"Creio que nós éramos nossos piores inimigos nas partidas online", diz nexa
G2 concedeu entrevista coletiva às vésperas da retomada da ação em Cologne
por Lucas Benvegnú/14 de julho de 2021 - 13:11/Capa: HLTV.org
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A volta aos campeonatos presenciais serviu para evidenciar o potencial de grandes equipes ofuscadas pela monótona era online que já vinha se arrastando por cerca de dezesseis meses no Counter-Strike. A mistura franco-balcânica da G2, não à toa, vivencia um desses casos.

Após algumas turbulências durante o período longe dos grandes palcos, a equipe parece finalmente ter encontrado a fórmula para competir no mais alto nível da modalidade, a qual parece ter sido a chave para o sucesso da equipe na IEM Cologne 2021, onde a G2 garantiu vaga direta nas semifinais após grande campanha na fase de grupos.

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G2 vai mostrando em Cologne que é uma das melhores do mundo | Foto: Stephanie Lieske/ESL

Foi na etapa inaugural, inclusive, que a equipe quebrou sua sina diante da Gambit, atual #1 do mundo, e o motivo para isso, parece ter sido bem simples aos olhos do capitão Nemanja "nexa" Isaković, conforme o mesmo explicou em entrevista coletiva chancelada pela ESL, organizadora do torneio: "LAN".

"Apenas de virmos para a LAN, somos um time diferente aqui. O humor, a energia que temos aqui, é bem diferente do que tínhamos online. Eles jogaram muito bem, não fizeram nada de diferente em relação ao que faziam online. Eu creio que nós éramos os nossos piores inimigos nas partidas que estávamos jogando online contra eles", disse o capitão.

"Aqui estamos mostrando que podemos brigar por títulos", ressaltou. "Não importa qual time vamos pegar nas semifinais, seremos os favoritos. Tudo estará em nossas mãos. Acredito que continuaremos consistentes e perigosos", garantiu Nikola "NiKo" Kovač.

A virada de chave para a formação parece realmente ter sido a saída da lenda Kenny "kennyS" Schrub em prol do retorno de Audric "JACKZ" Jug, alteração que deixou a equipe sem um sniper de ofício, imbróglio que foi se resolvendo pouco a pouco com a adaptação de François "AmaNEk" Delaunay à tal função.

"Creio que temos alguém que faz um grande trabalho nessa função. O AmaNEk é exatamente o que esse time precisa. Eu não diria que de forma alguma precisamos de um AWPer", sinalizou nexa. "É difícil ser um bom AWPer, especialmente em alto nível, mas a cada dia eu tento melhorar", reconhece AmaNEk.

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É na dificuldade que se faz um vencedor: AmaNEk tem despontado como AWPer da G2 | Foto: HLTV.org

"Às vezes é bastante difícil me adaptar à uma certa posição ou a um certo oponente, mas eu tenho tentado fazer o meu melhor", disse o francês. Damien "maLeK" Marcel, treinador da equipe, ainda reiterou a qualidade dos oponentes, mas garantiu: eles não são robôs.

"O lado CT da Gambit é basicamente o mesmo em todos os mapas. Tem um bom nível de agressividade, fazem bem as trades. Tem vezes na Mirage, por exemplo, que parece que eles estão em dez. O uso de utilitários deles é muito bom", explicou o coach. "Quando você entende que eles são apenas humanos como nós, que são apenas bem organizados, você só precisa quebrar algumas regras para batê-los. Se você respeitá-los muitos, deixá-los jogar, será difícil de sair com a vitória", apontou o veterano.

Outrora eleito o segundo melhor do mundo, NiKo não perdeu seu glamour mesmo diante das dificuldades da era online. Eleito o quarto melhor do planeta em 2020, o bósnio sabe que pode ir ainda mais longe graças à motivação de atuar presencialmente:

"Meu estilo de jogo casa bem com a LAN. Me sinto bem aqui, sinto o jogo. Não mudei muita coisa, apenas cheguei aqui e fiz o que já vinha fazendo. Fiquei feliz em ter algumas boas atuações. Não joguei muito bem contra a Gambit, mas estou confiante para o restante do campeonato", assegurou NiKo.

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NiKo é um dos grandes responsáveis pelo sucesso da G2 em Cologne | Foto: Stephanie Lieske/ESL

Questionado sobre quais as formações que o surpreenderam e também acerca das que ficaram devendo em solo alemão, o treinador maLeK não escondeu sua frustração com as tropas de Casper "cadiaN" Møller, soberanas durante boa parte da era online.

