Continuando a série Caminho ao Major, falaremos sobre uma equipe pouco conhecida que recentemente mudou de nome, a Winstrike, ex-Quantum Bellator Fire.
WINSTRIKE
Kirill "Boombl4" Mikhailov
Savely "jmqa" Bragin
Nikita "waterfaLLZ" Matveyev
Aurimas "Kvik" Kvaksis
Gregory "balblna" Oleinick
Jakub Dmitriy "Iksou" Mikhaylichenko (coach)
A CONSOLIDAÇÃO DE UM LONGO PROJETO
Quantum Bellator Fire formada em 2016 | Foto: HLTV
A equipe conhecida hoje como Winstrike é fruto de um longo projeto no qual poucas peças foram mudadas. A prerrogativa, que é rara no CS:GO, levou um time de basicamente desconhecidos aos holofotes de grandes competições de todo o mundo.
Começando sua trajetória em 2016, a equipe da Quantum Bellator Fire, ou QBF, contratou sua lineup original do time CIS, Space Jam. Essa equipe, que já contava com Gregory "balblna" Oleinick, era formada por jogadores totalmente desconhecidos do cenário mundial, mas ainda sim recebeu apoio da organização.
Com um time repleto de desconhecidos, a QBF passou a fazer mudanças pontuais na sua equipe, contratando jogadores mais conhecidos e testados em equipes que rondavam o nível semi-profissional da região CIS. As alterações começaram a surtir efeito, e o time que, durante o fim de 2016 e meados de 2017, ainda não havia conquistado nada, passou a ser reconhecido em pequenas competições.
Pode parecer pouco, mas passar de classificatórios abertos e ter a oportunidade de jogar contra equipes melhores era um grande avanço para o time que crescia de forma conjunta. A line conseguiria, ainda em 2017, a classificação para o evento europeu do WESG 2017, derrotando a Team Russia de Denis "electronic" Sharipov na final do classificatório russo. O time ficou pelo caminho na competição européia, mas jogando com o substituto Alexey "BAS" Kustov o resultado chamou atenção.
A grande coroação da equipe viria durante a vitória na classificatória para o CIS Minor Boston 2018, torneio esse vencido pelos cazaques da AVANGAR, no qual o time de russos conseguiu a segunda colocação, e, consequentemente, a vaga para o Boston Major 2018.
Chegando ao Major, a QBF era enxergada como um estranho no ninho. O time nunca havia estado em contato com equipes de tamanha tradição, portanto era esperado um desempenho comum às zebras: Vencer no máximo um mapa, exibir um jogador que chamasse atenção dos analistas, e se despedir com honra após uma derrota para um time muito superior. A QBF se negou a aceitar esse "script".
Diante do olhar pouco atento dos espectadores, a equipe liderada por Nikita "waterfaLLZ" Matveyev venceu suas partidas pelo New Challengers Stage contra Flash, EnVyUs, e por último, sua algoz no Minor, AVANGAR, perdendo apenas para Faze e Navi. Parecia impressionante o resultado obtido, mas todos trataram a classificação do time como um "caminho mais fácil criado ocasionalmente pelo sistema suiço", ou, em outras palavras, sorte.
A QBF entrou na fase seguinto do torneio, o New Legends Stage, e novamente foi tratada como um time que deveria perder e sair dali o mais rápido possível. O analista Vince Hill, pouco conhecido, mas associado ao famoso grupo de casters Room On Fire, prometeu comer uma bota se a equipe seguisse para os playoffs. Com duelos contra Virtus.pro, Gambit, Mousesports e G2, os russos perderam apenas para os franceses e se tornaram Legends com o 3-1. Vince até hoje não cumpriu a promessa.
O RECONHECIMENTO E O ESQUECIMENTO
Quantum Bellator Fire passa aos playoffs do Major | Foto: HLTV
A conquista do status de legend foi um dos maiores contos de fadas já vistos durante um Major. O time que saira da qualificatória aberta, o time que ninguém conhecia, o time que ninguém quis acreditar, este time havia tirado a vaga de equipes como Liquid e Astralis. Não importava a derrota para a Navi nas quartas de final, a equipe já havia feito história se garantindo nos dois Majors seguintes.
