Como os clubes brasileiros estão sobrevivendo ao COVID-19

A DRAFT5 fez um levantamento com as organizações presentes no cenário brasileiro a fim de saber como elas estão passado por esse período de pandemia

Foto: Arte por DRAFT5
Não só por uma grave crise sanitária mundial o novo coronavírus foi responsável. Para desacelerar a contaminação da doença, vários países adotaram medidas severas de isolamento social, como lockdown, que impactaram economicamente todo o globo. Nem o Counter-Strike passou imune ao COVID-19, com a modalidade tendo várias competições adiadas, sendo disputadas pela internet ao invés de presencialmente e até mesmo canceladas. Tendo em vista que nesse período de pandemia os investimentos caíram em vários setores da economia, a DRAFT5 resolveu fazer um levantamento junto aos clubes brasileiros presentes no FPS da Valve para saber como eles vêm sobrevivendo ao período e se também foram impactados financeiramente. A reportagem entrou em contato com 15 organizações. Destas, Bravos, Black Dragons, BOOM, paiN Gaming, Prodigy, Redemption, Santos e W7M Gaming aceitaram participar do levantamento, enquanto RED Canids e Sharks optaram por não. Já DETONA, Evidence, Imperial, INTZ e Soberano não responderam até a publicação desta matéria. Perguntamos aos clubes se eles sofreram algum impacto financeiro durante a pandemia, se precisaram realizar cortes salariais e se executaram algum plano a fim de obter novas receitas.
O impacto financeiro causado pelo COVID-19 nas organizações brasileiras | Foto: Arte por DRAFT5
A organização sofreu algum impacto financeiro durante a pandemia, como perda de patrocínio ou diminuição de receita? Se sim, pode explicar o que houve? Bravos: Ainda somos uma organização recém-criada, em fase de investimento dos sócios. Além disso, estávamos em captação de patrocínio, em conversas bem adiantadas com grandes marcas do mercado. Porém, com a pandemia, grande parte das verbas destinadas a esse tipo de ativação foram congeladas e ainda estamos aguardando um sinal positivo do mercado para retomar as negociações. Santos: Não sofremos nenhum impacto direto, mas certamente estamos enfrentando impactos indiretos em virtude da crise econômica. Prodigy: Falando exclusivamente com relação à modalidade de CS:GO, não houve impacto financeiro. Nosso patrocinador master, a ProGaming MegaStore, continuou cumprindo regularmente sua prestação definida em contrato. Além disso, o valor anual recebido pela equipe como receita de participação da Liga não foi alterado. paiNA paiN Gaming não sofreu impactos financeiros durante a pandemia e conseguiu se adaptar positivamente aos desafios impostos pela quarentena. Redemption: Acredito que o maior impacto que tivemos foi indireto, tendo em vista as conversas com patrocinadores que foram adiadas e não obtivemos novas fontes de receita que estavam projetadas. Outro grande impacto foi na construção da GH, que infelizmente teve de ser desativada poucos meses após sua conclusão. Devido aos riscos do corona e à falta de segurança, juntamente com desejo dos players de voltarem às suas casas, ela acabou se tornando um gasto sem justificativa. Tivemos bastante prejuízo nisto. FURIA: Não houve perda de patrocínios e nem diminuição da receita. Acredito que o fato de estarmos bem posicionados em modalidades de alto nível, destaque para o CS:GO, nos colocou numa posição privilegiada durante a pandemia. BOOM: Não exatamente. Visto que nosso HQ fica na Indonésia, que teve sucesso na prevenção do vírus por um longo tempo - muito mais que o Brasil - conseguimos fazer mudanças que preservaram nossa verba Black DragonsTivemos alguns problemas financeiros, como por exemplo o cancelamento do patrocínio recente com o site de apostas Casino Copa e com diminuição de valores de dois campeonatos que participamos. Porém conseguimos contornar liberando duas gaming houses, o que mesmo não sendo a intenção de diminuir custos, acabou ajudando diretamente. W7M: Sim. Tínhamos dois patrocínios para assinatura que foram adiados para o ano de 2021. Ambos com produtos que envolvem produção industrial/alimentício; Além disso, as ativações presenciais que estávamos planejando com os nossos torcedores foram todas adiadas - planos como Sócio Torcedor, Vida de Pro Player e outros; A receita a curto prazo não foi realizada, e isso impactou diretamente no planejamento do segundo semestre de 2020.
