O episódio de hoje da série
Caminho ao Major, destinada a contar um pouco da trajetória e momento das equipes que jogarão o
FACEIT Major London 2018, trás os sempre favoritos dinamarqueses da
Astralis. ASTRALIS 
Nicolai
"dev1ce" Reedtz

Peter "
dupreeh" Rasmussen

Andreas
"Xyp9x" Højsleth

Lukas "
gla1ve" Rossander

Emil
"Magisk" Reif

Danny
"zonic" Sørensen
UMA ESCOLA DOMINANTE
mTw tinha ave e Zonic, hoje coaches de Astralis e North | Foto: hltv.org Embora fique atrás de países como Suécia e Brasil no que diz respeito a tradição de suas equipes dentro do Counter Strike, a Dinamarca sempre teve times muito fortes, além de sua própria "escola" de jogo. Embora cada equipe tenha sua maneira de jogar, não é difícil enxergar métodos muito focados na organização tática dos times para estabelecer a relação que todas as equipes dinamarquesas, ou liderados por eles, possuem. Ao olharmos para alguns grandes líderes da atualidade, observamos o estilo extremamente tática de grandes mentes dinamarquesas como Finn "
karrigan" Andersen, Mathias
"MSL" Lauridsen e o próprio líder da
Astralis, Lukas "
gla1ve" Rossander. As propostas de jogo de suas equipes não são as mesmas, com a
FaZe de karrigan utilizando muito de suas estrelas livremente pelo mapa, assim como a
North de MSL que adapta a agressividade de Markus "
Kjaerbye" Kjærbye, mas, ainda sim, lá está a forma estruturada de jogar. Esse estilo já estava presente em equipes prévias a atual Astralis, com o núcleo formado por Andreas
"Xyp9x" Højsleth, Peter "
dupreeh" Rasmussen e Nicolai
"dev1ce" Reedtz, desde sua primeira equipe relevante no CS:GO, a
Copenhagen Wolves. Estes três jogadores estiveram juntos no primeiro Major organizado pela Valve, o
DreamHack Winter 2013, e desde então foram
legends até o Major passado,
ELEAGUE Major Boston 2018, em que a equipe caiu ainda na fase de grupos.
A formação da Astralis contava com Cajunb e Karrigan | Foto: Divulgação Astralis O sucesso da
line sempre esteve presente, fosse como Copenhagen Wolves ou
Team SoloMid, mas ainda assim faltava aos jogadores uma casa que lhes desse sensação de pertencimento. Desta necessidade, a partir de uma demanda de jogadores associada à investidores de peso, surgiu em 2016 a Astralis. Como uma organização que em que os próprios jogadores possuem uma parcela da empresa, a equipe da Astralis foi pensando para existir em um modelo de negócios sustentável, em que a própria
lineup entenderia a realidade financeira do time, além de criar laços mais longevos entre duas partes quase sempre em oposição; jogadores e donos.
Astralis venceu Eleague Major 2017 | Foto: Divulgação Astralis A equipe abandonou a fama de
"choker", ou "
pipoqueiro" na gíria boleira, e passou a conquistar títulos após a adição de gla1ve no lugar de karrigan em meados de 2016. O time formado com o antigo membro Kjaerbye passou a ser o líder dos
rankings internacionais de equipes, culminando na conquista do título do
ELEAGUE Major Atlanta 2017. Só que durante o restante do ano de 2017 a equipe não conseguiu repetir seu bom desempenho, muito por conta de uma inspirada
SK Gaming, passando o restante da temporada com a conquista apenas do
IEM Katowice 2017. Os resultados regulares tiveram sua gota d'água na eliminação precoce durante o
ELEAGUE Major Boston 2018, o que culminaria na saída de Kjaerbye do time.
A ERA ASTRALIS
Astralis vence Eleague Premier e consolida sua "era" | Foto: HLTV A equipe da Astralis pareceu surpresa ao receber a notícia de que Kjaerbye estava de saída. Por todas as redes sociais, membros do time dinamarquês lamentavam a perda de seu companheiro, enquanto provavelmente se perguntavam quem poderia estar a altura de um jogador de tamanho talento. A resposta, entretanto, viria à galope. Diante de um cenário com alguns talentosos jogadores dinamarqueses, mas poucos tendo sido realmente testados para jogar em um time top 5 mundial, a Astralis teve grata surpresa ao consultar o jovem Emil
"Magisk" Reif sobre sua disponibilidade para se juntar à equipe. O desejo de provar que os ex-companheiros de North estavam errados ao retirá-lo da
line mostrou ser combustível para reacender a Astralis e criar uma nova etapa de conquistas. Mesmo que estivessem otimistas para voltar a levantar títulos e conquistar grandes vitórias, nenhum dos jogadores da Astralis imaginaria tamanho sucesso durante esta temporada. Com um time que optou não participar de todos os torneios por motivos diversos, entre eles praticar mais e dar descanso a um device que sofre de um problema crônico no estômago, a equipe disputou oito campeonatos, vencendo quatro e chegando as semis em outras três oportunidades. As vitórias, e principalmente a forma avassaladora de jogar, renderam ao time muitas perguntas de se estaríamos vivendo em uma
"Astralis era", fato que ficava claro diante da superioridade que o time imprimia sobre os adversários. Com conquistas nos últimos três meses em
ESL Pro League Season 7, ECS Season 5 e ELEAGUE Premier 2018, o retrospecto recente do time não poderia ser melhor.
A EQUIPE
Um time recheado de estrelas que se alternam Foto: ESL Algumas equipes dependem de um jogador para vencer torneios, outras possuem dois ou três que podem fazer a diferença, mas na Astralis a coisa toda é diferente. Seria errado não reconhecer que device é o grande nome da equipe, sendo o jogador que consegue mais
