Caminho ao Major: Após participações abaixo da média e vice no último torneio, FaZe quer conquistar título para quebrar histórico
Histórico abaixo do esperado coloca a FaZe entre as equipes que não se dão muito bem em torneios da Valve
por Lucas Spricigo/28 de agosto de 2018 - 21:04/Capa:
Mais um episódio do "Caminho ao Major", é hora de sabermos mais sobre a FaZe Clan e como chegam para o FACEIT Major London 2018, que tem início já no dia 5 de setembro. FAZE CLAN Dinamarca Finn "karrigan" Andersen Noruega Håvard "rain" Nygaard País não encontrado Nikola “niko” Kovac País não encontrado Ladislav "GuardiaN" Kovács Suécia Olof "olofmeister" Kajbjer Suécia Robert "RobbaN" Dahlström (coach) Com histórico de longa data e muita tradição no Call of Duty e criação de conteúdos para o Youtube, em 2016 a FaZe Clan deu um passo importante entrando no ramo das organizações que mais investem no esports. Era janeiro de 2016 e um cenário que havia acabado de sair das conquistas sequenciais de suecos, como a NiP até certo ponto e logo depois uma era de títulos da fnatic.
Rain, Maikelele, Fox, Aizy e jkaem formavam a primeira line-up da FaZe Clan em 2016 | Foto: DreamHack
Fato é que havia uma brecha de qual seria a próxima equipe a aparecer, havia espaço para mais competição e, talvez, até por conta disso que na mesma época os brasileiros da então Luminosity Gaming começaram a aparecer, chegando ao título da MLG Columbus poucas semanas depois. No início daquele ano a FaZe Clan contratou a line-up internacional da G2 Esports por algo relatado em torno dos $700 mil. Um preço alto para época e o próprio “divulgar” a bagatela investida não era algo que acontecia na categoria. Era a FaZe Clan já trazendo seu estilo de trabalho para um cenário que, por mais que tivesse bons investimentos, ainda engatinhava perto de outros jogos. Coincidência ou não, na mesma época a Valve resolveu aumentar o valor de premiação dos Majors para $1 milhão, largando o defasado $250 mil que perdurava já há algum tempo. É bem verdade que mover milhares de dólares é o estilo arrojado da FaZe, além de manter seus donos vivendo num estilo diferente, algo mais próximo ao popstar, onde cada um ainda mantém suas essenciais com a produção para Youtube. Além de trazer esse estilo diferente de organização, a FaZe também sempre apostou em parcerias com personagens do esporte tradicional, além de patrocínios de marcas majoritariamente desse estilo.
Um dos donos da FaZe Clan é o brasileiro Temperrr | Foto: Lucas Spricigo/Draft5
Mas falando do projeto dentro do Counter Strike, a FaZe também fez escola. Sempre apostou em equipes internacionalizadas, já num molde que viria a ser bastante usado nos dias de hoje. Aquele primeiro time com o português Ricardo “fox” Pacheco foi uma espécie de testes, com o quinteto se modificando com o passar dos meses. Daquela line-up inicial, apenas Håvard "rain" Nygaard está até hoje. Desde esse início o projeto gira em torno do coach Robert "RobbaN" Dahlström, um verdadeiro dinossauro do Counter Strike e um dos mais lendários jogadores da história da franquia. RobbaN é muito mais do que apenas o cara que fica atrás, teve e ainda tem voz ativa em tudo que corre em volta da equipe e, com total certeza, foi uma das mentes por trás de montar uma equipe tão competitiva como a de hoje em dia. O primeiro Major foi a própria MLG Columbus em março daquele ano, uma atuação decepcionante de toda a equipe colocaria o sueco Mikail "Maikelele" Bill fora da equipe, Fabien "kioShiMa" Fiey seria o substituto. O novo conjunto teve outra atuação decepcionante no ESL One Cologne 2016, segundo major do ano, resultado, outra troca. Fox sairia para a entrada de Aleksi "allu" Jalli em agosto.
