indicou que não estavam totalmente confortáveis quanto a linguagem: "É muito ruim comunicar em inglês, não é a mesma coisa, não estávamos tendo um sentimento bom", disse. "Não é muito cultural para a gente, o dia a dia fica diferente. Mas eu manteria esse time estava bom, os jogadores são bons, são jogadores que trazem coisas novas, que sempre estão querendo se aprimorar. Tivemos um curto período de tempo e, se tivéssemos dado um pouco mais de tempo, acho que o time iria alavancar. Querendo ou não, chegamos em três ou quatro finais e esprememos a Astralis até o limite, tivemos a chance de ganhar dois ou três campeonatos deles e perdemos por erro nosso. Então, eu manteria esse time de 2018", completou.
O próximo compromisso da MIBR será o StarLadder Berlin Major 2019, onde eles jogarão com Wilton "zews" Prado na vaga de coldzera. A competição se inicia no dia 23 de agosto e se estende até o dia 8 de setembro. A DRAFT5 fará cobertura completa do torneio.
Fora da MIBR, coldzera comenta declarações de ex-companheiros: "Depois que eu saí eles começaram a pegar muito pesado"
Atleta comentou momento pós saída e como entendeu a separação da equipe
/12 de agosto de 2019 - 17:25/Capa: HLTV.org