electronic: "Você tem que tentar tudo que pode para salvar a line-up, e então, se as coisas não funcionarem, você pode considerar um ajuste"
Jogador falou sobre seu caminho até se juntar à Na'Vi
por Lucas Benvegnú/30 de março de 2020 - 14:05/Capa: HLTV.org
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Em longa entrevista ao site especializado HLTV.org, Denis "electronic" Sharipov, atual #6 do mundo, falou sobre diversos temas de sua carreira, dentre eles, seu desenvolvimento dentro e fora do jogo. O jogador russo comentou sobre sua trajetória até a Natus Vincere, passando por Empire e Flipsid3. Separamos os melhores trechos da conversa.

Logo de início, o atleta foi questionado a respeito das limitações de idade nos esportes eletrônicos e a idade na qual pretendia parar de jogar competitivamente, respondendo:

"Pra ser sincero, eu não pensei nisso ainda. Isso depende de como eu jogarei e da minha saúde, e também do que eu planejo pra acontecer em minha vida. No geral, eu acredito que você pode permanecer no alto escalão até mais ou menos os 35 anos, e o f0rest é um exemplo espetacular disso. Se as pessoas podem continuar sendo competitivas nos esportes tradicionais em alto nível até mesmo com 40 anos, por que isso seria um problema nos esports? É uma questão que depende apenas da motivação da pessoa", declarou.

A motivação é com certeza um dos fatores preponderantes para o sucesso de um jogador ou de uma equipe dentro de qualquer esporte, mas, para electronic, isso é algo que vem de dentro.

"Por que eu deveria ter uma maneira de buscar motivação? É algo interno, eu continuamente tento evoluir e melhorar. Claro, eu não jogo tanto quanto o s1mple, mas quando chegamos no assunto de treinar como um time, nunca houve uma situação em que eu não queria treinar ou em que estava me sentindo entediado. Se há uma escolha entre jogar dez, seis ou quatro partidas de FPL (FACEIT Pro League), eu obviamente escolheria a última. Quando você treina com seu time, você sabe que seus companheiros querem se desenvolver e se tornarem melhores, enquanto na FPL você simplesmente se cruza com alguns jogadores que simplesmente fazem você perder o seu tempo", explicou o russo.

electronic ainda comenta que não é o tempo investido no jogo que define o quanto você é bom, citando o sueco Freddy "KRIMZ" Johansson como exemplo: "Eu penso que é algo individual. O KRIMZ tem trinta horas de jogo em duas semanas e está quebrando recordes".

Tendo começado sua carreira em 2015, electronic teve como primeira equipe profissional a Team Empire, conhecida por seus feitos no Rainbow Six: Siege. A passagem por lá não durou mais do que seis meses, quando o russo optou por se transferir à Flipsid3 Tactics, considerada a segunda força da região CIS naquela ocasião.

"Eu sabia que se a Flipsid3 quisesse fazer alguma mudança em sua escalação, eu seria um dos primeiros da lista para entrar. Naquela época, eu joguei uma partida oficial contra eles e eu tive uma performance consideravelmente boa, e eu sabia que isso influenciaria. Um dos donos da HLTV, Tgwri1s, me mandou uma mensagem na Steam, falando que a FlipSid3 queria entrar em contato comigo.

Eu encaminhei eles para o manager da Empire, e as organizações se acertaram. A propósito, eu ainda tenho uma relação muito boa com a organização. A Empire me comprou um PC e, até que eu saiba, a FlipSid3 os compensou por isso, com algo em torno de $1.500", contou electronic sobre a transferência.

Mas, como nem tudo são flores, a passagem do russo pela FlipSid3 não foi das melhores, muito por conta do pífio desempenho coletivo da equipe, algo que se torna justificável a medida que se fala das entrelinhas.

"Os jogadores de lá não tinham confiança suficiente, eles tinham medo de jogar de forma agressiva, dar peeks e tomar a iniciativa. Eu não me lembro exatamente, mas acho que o máximo que conseguimos foi um top12. Aquele era o teto para o nosso time e para alguns dos jogadores - nós não conseguimos ir mais alto, e ninguém realmente queria isso. Haviam problemas com motivação, nem todos treinavam da forma que deveriam e não havia dedicação. Alguns jogadores só apareciam para o treino e não dedicavam qualquer tempo para prática individual no CS, e quando chegavam na última rodada de uma partida, saíam do TeamSpeak e iam jogar outros jogos", explicou o jogador.

