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"Chega a ser desanimador", diz TACO sobre problema de treinos no Brasil

Jogador do MIBR analisou situação atual do país e criticou a forma como os jogadores brasileiros constroem sua imagem

"Chega a ser desanimador", diz TACO sobre problema de treinos no BrasilFoto por: Rafael Veiga/DRAFT5
Convidado do episódio inaugural do OVERTIME, Epitácio "TACO" de Melo conversou sobre os mais diversos assuntos envolvendo o MIBR e o cenário brasileiro de Counter-Strike, deixando claro seu descontentamento com a situação dos treinos em seu país natal.

UM VERDADEIRO EXEMPLO


Voltando ao longínquo ano de 2014, o atleta comentou o fato de que, naquele tempo, era necessário conciliar uma rotina que incluía um trabalho convencional com a tentativa de viver do Counter-Strike, algo que atrapalhava - e muito - a evolução do cenário.

"Em 2014, quando eu treinava no Brasil, na época eu jogava pela Dex, todos os jogadores, sem exceção, dividiam o hobby. Eu sou muito grato de ter vindo de uma geração de CS que jogava por amor. Porque queria jogar. Em 2014, a gente não tinha organizações apoiando o CS:GO, não existia dinheiro envolvido, não chegava nem aos pés do profissionalismo que a gente tem hoje", afirmou.


"Eu, por exemplo, estudava, ia para a universidade, terminava a minha aula e treinava à noite com meu time. O CS:GO naquela época não poderia ser a minha prioridade, mas era minha prioridade por amor. Era complicado em relação à quantidade e qualidade (dos treinos), mas a gente sempre fez todo o possível para evoluir"

"Creio que o resultado fala por si só. Todos os jogadores que passaram por aquela equipe da Dex, tiveram um certo sucesso no mundo. Temos o coldzera, o LUCAS1, o HEN1, o fnx, o SHOOWTiME. Todos os que passaram por aquela equipe triunfaram. Muito disso vem do que plantamos lá atrás", apontou.

Tal assunto foi levantado por diversos competidores que participaram da Gamers Club Masters V. Técnico da campeã BOOM, o experiente Alessandro "Apoka" Marcucci não escondeu sua frustração em relação aos treinos no cenário brasileiro, repercutindo o tema.

"Eu vi o Apoka, coach da BOOM, falando um pouco disso no Twitter. Um cara que está há muito tempo no cenário, um grande profissional, então, ele tem um certo peso quando fala. Ver ele falando isso é um pouco decepcionante. Lógico, eu não estou no Brasil há muito tempo, não tenho como organizar ou controlar isso, mas creio que cabe aos jogadores e aos times a se organizarem e fazerem algo quanto a isso", disse TACO.

Foto: Rafael Veiga/DRAFT5 Mesmo após o título, Apoka não pareceu contente em relação aos treinos em solo brasileiro | Foto: Rafael Veiga/DRAFT5


"Agora que o nosso cenário tem crescido tanto, iniciativas como a Gamers Club Masters e outros campeonatos que vêm acontecendo no Brasil deveriam forçar os jogadores a serem mais profissionais. Estou falando isso baseado no que li nas redes sociais, no Apoka, como eu falei, mas isso é obrigação dos jogadores. Fica até feio, é desanimador ler algumas coisas dessas no Twitter", admitiu.

TREINO É JOGO, JOGO É GUERRA


Tendo vivenciado diversas realidades de treinos ao longo de sua extensa e vitoriosa carreira, passando pelo Brasil, indo a América do Norte e chegando até a Europa, TACO foi categórico quando perguntado se uma eventual melhora no nível dos treinos traria mais competitividade ao cenário nacional.

"O jogo é o espelho do treino. Costumo falar que a maneira certa de enxergar isso aí é treinar como um jogo e jogar como uma guerra. Assim que deveria ser encarado. O treino é o local de evoluir, testar coisas novas, aprender com outros jogadores. Quando alguém faz uma jogada X e acaba matando você, ganhando o round, você deveria aprender com isso, para saber como agir no jogo".

O PÚBLICO BRASILEIRO


Apesar de MIBR e FURIA arrastarem multidões para espectarem seus épicos embates, o cenário brasileiro não reflete essa paixão do torcedor. Na Gamers Club Masters V, o confronto entre BOOM e paiN - um dos mais antecipados pelo público - chegou à marca de 60 mil espectadores, número que ainda se mantém longe dos embates envolvendo as equipes brasileiras que jogam no exterior.

"Quando falamos nesse assunto, temos que analisar também um pouco da construção da história. Como isso foi construído? Por que o pessoal tem mais interesse em assistir os jogos lá de fora? Por que MIBR contra EG teve 400 mil espectadores? Uma audiência absurda."


"Antes de falar sobre isso, queria tocar num ponto interessante. Nós como jogadores profissionais temos obrigação de contribuir para que tudo isso aconteça, seja crescendo nossas redes sociais, melhorando nossa interação com os fãs, agindo de forma profissional, dando exemplo para quem assiste", ponderou.

"Às vezes você tem um jeito mais tímido, você não gosta de interagir, mas talvez você compense sendo um profissional exemplar, fazendo outras coisas que também são legais para trazer e fidelizar o público. Nós jogadores também temos essa parcela de culpa. Os jogadores que atuam no cenário brasileiro têm a obrigação e deveriam entender isso, que para o sistema funcionar, todos têm que estar na mesma página."

PARADIGMAS


TACO ainda recordou a época onde os brasileiros precisaram de ajuda dos fãs para viajar e competir no exterior, argumentando que desde então, existe uma mística sobre os torneios e as equipes de fora do país:

"A história nos conta que uma equipe brasileira, FalleN, fer, zqk, boltz, steel, ralando, fazendo stream para conseguir juntar uma grana, para viajar lá para fora, pois era lá que estavam os melhores times. Lá já era criada essa mística. (...) Ir lá para fora, jogar contra os melhores times, de fato, é lá que eles estão. Logicamente, a galera acaba criando mais interesse nisso", lembrou.

Foto: HLTV.org KaBuM.TD durante a disputa da ESWC 2014, em Paris, na França | Foto: HLTV.org


"Os nossos times, SK, LG, Keyd, sempre tivemos um único representante. Depois vieram Immortals e várias outras equipes que ajudaram nisso. Porém, todas essas equipes têm um denominador em comum: estarem lá fora. (...) A história foi criada desse jeito. (...) Consigo entender esse lado do público. É uma junção de fatores", analisa.

"Ser profissional de CS hoje em dia é muito mais do que entrar no servidor e dar bala em todo mundo. Tenho plena noção disso. Hoje eu tenho a felicidade de ter o projeto da Yeah Gaming. É algo que tentamos passar, dar o exemplo, para que eles tenham sucesso no futuro. Para que sejam não só grandes jogadores no servidor, mas fora do servidor também", finalizou.
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