W7M foi uma das equipes que participaram do levantamento | Foto: Lucas Spricigo / DRAFT5
Durante esse período de pandemia uma das organizações que sofreram economicamente foi a Team Reapers. Em junho, o clube informou que estava congelando os investimentos no CS e, com isso, deixando o CBCS por um grande baque financeiro a ponto de precisar interromper as operações no FPS. A organização precisou realizar corte salarial durante a pandemia para que pudesse manter a equipe e não precisasse dispensá-la? Se sim, pode informar o % do corte? BravosNão. Buscamos sempre valorizar nossos jogadores e honrar nosso compromisso com eles independente da situação. Claro que a pandemia tem nos prejudicado muito financeiramente, mas estamos segurando as pontas para que nossos atletas estejam com a cabeça tranquila e focados no jogo. SantosNão houve corte salarial. Seguimos com as folhas integrais e todos os contratos tem sido honrados exatamente como foram redigidos antes do cenário de pandemia. Prodigy: Não houve necessidade de realizar cortes salariais para a equipe de atletas durante a pandemia. Vale dizer que a nossa organização não compactua com referida decisão e caso fosse necessário, essa seria a última medida que tomaríamos. Antes de realizar cortes salariais dos atletas, buscaríamos renegociar/postergar pagamentos com fornecedores, cortes de prestadores de serviços terceirizados, dentre outros. paiN: Conseguimos manter todos os funcionários na equipe, e eles passaram, assim como os jogadores, a trabalhar de forma remota. Redemption: Felizmente não. Tivemos uma pequena redução nas receitas mas buscamos sempre trabalhar com uma reserva de emergência e isso nos permitiu e permite continuar honrando com todas nossas obrigações em dia. Não fizemos corte de salário em nenhum jogador ou membro da equipe. FURIA: Felizmente não foi necessário realizar nenhum corte de salário durante a pandemia. BOOM: Obviamente a situação que estamos significou alguns cortes temporários, feitos em acordos com os jogadores/equipes. Nada foi perdido, mas o tempo - assim como no caso de todas as outras organizações profissionais - está contra nós.  Black Dragons: Não realizamos cortes, porém evitamos dar aumentos nesse momento tão delicado. W7M: Não realizamos redução em nenhum salário de colaboradores do grupo inteiro W7M Investments. Os contratos foram e estão sendo cumpridos na íntegra. Nosso maior asset são os nossos colaboradores, e, sempre que possível, não iremos realizar cortes.
BOOM revelou corte de salário temporário | Foto: Arte por DRAFT5
A organização conseguiu criar e executar algum plano "emergencial" a fim de obter novas receitas durante esse período? Se sim, pode nos contar qual? Bravos: Não houve de fato um "plano emergencial". Ainda estamos em fase de investimento dos sócios e não conseguimos finalizar as negociações com os patrocinadores por conta da pandemia. O compromisso firmado pelos sócios foi manter os salários dos jogadores e reduzir todas as demais despesas que não impactam diretamente nos jogadores para conseguirmos atravessar esse período crítico. Aproveitamos este tempo para intensificar os treinamentos e desenhar o plano estratégico pós pandemia. SantosNão houve plano emergencial. Seguimos nosso fluxo de trabalho normalmente, e como sempre, em busca de novos parceiros de negócios que possam agregar à organização e também ao cenário. E claro, sempre estamos focados em como desenvolver as marcas que já são estão conosco. Prodigy: Não houve necessidade, conforme mencionado acima. Também não obtivemos novas receitas, mas não sofremos um corte, o que, na atual situação, já encaramos como bastante positivo. paiNEm relação aos patrocínios, todos foram mantidos (Coca-Cola, BMW, Tinder, TIM Live, Piticas e WD Black) e em 26 de junho anunciamos o Banco BS2 como nosso mais novo parceiro. Redemption: Não criamos e nem executamos nenhum plano emergencial especialmente em função do corona. Estamos tomando decisões no dia a dia e avaliando conforme a situação avança. FURIA: De certa forma, ampliamos os investimentos em modalidades mais sustentáveis e fortalecemos a nossa estratégia de crescimento programada para o período. BOOM: Sim. Não podemos revelar todos mas envolvem novas oportunidades de patrocínio, parcerias e, obviamente, investimentos em novos cenários e conteúdos. Mesmo com a situação atual, ainda buscamos estar ativos e até conseguimos contratar uma equipe de VALORANT; portanto é justo dizer que a BOOM ainda permanece forte mesmo na situação atual, com o olho no futuro - como sempre esteve. Black Dragons: Não fizemos nada fora do comum, mas estamos conseguindo sobreviver bem, graças ao nosso cenário que consegue trabalhar online e aos nossos patrocinadores. W7M: Na verdade tivemos contenções de gastos em relação a novos investimentos que viriam (novas modalidades). Os nossos parceiros são todos de longo prazo de construção, mas a redução dos custos de Game Office e Moradia auxiliam no alívio das despesas. a curto prazo. Por mais que as nações sigam no combate ao vírus, com ações quase que semanalmente, a pandemia ainda não está próxima do fim. O futuro segue imprevísvel a ponto do Major do Rio de Janeiro ser novamente adiado. Até o mundo voltar ao normal, as organizações precisarão continuar se virando os 30 para manterem as equipes de pé.