"A Renegades nos surpreendeu, eles tiveram alguns bons jogos. Já a Heroic decepcionou um pouco. Eles vinham tendo um ano convincente, eu espera vê-los dominando algumas partidas e indo longe. A FaZe e a Virtus.pro também me surpreenderam", revelou maLeK.

É bem verdade que JACKZ enfrentou absolutamente toda a adversidade da transição para um elenco internacional com muito bom humor e esforço. O francês admite que, mesmo quase dois anos após a mudança, seu inglês segue bastante limitado dentro e fora do jogo, mas nem por isso, ele desiste de melhorar dia após dia:

"Meu inglês ainda está longe de ser o melhor para o CS, mas eu tento melhorar. Eu tento ver programas de TV, ler livros em inglês. A G2 me deu umas aulas, parecia que eu estava de volta ao ensino médio", brincou o atleta. Ainda acerca deste tópico, maLeK explicou como funciona a comunicação entre os membros da equipe:

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JACKZ sofreu - e ainda sofre - para se adaptar à comunicação em inglês | Foto: Stephanie Lieske/ESL

"Toda vez que estamos vendo uma tática, trabalhando no jogo, falamos em inglês. Se as duas nacionalidades estão vivas dentro do servidor, falamos em inglês. Entretanto, se os primos aqui (huNter- e NiKo) estão vivos em um clutch, deixamos a coisa fluir de uma forma mais natural e eles falam a língua deles", clarificou o treinador.

Questionados sobre qual poderia ser a adversária ideal para o embate nas semifinais, os jogadores divergiram, mas nem por isso deixaram de mostrar confiança e bom humor: "Como treinador, eu estou menos surpreso com a Astralis. Eu sei como jogam, como agem, mas eles não deixam de ser os mais experientes. Já a Virtus.pro, pelo retrospecto recente, seria melhor para alguns. Para mim, seria mais fácil a Astralis", disse maLeK. "Vamos VP", retrucou JACKZ.

Já em relação à ausência da torcida, ao menos por enquanto, os jogadores admitiram que a sensação de jogar em LAN ainda mostra-se bastante limitada se comparada ao que era o mundo do Counter-Strike pré-pandemia.

"Não posso falar, nunca joguei na frente de uma grande torcida", disse nexa. "Você ainda não vê seus adversários, é tipo um bootcamp. Não é a mesma coisa que Katowice, em 2020, a pressão, a sensação é diferente. Apesar disso, é o que temos de melhor para hoje", admitiu nexa

"Jogar pela torcida desperta algo diferente dentro de você. Ver eles torcendo contra ou a favor, é um sentimento incrível. Espero poder voltar logo a sentir isso", disse NiKo. "É bom ganhar um torneio online, mas não dá para comparar com a sensação do presencial", completou o bósnio.

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A experiência que uma LAN sem torcida proporciona ainda é bastante limitada | Foto: Helena Kristiansson/ESL

Apesar de não ter vivido a experiência de jogar frente às maiores e mais apaixonadas torcidas do planeta, nexa sabe que o sentimento é bem diferente daquele proporcionado pela monótona e conturbada era de disputas online: "Eu não lembro das grandes finais da era online, exceto das que nós participamos", afirma.

"Tivemos tantos torneios, tantas equipes ganhando, Complexity, NAVI, Gambit, Vitality... Nunca houve uma dominância, uma consistência. A Gambit está chegando nesse nível agora", explica. Quando questionado se os russos teriam mantido sua invencibilidade diante da G2 em uma eventual disputa online, JACKZ não titubeou: "Com certeza", disse.

Por fim, nexa, esbanjando bom humor, relembrou a ida da G2 à grande final da IEM Katowice 2020, última grande LAN de Counter-Strike antes da pandemia, a qual sequer pôde contar com torcida devido às medidas impostas pelo governo polonês. "Não ficaria surpreso se a NAVI vencesse a Gambit e fosse à final", apontou.

"Somos um time muito diferente do que éramos em Katowice, em 2020. Espero que dessa vez talvez possamos vencer um mapa", finalizou o capitão. A G2 voltará à ação somente no próximo sábado (17), visto que aguarda a definição de sua adversária nas semifinais, a qual virá do embate entre Astralis e Virtus.pro.

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