A realidade pós Major, entretanto, bateu como um caminhão. A equipe que não conseguia se classificar para eventos relevantes, e nem mesmo para os pequenos, parecia reconhecer que a trajetória no maior evento de CS:GO foi, sim, sorte.
Convidada para classificatórios fechados ou eventos em lan menores, a QBF não conseguia fazer valer o status conquistado poucos meses atrás. Nos poucos eventos presenciais, como o Copenhagen Games 2018 ou World Cyber Arena 2017 - World Finals o time não conseguiu impactar e conquistar títulos. A única conquista ficou por conta do minúsculo título no Saint-Petersburg IMPULSE , muito pouco para um time que pode contar já ter jogado nos playoffs do maior torneio de CS do mundo.
Mesmo com os resultados negativos a equipe foi contratada pelo projeto milionário da Winstrike. A recém criada organização russa é fruto de um investimento de aproximadamente $10 milhões, tendo estrutura como uma arena própria, além de oferecer agenciamento a jogadores. A empresa investiu ainda em times de Dota 2, Overwatch e Fortnite, todos estabelecidos em algum tipo de cenário relevante em suas respectivas modalidades.
Após a entrada na Winstrike, por volta de junho de 2018, a equipe ainda não encontrou o sucesso esperado. O time chegará ao Major tendo apenas conquistado a M.Game League #2 vencendo de equipes como Sprout, pro100 e forze.
A EQUIPE
Winstrike | Foto: HLTV
Formada por jogadores muito jovens e inexperientes, pouco pode ser destacado como excelente na atual equipe da Winstrike. Com resultados extremamente ruins, até jogadores que antes pareciam promissores, como Kirill "Boombl4" Mikhailov e Gregory "balblna" Oleinick, agora são questionados se deveriam fazer parte dessa equipe.
Como mencionado, Boombl4 é a grande estrela do time. O jovem de apenas 19 anos consegue seus principais resultados com o uso de pistolas e rifles. Com uma mira muito bem colocada, o russo consegue uma quantidade grande de eliminações durante rounds de pistola, seja com CZ ou Deagle.
A qualidade de Boomb4 se aplica também aos rifles e, vez ou outra, a awp. E possível observar que o rating do jogador é de 1.12 nos últimos três meses, mesmo com a equipe em grande declínio, o que evidencia sua qualidade individual.
A liderança do time é realizada por Nikita "waterfaLLZ" Matveyev, que acumula ao mesmo tempo a tarefa de ser o awp da equipe. O jogador é acompanhado de jovens riflers como balbina, que possui um rating de 1.02, e Aurimas "Kvik" Kvaksis, o único não russo da composição.
Para a tarefa de rifler suporte o time conta com Savely "jmqa" Bragin, jogador que possui as piores estatísticas da equipe, apenas 0.98 de rating e incríveis 0.63 mortes por round.
A equipe possui um nível de vitórias bem abaixo do ideal, tendo conquistado trinta e sete triunfos em setenta partidas. A estatística pareceria boa se não fosse uma avaliação mais aprofundada: De todos os setenta jogos, 63% foram jogados online contra times de baixíssimo nível.
Os russos estabeleceram desde sua formação a Train como o grande mapa de escolha. Ainda assim, em 17 jogos disputados no mapa o time venceu 9 e perdeu 8, uma realidade preocupante para o que deveria ser o ponto mais forte de seu map pool. Inferno e Mirage apresentam desempenho semelhante, tendo sido jogadas 31 vezes no total com taxa de vitórias de 58%.
Chama atenção o fato da equipe evitar jogar Overpass, já tendo banido em ocasiões como na partida contra a então SK Gaming pelo torneio Moche XL, mas ainda assim possuem seis jogos disputados nesse mapa com apenas uma vitória e cinco derrotas.
Diante de uma história de altos e baixos a Winstrike tentará reacender um fogo que pareceu queimar apenas durate o último Major. Talvez a equipe possa surpreender a todos e alcançar novamente a posição de legends. Essa, entretanto, é uma possibilidade muito remota.
Capa: Foto HLTV com Arte Draft5
Quantum Bellator Fire formada em 2016 | Foto: HLTV
Quantum Bellator Fire passa aos playoffs do Major | Foto: HLTV
Winstrike | Foto: HLTV