Comentarista e analista no CS:GO, Chad "SPUNJ" Burchill participou da equipe de transmissão na IEM Rio 2023. A DRAFT5 conversou com o australiano sobre a atuação dos times brasileiros, mudanças na Imperial, situação da FURIA, estreia do Fluxo em Majors e mais.
No último campeonato grande antes do Major, o Brasil esteve presente com a Imperial, MIBR e FURIA. Contudo, apenas as panteras se classificaram para os playoffs. O comentarista falou sobre a atuação dos brasileiros.
"Foi um pouco duro pro MIBR e Imperial, mas acho que esperávamos isso vindo pro evento, é sempre difícil e eles não estão competindo um bom Counter-Strike tanto quanto a FURIA. Mas a FURIA parece muito boa, eu acho que é a melhor FURIA que vejo em um bom tempo, porque eles mudaram um pouco o estilo de jogo. Eles estão tendo mais impacto do saffee e drop agora, é ótimo, o time precisa disso, mas yuurih e KSCERATO continuam uns monstros."
O ano da Imperial não está ocorrendo conforme o planejado. A equipe fez mudanças no elenco e trouxe Jhonatan "JOTA" Wilian para a line-up e Rafael "zakk" Fernandes pra ser o novo treinador. Contudo, o time ficou de fora do BLAST.tv Paris Major 2023 e só disputou a IEM Rio 2023, porque foi convidada para substituir a Virtus.pro, já que não tinham conseguido a vaga por meio do classificatório. O australiano explicou um pouco sobre como enxerga a situação do time brasileiro:
"Eu acho que tem muitos jogadores bons no Brasil e uma base muito grande de jogadores. Eu acho que é sobre ter os jogadores certos nos times certos. Para a Imperial, quando eles se juntaram, do nosso mundo, olhamos pro Counter do Brasil e Imperial era pra vender camisas (marketing), mas aí eles competiram. E quando competem, ficamos: 'Isso parece bom'. Temos ação, eles fazem algumas melhoras, trazem o chelo, o JOTA e tudo bem, eles estavam indo pra um caminho pra se tornarem competitivos. Mas as coisas não estão funcionando e é difícil questionar, se é o jeito que estão jogando ou os jogadores que estão devendo. É difícil de saber o que está faltando pra Imperial sem eles falarem sobre isso."
"Se eles querem um ar novo, trocar jogadores faz sentido, mas quem eles trocariam? Porque eu acho que VINI e boltz têm um grande impacto no time, chelo e JOTA são os novos jogadores, então eu não sei, não tenho certeza. Eles acabaram de trazer o zakk como treinador e infelizmente não sei o que está por vir."
A FURIA foi outro time que teve um início de ano complicado. Com derrotas e eliminações precoces, as panteras foram alvos de vários comentários negativos. O head coach, Nicholas "guerri" Nogueira fez algumas publicações sobre a situação atual do time e que iriam fazer mudanças internas. SPUNJ acredita que as mudanças surgiram efeito, mas que além disso, o time precisa saber o que querem para o Major.
"O guerri fez alguns tuites não muito tempo atrás sobre o time e falava que iriam mudar algumas coisas, vocês podem ver que eles definitivamente mudaram algumas coisas. Eu acho que as mudanças que vi até agora, como o arT jogando rampa na Nuke, isso é uma mudança positiva porque significa que o arT precisa ficar parado, ele precisa ficar na posição. Ele é um bom jogador, eu amo assistir ele, mas às vezes ele faz essas jogadas que comprometem o resto do time. Não só essas mudanças como precisar do arT parado, mas também significa que outros jogadores vão ter mais chances de acharem um impacto tradicional (no jogo) e acho que vemos mais isso no saffee e drop."
"Acho que estão indo em uma boa direção mantendo a identidade, ainda vemos algumas jogadas da FURIA com agressividade que são boas, precisamos, mas, é interessante ver a barra de limite que a FURIA tem. E como seria, se eles sentirem que precisam de uma mudança, porque eu não sei. Eles precisam do top 4 no Major? Conseguir os playoffs? Eu não sei, mas essa FURIA está boa."
Um time brasileiro que estará pela primeira vez em um Major é o Fluxo. A equipe liderada por Adriano "WOOD7" Cerato garantiu a vaga e se classificou para a etapa das Desafiantes. Apesar de estar animado para assistir o time, SPUNJ acredita que será difícil pro time passar nas MD3s.
"Acho que vai ser um time divertido de assistir, vai ser uma daquelas equipes que vão gritar bastante, mas eu também acho que com o Fluxo vai ser bem difícil porque eles vão ter os mesmos problemas que o MIBR e a Imperial vão ter. Eles não tem tanta repetições contra times europeus com frequência. Eles têm bons jogadores como a história do v$m, mas as melhores de um (MD1) sempre ajudam os times azarões. O mesmo acontece com os (times) da Austrália, a Grayhound ou a TheMongolZ. Eles são um time que com certeza podem conseguir alguma surpresa nas MD1, mas é a mesma história, nas MD3 é muito difícil."
Após o Major de Paris, o público voltará os olhos para o lançamento do Counter-Strike 2, que chegará nos próximos meses. O comentarista acredita que o novo jogo tenha que entregar o mínimo que já existe no CS:GO pra continuar sendo um fenômeno.
"Acho que no momento atual com o Counter-Strike, especialmente com o CS:GO, estamos tendo mais e mais jogadores, você sempre ver ele expandir mais e mais. E o motivo disso é porque o Counter-Strike é o melhor jogo que existe, contando que o CS2 consiga ser tão bom em termos de gameplay e tudo isso como o CS:GO, é isso. É o mínimo que eles precisam alcançar. Em termos de novas ideias, todos têm suas próprias ideias, mas seja lá o que a Valve esteja fazendo agora, está funcionando. Eu tenho total fé e confiança em qualquer coisa que eles vão fazer."