cAmyy comenta classificação para o mundial do GIRL GAMER: "fico muito feliz de ter essa oportunidade de novo"

Veterana no CS:GO, a jogadora falou os motivos de ter voltado a jogar após quase dois anos longe do competitivo

por Ariela Vasquez / 27 de Nov de 2022 - 16:41 / Capa: Reprodução/Black Dragons

A Black Dragons venceu o MIBR por 2 a 0 na final do GIRL GAMER Festival São Paulo 2022. Com a vitória e o título, a equipe irá representar o Brasil na final mundial do evento, que reúne várias modalidades além de CS:GO. Depois do triunfo, a DRAFT5 conversou com Camila "cAmyy" Natale sobre a conquista, primeiro campeonato internacional com a line-up e mais.

A final

A decisão foi jogada na Nuke e Overpass, a Inferno ficou para o desempate, mas não foi preciso já que a BD venceu por um 2 a 0. A equipe começou com derrota do lado inicial com um 10 a 5 para as adversárias, mas o jogo virou quando a Black Dragons foi para o lado defensivo.

O MIBR chegou a ter o ponto da vitória, mas não venceu e o jogo foi para a prorrogação. No OT, a BD cravou o 19 a 16. Sobre a virada do time na Nuke, cAmyy afirmou que não teve uma conversa, mas que o time estava muito confiante em relação ao mapa.

"A Nuke foi uma escolha nossa, a gente estava confiante do lado TR, mas apesar de não termos ganhado a primeira metade, os rounds foram pertos, muito perto de ganhar, 1x1, bem close. No CT, é o lado que a galera mais gosta, se sente mais confortável, eu acho que a gente conseguiu encaixar o nosso treino do lado CT, não estávamos dando chances pras meninas trabalharem ali, a gente conseguiu retomar esse mapa. Não teve uma conversa, acho que foi a confiança no mapa, sabíamos que esse mapa era forte e por detalhe, não estávamos conseguindo fechar do lado TR."

No segundo mapa da final, a BD teve um início quase perfeito. Do lado defensivo na Overpass, o time abriu um 12 a 3. O time ainda teve algumas dificuldades para atacar e o MIBR conseguiu diminuir a vantagem. Porém, a Black Dragons encontrou os rounds no TR para vencer. Segundo a jogadora, a confiança que o time teve na Nuke, foi fundamental para vencer na Overpass, mapa que não era tão treinado por elas.

"O que ajudou bastante foi sair dessa Nuke com a vitória de virada, acho que trouxe uma confiança maior, a gente já jogou esse mesmo mapa contra elas no online, no começo da classificatória desse campeonato e perdemos por 16 a 4. A gente sabia que iria ver esse mapa de novo, não foi um mapa tão trabalhado nosso, durante os treinos, mas eu acho que a confiança do outro mapa nos deixou mais soltas em conseguir fazer vários rounds, foi 12 a 3 a primeira metade, e o TR é um pouco mais complexo na Overpass, tem que ser mais trabalhado, e a gente começou a sentir um pouco de dificuldade. Íamos pra um lado, não dava certo, nem para o outro, nem lento, nem (jogando) mais rápido, mas uma eliminação sempre aparece e acaba que conseguimos trazer o round, que era para fecharmos e conseguir essa vaga."

O GIRL Gamer Festival foi realizado na e-Copa, um evento da Prefeitura de São Paulo e aconteceu no Estádio do Pacaembu, com ingressos gratuitos. Com dois times fortes, a BD já tinha vencido o jogo fora dos servidores, com uma grande vantagem na torcida, algo que impressionou a atleta.

"Vou ser sincera, não esperávamos uma torcida tanta para nós porque o MIBR tem um nome muito grande também, e até pensei que a torcida deles fosse maior (no evento), mas não, a galera ficou do nosso lado e ajudou a gente a conseguir a virada. Foi um campeonato aberto ao público, conseguimos chamar os pais, parentes, e isso ajuda bastante eles estarem juntos, ter essa torcida, a cada mapa dar um abraço e ter uma palavra de apoio."

No fim do primeiro mapa, as jogadoras saíram do palco e puderam aproveitar poucos minutos para abraçarem os parentes que estavam na primeira fileira da arquibancada. Com a família presente, cAmyy não escondeu a felicidade de ter todos reunidos para comemorarem juntos o título.