highlights e estatísticas positivas. Ao mesmo tempo, não existe um jogador hoje entre os dinamarqueses que desempenhe mal. Observando as estatísticas poderíamos atribuir ao suporte Xyp9x a posição de "
menos baludo", já que seu
rating nos últimos três meses foi de 1.02, e durante o
ELEAGUE Premier 2018 de apenas 0.95. Ainda sim, este jogador é conhecido pela sua característica suportiva, ancorando
bombsites e ficando por último para retomadas. Xyp9x é conhecido, inclusive, como um dos maiores
clutchers do cenário, tendo sido considerado o 13º melhor jogador de 2017.
O recém chegado Magisk é um jogador que tem se sentido cada vez mais a vontade com o restante do time. Sua característica mais marcante é a qualidade com os rifles, já tendo mostrado em diversas ocasiões uma capacidade imensa em controlar o spray das armas. O jovem tem tido números muito bons junto da equipe, como uma contribuição positiva em 75% dos rounds, e um
rating de 1.17 nos últimos três meses. O
entry fragger da equipe é Peter "
dupreeh" Rasmussen, um jogador que é conhecido por uma poderosa deagle nos rounds econômicos. Dupreeh alterna grandes momentos e jogadas impressionantes com a explosão que um jogador de sua posição exige. Embora não esteja sempre entre os mais bem avaliados do time, dupreeh é uma peça chave para o funcionamento deste, tomando em alguns momentos o protagonismo para si. Com um device oscilante, foi ele o responsável por acabar com qualquer esperança da oposição durante o
ESL Pro League 7, levando a medalha de
MVP para casa naquela ocasião. A grande estrela da equipe, como apontado anteriormente, é device. Jogador acostumado a estar sempre entre os melhores, o dinamarquês de apenas 22 anos está a três temporadas seguidas no top 5 de melhores jogadores do mundo. Suas estatísticas são incríveis, tendo acumulado um
rating de 1.34, e uma média de apenas 0.56 mortes por round, nos últimos três meses.
Sendo o awper desta equipe, "
devve", como é chamado pelos companheiros, tem uma capacidade anormal de jogar como um híbrido, ou seja, mesmo em rounds em que não possui a awp o jogador corresponde com rifles e pistolas. Já tendo recebido duas medalhas de
MVP nessa temporada, device, que tem a fama de não ser um jogador de grandes finais, tentará conquistar a terceira em uma eventual conquista de Major. O último jogador do time é o
igl gla1ve. Responsável por assumir o espaço deixado pelo grande karrigan na liderança dinamarquesa, gla1ve provou desde o primeiro instante que era o homem certo para a missão que estavam lhe dando. Com um estilo imprevisível, a Astralis passou a dominar táticamente seus oponentes e conquistar importantes vitórias. Marcado inicialmente como um jogador que apenas lideraria a equipe mas não justificaria em poder de fogo, gla1ve tem sido cada vez mais um jogador que conquista muitas eliminações. Nos últimos três meses mesmo sendo eventualmente o primeiro nas entradas dos bombsites, gla1ve acumula um
rating de 1.19, o segundo maior do time.
UM CS QUE SALTA AOS OLHOS Todas as qualidades listadas para os jogadores são fruto da organização de um grande treinador. Danny
"zonic" Sørensen talvez seja uma das figuras mais ativas e reconhecidas entre treinadores de CS:GO. Seu estilo em trazer o time para cima a cada
round, ou acalmar os ânimos e refocar a equipe a cada derrota, tem um papel fundamental no sucesso que o time alcançou nos últimos anos. A caderneta cheia de anotações traz conhecimento do oponente, além de estratégias guardadas para si próprio. Seu caminho no CS começou à muito tempo, desde a os anos 2000, quando ainda era jogador do forte time da
mTw, trazendo toda experiência para a equipe poder desempenhar nos momentos mais difíceis. Com um lado terrorista extremamente perigoso e veloz nas rotações, aliado à defesas que sabem o momento certo de usar suas granadas, a Astralis parece um time praticamente imbatível. Foi preciso que Oleksandr
"s1mple" Kostyliev jogasse o seu máximo para derrotá-los durante o
ESL Cologne 2018, último torneio perdido pela equipe
.Ainda falando em granadas, o time é conhecido por provocar danos absurdos aos seus adversários durante os rounds, liderando a cada torneio o dano realizado com os utilitários.
O
map pool da equipe é sólido e parece não ter falhas. Desde a adição de Magisk a equipe jogou 125 partidas, tendo vencido incríveis 97, uma taxa de vitórias de 77%. Se levarmos em consideração que o time joga apenas torneios que lhe interessam, contra as maiores equipes do mundo, podemos concluir que a Astralis tem 77% de vitórias jogando somente no chamado
big stage. Os mapas também seguem as estatísticas impressionantes, com a Inferno tendo sido jogadas mais vezes, em 35 das oportunidades, mantendo uma taxa de vitórias de 78%. Em seguida, o mapa favorito de muitas equipes, a Mirage, na qual a equipe venceu 18 das 24 vezes em que atuou. A mais impressionante é a "
esquecida" Nuke, mapa que o time não costuma escolher para si, mas ainda sim possui 17 vitórias em 18 partidas jogadas, tendo sido todas as vitórias em
lan e a única derrota
online. Diante de um retrospecto tão impressionante não é surpresa imaginar que a Astralis possui apenas um objetivo nesse torneio, o título. Qualquer resultado diferente de top 8 seria uma grande zebra, e, dependendo do oponente encontrado no caminho, até mesmo uma derrota antes da final teria um gosto muito amargo.
Capa: Foto HLTV com Arte Draft5