Em entrevista concedida à DRAFT5 logo após a derrota diante da BIG que colocou a Gaimin Gladiators à beira da eliminação no IEM Cologne Major 2026, ainda na noite desta terça-feira (2), Fernando "fer" Alvarenga avaliou o péssimo começo da equipe brasileira no principal palco da modalidade:
"No primeiro jogo, na Dust2, ganhamos o pistol, o primeiro round e já perdemos logo em seguida um 1v3 que não era para termos perdido. Isso vai abalando um pouco da confiança", recobrou. "Obviamente dentro do jogo economicamente é muito ruim. E aí a gente não conseguiu criar nenhum outro momento dentro do jogo. Tanto no primeiro mapa, tanto no segundo", reconheceu.
"Quando ganhamos o primeiro round, que estava acho que 5-0, foi 5-1. Tivemos uma situação que ficou um 3v2 para nós. Sobrou um 1v1, o JOTA contra alguém. O AWPer foi feliz no tiro dele e acabou ganhando o clutch dele. E aí já voltou para um 6-1. Não conseguimos criar nenhum round em sequência para poder criar uma economia, criar uma sinergia no time ali, um momento dentro do jogo", lamentou.
"Estou infeliz porque eu acho que nem é pelo resultado. Eu acho que o resultado não importa muito. Se você ganhar de 13-11 ou então perder, não muda muita coisa para mim, mas eu acho que a estrutura tem que estar boa. Sabe, jogando dentro dos mapas. Acho que a Dust2 nós jogamos bem estruturalmente, então eu não estou me importando muito com a Dust2, mas agora, essa Nuke eu ainda não assisti, obviamente, mas eu senti que dentro do jogo ali, sem assistir muita coisa agora depois do jogo, que estruturalmente não fomos tão bem", disse.
"Tomamos shut down em todos os steps um dos domínios fora. Não conseguimos dominar fora. Quando dominávamos, fora estávamos perdendo alguma ponta ou outra, então a gente não conseguiu criar nenhuma sinergia dentro do jogo", completou.
fer, apesar de todos os pesares, sabe de que a Gaimin Gladiators pode muito mais do que apresentou no primeiro dia de competição, tendo em vista que viu algo diferente nos treinos:
"Isso não é o reflexo do que a gente treinou e é por isso que eu não estou feliz. Acredito que os moleques também não estão felizes, mas o erro foi coletivo. Não é erro de um ou de outro. Não estou apontando o erro de ninguém, porque eu acho que, quando você toma um 13-1, é erro de todo mundo. Temos que chegar no hotel e rever os mapas, entender o que estamos errando", pregou.
"Nos treinos estávamos tendo muito sucesso na Nuke, tanto é que a BIG, que é um time muito bom de Nuke, não estávamos com medo de jogá-la contra eles. Dentro do jogo, realmente, faltou muita coisa. Agora é assistir para ver o que é", acrescentou.
Gaimin Gladiators treinou algo melhor do que apresentou no primeiro dia do Major, diz fer | Foto: Adela Sznajder/ESLQuestionado acerca de voltar a disputar um Major em Cologne após uma década, a Dona Morte demonstrou ter um enorme carinho pela cidade que um dia chamou de lar:
"Pra mim é muito legal, até porque eu morei praticamente um ano aqui. Na época estávamos no SK, que é baseado aqui em Colônia, tem o office deles, enfim, tenho troféus aqui inclusive, obviamente é especial voltar aqui e jogar um Major depois de dez anos. É maneiro porque eu já tinha aposentado, não tinha expectativa nenhuma de jogar outro Major. Estava só em casa torcendo pelos times brasileiros, pelos meus amigos que jogam ainda", contou.
"Quando eu cheguei aqui em Cologne, estava vendo a igreja da catedral e tudo. Passamos vários momentos legais aqui na época, dez anos atrás. Consegui relembrar um pouco desses momentos. Obviamente que não tudo, mas alguns momentos ali da resenha dos times, treinando, dando uma volta na cidade, indo comer no Vapiano, que a gente fazia muito quando estava na SK, então consegui relembrar bastante coisa e foi especial", afirmou.
O veterano de 34 anos que vai jogando seu primeiro grande campeonato no Counter-Strike 2, por sinal, reconhece que muita coisa mudou desde que ele deixou a Imperial no final de 2022 para curtir uma vida longe da pressão e das exigências do cenário competitivo:
"Eu acho que o meta mudou totalmente. Esse negócio de quebrar granada, na época não tinha isso. O negócio de dropar granada também, foi uma parada que adicionaram isso depois. Na nossa época, você tinha que saber fazer tudo. Ah, vai smoker fora: se o fulano não tem, você tem que saber fazer. Não tem como dropar para o amigo. Não tem como fazer nada disso. Esse negócio de quebrar granada muda muito o ritmo das coisas. Se o cara quebra, você já perdeu as smokes. Então você tem que saber o quanto você baita, quanto você não baita. O que você quer gastar de granada. Você pode perder as granadas só por causa das granadas dos caras", ponderou.
"Enfim, eu acho que o jogo está mais rápido. Está mais dinâmico. Mudou muita coisa também. A galera hoje em dia resolve na mira muitas coisas também. Os caras não tem medo de pickar. Tem o peeker's advantage quando o cara está pickando, andando, então a galera não fica mais tanto parado igual era no CSGO. Acredito que hoje os jogadores estão mais espertos também. A galera evoluiu, todo mundo muito junto. Hoje os caras estão muito acostumados com muitas plays. Na época do CS:GO não era muito assim", relembrou.
"Na época do CS:GO, você conseguia enfiar a mesma tática várias vezes. Por mais que os caras tinham jeitos de defenderem. Hoje a galera tem milhões de jeitos. A galera já sabe o que vem. Eu acho que os jogadores estão mais espertos, os jogadores estão melhores, então está mais difícil você surpreender hoje em dia do que antigamente", avaliou.
Já sabendo que teria pela frente ou TYLOO, ou HEROIC, fer não titubeou ao escolher um possível oponente para tentar escapar da bacia das almas: "Pra ser sincero, eu prefiro jogar contra a HEROIC. Obviamente, pra mim, a HEROIC é um time mais forte do que o TYLOO, mas eu acho que a HEROIC tem um estilo dos times que a gente treina contra. É muito difícil você pegar um time que joga igual a TYLOO joga", analisou.
"A TYLOO é um time que você deu qualquer brecha, os caras estão trocando 1x1. Os caras jogam num ritmo muito mais rápido. Eu falo isso desde a SK. Na época da SK, tínhamos acabado de ganhar um Major, se eu não me engano. Fomos jogar um DreamHack e perdemos para o TYLOO. Não sei se eram os mesmos jogadores, mas é uma escola diferente, a da Ásia", explicou.
"Os caras jogam um CS um pouco diferente. É uma parada que não estamos muito acostumados a jogar contra. Então eu prefiro jogar contra o HEROIC que é um time melhor, mas é um time mais estruturado. Você entende mais o que está acontecendo durante os rounds, e eu acho que o maior sucesso é quando você entende o que está acontecendo", finalizou.