"Minha mãe não gostava muito que eu jogava, lá no começo da carreira, ela não vinha me assistir, mas meu pai sempre assistiu, sempre que tinha um campeonato presencial, que dava para vir, de graça e era em São Paulo, ele vinha assistir, me acompanhava em aeroporto, ele sempre esteve por perto assim. Foi muito bom ter eles aqui, veio prima, tia, veio minha mãe dessa vez, eles são separados (pais) e ter os dois aqui juntos é muito legal."

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Retorno ao competitivo e mundial

Veterana no CS:GO, o título do GIRL GAMER Festival São Paulo dá a vaga à Black Dragons para o mundial, que ainda anunciará o local e as datas. A vitória marca o retorno da atleta a um campeonato internacional, algo que não acontecia há anos, isso porque cAmyy chegou a parar de jogar em 2020 e voltou em maio desse ano.

"Sinceramente, eu achei que estava um pouco mais distante (o retorno a um campeonato internacional), que não chegaria tão rápido (a chance), a gente não tem nem um ano de time ainda. Mas parando pra pensar, eu fico muito feliz de ter essa oportunidade de novo, de mostrar o nosso jogo, tem meninas no nosso time que nunca tiveram essa experiência, somos um time que estuda bastante, é muito dedicado. Nas outras vezes que eu participei de campeonatos mundiais, as estruturas de épocas são diferentes. Lá a gente não (podia) se dedicava só ao jogo, tínhamos muitos problemas com coisa pessoal, salário era muito baixo então era muita preocupação e não dava para focar tanto no jogo. Hoje é diferente, a BD, FURIA, MIBR pagam salários, a estrutura é diferente, o que dá mais chances da gente se dedicar nesses campeonatos de agora."

cAmyy em entrevista à DRAFT5. Foto: Reprodução/DRAFT5cAmyy em entrevista à DRAFT5. Foto: Reprodução/DRAFT5

Com experiência de mais de 7 anos, a jogadora revelou alguns fatores que foram decisivos para fazê-la voltar a competir. Um deles foi a confiança nas jogadoras, que antigamente atuavam sob a tag "Quem São Elas".

"Quando elas me chamaram, elas confiaram muito na minha experiência e eu com certeza confiei na delas, a Ana e a Le^ também tem experiência e bagagens, temos duas outras jogadoras um pouco mais novas, mas acho que todo mundo se complementa. Eu trago um pouco mais da leitura rápida, de como trazer um round, e as meninas trazem muita coisa nova porque o meta do CS:GO vai mudando. As meninas são muito mais estudiosas, elas não tem vícios que eu tenho de jogo, eu aprendo com elas. A gente se dá muito bem, o clima do time foi uma coisa que me surpreendeu, eu joguei em várias equipes, mas nunca tive um time com um clima tão bom. Eu estou muito feliz de ter aceitado a proposta, melhor coisa foi ter voltado a jogar, ainda mais com essas meninas. Eu não voltaria (a jogar) se eu não confiasse nelas."

Outro ponto que fez cAmyy dar mais uma chance ao competitivo foi o pai, que encorajava ela a voltar a competir. Longe dos servidores por quase dois anos, a atleta revelou que ele insistia para ela voltar a jogar.

"Meu pai insistiu muito para eu voltar a jogar e eu falava que 'não, já tinha passado a hora', então é muito bom isso pra ele, acho que ele ficou muito feliz de eu ter escutado ele e ter voltado a jogar. Por muitas vezes eu discutia com ele falando: 'pai, não ganha tão bem assim, hoje eu moro sozinha, preciso sustentar a casa, você não tem segurança'. Isso não deixa de ser verdade, eu voltei a jogar a partir do momento que me estabilizei de outras formas, minhas parceiras, meus patrocínios, eu posso ter esse tempo para jogar também. A gente não tem tanta segurança (como jogadora), pode acabar o contrato, pode acontecer diversas coisas. Com o tempo de jogo que eu tenho, a gente percebe que tudo pode acontecer. Ele (pai) insistiu bastante e eu voltei, e está dando certo, estou gostando bastante."