Ainda assim, os dias de FlipSid3 não foram totalmente em vão. As boas performances do atleta chamaram a atenção da Natus Vincere, que quis contar com seus serviços para a temporada de 2018.

"Eu não me lembro exatamente como foi, mas eu foi contatado e perguntado se eu gostaria de me juntar à Na'Vi. Eu aceitei, e eles disseram que daquele ponto em diante as organizações estariam negociando e meu envolvimento não era mais necessário. Naquele tempo, a minha multa rescisória, era significativa, se comparada aos dias atuais, seria o equivalente a um jogador top30."

A passagem de electronic pela Na'Vi vem sendo feita de altos e baixos. Desde sua entrada na escalação russa, outras duas mudanças foram feitas, frutos das saídas de Ioann "Edward" Sukhariev e Danylo "Zeus" Teslenko.

"O time inteiro teve parte na saída do Edward. Já o Zeus, depois que perdemos o Major de Berlin, nos reuniu em um quarto e falou que ele gostaria de sair após a BLAST Pro Series de Moscow.

Antes disso, eu nunca tinha visto o tópico da saída de Zeus ter sido levantado, enquanto o Edward já sabia que ele poderia ser substituído porque nós já havíamos dito isso pra ele em diversas ocasiões. Eu não consigo entender porque a mídia retrata como se o Zeus não tivesse saído por vontade própria, enquanto o Edward foi removido da escalação pelos "mais jovens". Os jogadores da Na'Vi só consideram kikar alguém quando não há outra opção na mesa. Você tem que tentar tudo que pode para salvar a line-up, e então, se as coisas não funcionarem, você pode considerar um ajuste", clarificou.

Kirill "Boombl4" Mikhailov, hoje capitão da Natus Vincere, não foi a primeira opção do time para substituir Edward, como conta electronic:

"Tínhamos três jogadores em nossa lista: qikert, somedieyoung e Boombl4. qikert era o que tinha a maior prioridade, mas a transferência não deu certo. Começamos a discutir se escolheríamos Vitya (somedieyoung) ou Kirill (Boombl4). O nosso treinador, B1ad3, assistiu muitas demos de ambos os jogadores, e então, como um time, concordamos mutualmente que seria melhor trazermos o Boombl4."

O último campeonato disputado por Zeus antes de sua aposentadoria, a BLAST Pro Series: Moscow 2019, não teve um resultado muito satisfatório, com a Na'Vi amargando a última colocação, algo que pode ser explicado com a fala de electronic:

"Nós estávamos mal preparados para o torneio. Aparentemente, faltava vontade de nos prepraramos bem, e isso incluía a todos, Zeus, e até eu mesmo. Fora isso, nós estavámos jogando em casa e queríamos ganhar, mas devíamos ter pensado nisso antes", declarou.

Já a saída do capitão abriu espaço para o retorno de Ladislav "GuardiaN" Kovács, velho conhecido da equipe preta e amarela. No entanto, as coisas não funcionaram como o previsto.

"Nós planejamos como algo para longo-prazo, mas infelizmente, devido à problemas com o russo dele, as coisas não funcionaram. Quando você tenta se lembrar de como comunicar algo rapidamente, você perde o foco no jogo. Ele estava muito pensativo e não estava focado em sua mira, e isso o levava a errar tiros com muita frequência. Ele nos disse que nos compreendia perfeitamente e, que não havia qualquer problema, mas eu sentia algo diferente", apontou.

Sem sucesso com GuardiaN, a equipe optou por buscar um sangue novo para dar uma luz à line-up. Mesmo sem ser o primeiro da lista, Ilya "Perfecto" Zalutskiy foi contemplado com a chance, e vem mostrando serviço, ostentando boas estatísticas e resultados com junto à Natus Vincere, como o título da IEM Katowice 2020.

"Pra ser sincero, quando vencemos a FaZe na fase de grupos (em Katowice), eu cheguei pro s1mple e falei que nós definitivamente tínhamos chance de chegar à final", finalizou electronic.

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