Karrigan é o capitão da equipe | Foto: ELEAGUE
Em outubro de 2016, a FaZe trouxe Finn "karrigan" Andersen para ser capitão, jogador que havia sido dispensado da hoje Astralis, que optaria por Lukas "gla1ve" Rossander para a função. O escolhido para deixar o quinteto foi o francês Kioshima, mas ele acabaria voltando quando Joakim "jkaem" Myrbostad foi movido para o banco de reservas. Era hora do ELEAGUE Major 2017, mas outra atuação pobre colocaria novamente o conjunto em dúvida, precisavam de jogadores ainda mais talentosos para ter algum resultado. Jogadores que não se abalariam com a pressão de Major. Em fevereiro de 2017, Nikola “niko” Kovac entra para o lugar de Philip "aizy" Aistrup que se transferiu para a North. A partir desse ponto a FaZe se tornaria uma equipe grande de verdade, conquistando pouco a pouco grandes títulos. Título da StarLadder i-League StarSeries S3, vice na ECS S3, semifinais em Cologne. A FaZe chegaria no PGL Major Krakow como uma das equipes a serem batidas, com Niko em grande fase disputando espaço com Marcelo “Coldzera” David no topo do mundo. Mas a pior atuação da história da equipe mudaria todo o rumo. Uma campanha com três derrotas e a eliminação na primeira fase fez com que o misto europeu virasse chacota.
Niko foi o destaque da FaZe no segundo semestre de 2017, chegando a ser cogitado por alguns como o melhor do mundo | Foto: ESL
Não demorou, a FaZe queria uma equipe galáctica. Um conjunto estrelado. Trouxe Ladislav "GuardiaN" Kovács para o lugar de Allu e Olof "olofmeister" Kajbjer para o lugar de Kioshima, que deixou em definitivo a equipe. Campeões da ESL One New York 2017, ELEAGUE Premier 2017, ECS Season 4, vice na IEM Oakland, na ESL Pro League S6 e terceiro na BLAST Pro Series: Copenhagen. Isso tudo em 4 meses. O crescimento da FaZe foi absurdo no segundo semestre de 2017, lideraria o ranking mundial em algumas oportunidades, chegaria a ser a equipe a ser batida e novamente era uma das candidatas ao título no ELEAGUE Major Boston 2018, em janeiro. Fato é que dessa vez sim, fizeram uma ótima campanha, o que se esperava. Passaram tranquilos com 3 – 1 na fase principal e chegaram nos playoffs com bastante “pinta” de campeão. Venceram a mousesports nas quartas, a Natus Vincere na semifinal e chegariam completamente favoritos contra a Cloud9 na grande final, mas perderam por 2 a 1 numa das partidas mais disputadas da história dos Majors. Este é o retrospecto de uma das equipes mais sedentas por uma conquista de Major no atual cenário mundial.
Foto: HLTV
AS MUDANÇAS FORÇADAS POR CONTA DE OLOF No dia primeiro de abril olofmeister anunciou que faria uma parada na carreira devido a problemas pessoais. Era a segunda vez que o sueco pararia, tendo se lesionado ainda na época de fnatic, ficando alguns meses inativo. No dia 25 de maio o retorno de Olof foi comemorado, mas logo no início de junho novamente teria o mesmo problema, pedindo novo afastamento. Sem olof a FaZe foi campeã da IEM Sydney com Richard "Xizt" Landström. Campeã em Belo Horizonte com Jørgen "cromen" Robertsen. Olof voltou no dia 10 de julho, mas teve pouca oportunidade de mostrar seu jogo novamente, apenas atuando no ELEAGUE Premier 2018, onde a equipe caiu na fase de grupos.
Cromen levanta a taça da ESL One em Belo Horizonte | Foto: Lucas Spricigo/Draft5
Nos últimos meses parece que a FaZe tentou testar muita coisa, tanto com Xizt, cromen e Olof. Não parece existir uma regra que sigam nos vetos, mas a julgar puramente pelas estatísticas, Dust2, Mirage e Inferno são os mapas que mais se sentem bem jogando. Geralmente não usam seu ban em Nuke, já que a maioria das equipes não joga, mas nunca teve um histórico negativo no mapa, o que pode muito bem servir de carta surpresa durante um torneio no estilo do Major. O grande trunfo da FaZe Clan está nos jogadores estrelados, é claro, todos podem desequilibrar em algum momento durante os jogos decisivos. Porém, o que é interessante sempre de se observar é a estrutura de flexibilidade que o conjunto tem. Qualquer jogador pode trazer um AWP, talvez com exceção de Rain. Todo jogador trabalha muito bem na linha de frente, é bem verdade que Rain exerce muito bem a função de entry, mas ao longo do tempo já vimos até Karrigan trabalhar na função, mesmo mantendo-se de IGL.

Porém para o FACEIT Major temos de se perguntar com qual espirito a FaZe chega, se é a forma com que veio nos outros anos, sendo a favorita de todos, mas sofrendo pressão com isso, ou desempenhando bem, como tem de ser, já que conta com a equipe mais cara que o cenário já viu. Capa: Draft5
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