Bizinha reflete sobre cenário feminino antes de jogo decisivo na BGS: "Com potencial, mas poucos acreditam"
Jogadora falou sobre cenário feminino, nível individual e próximos passos para ascensão das garotas
por Pedro Umberto /11 de outubro de 2020 - 15:28/Capa: Arte/DRAFT5
Assim como o Bayern de Munique implementa um domínio assustador na Alemanha, a divisão feminina da FURIA vem fazendo o mesmo em território brasileiro. Com uma composição recheada de estrelas, mas também de jovens promessas, as panteras estão em outro patamar quando o tópico é o cenário feminino. Não só isso, mas também vem ganhando cada vez mais espaço no cenário misto. Um grande exemplo disso é a Gaming Culture Invitational Convergence 2020, onde chegaram na grande final e fizeram jogo duro contra o Santos e-Sports. Tal como a vitória conquistada pra cima da DETONA Pound nos últimos meses, equipe forte e presente em torneios do cenário masculino. Em suma, é um time que tem tudo pra brilhar fora do seu nicho. Com uma campanha impecável na fase regular, as panteras tomaram apenas 14 rounds nos cinco mapas jogados, mantendo sua soberania extrema e avançando à próxima fase de forma invicta. Agora, jogarão a grande final do Bombsite B contra a Soberano Team. Antes do clássico brasileiro, a DRAFT5 conversou com Bruna "Bizinha" Marvila, um dos destaques no ano da FURIA até aqui.
Bizinha, no Brasil, é um dos maiores nomes do Counter Strike feminino. Divulgação/BGS Esports.
Dominando o cenário feminino desde a junção das jogadoras na FURIA, Bizinha revelou não pensar em entrar com o favoritismo nas partidas: ''Eu não costumo pensar muito nisso, não entro no jogo achando que vou ganhar. Costumo entrar no jogo independente de quem seja e jogar round a round, e aí sim ter uma ideia melhor do que vai acontecer. Se será um jogo difícil ou não'', falou a jogadora. Além dos troféus levantados pelo clube, a atleta de 21 anos vem empilhando números absurdos durante a atual temporada. Ao lado de sua companheira Karina "kaah" Takahashi, detém as melhores estatísticas da FURIA. Apesar de gostar do reconhecimento, alega que ao seu ver a ''fase de ouro" foi na WESG 2018 enquanto defendia a paiN Gaming: ''As pessoas estão falando mais de mim esse ano, melhor jogadora da GamersClub em 2019, e claro, fico muito feliz por isso. Ter reconhecimento é algo que sempre quis ter e esperei muitos anos por isso, mas não acho que é minha fase de destaque. Desde 2017, quando as coisas começaram a dar certo pra mim, eu penso que apenas fui constante. Ao meu ver, minha fase de ouro foi na WESG 2018 pela paiN, foi onde mais demonstrei meu individual. É uma pena que campeonatos femininos não são tão divulgados e, consequentemente, não duram muito na memória. Mas pra mim foi de extrema importância, pude notar como eu posso jogar dando 100% individualmente'', afirmou. Na metade de setembro, como de praxe, o ranking da DRAFT5 foi atualizado. Nessa em específico, a equipe feminina da FURIA figurou o TOP25 e quebrou o paradigma, sendo o primeiro elenco de garotas a marcarem presença por lá. A jogadora também falou sobre o "ganho de respeito" pela posição: ''É bom estar no ranking para conseguir marcar treinos melhores e ter mais respeito do cenário. Nossos objetivos a curto prazo é estar na liga principal. E individualmente falando, meu sonho é ganhar o mundial feminino'', destacou.
Bizinha, ainda defendendo a paiN, ao lado de GaBi, companheira na FURIA. Foto: Rafael Veiga/DRAFT5
Já na reta final da entrevista o assunto foi a evolução do cenário feminino, visto que, finalmente, vem ganhando mais notoriedade do público nos últimos meses. Bizinha falou um pouco do que vive e a importância da Juliana "showliana" Maransaldi ter sido contratada pela Dignitas: ''Comparado a 2017, época que começou a se profissionalizar, melhorou bastante. Mais organizações aparecendo, investimento internacional da Optic, que infelizmente deu errado por conta do problema com o f0rsaken... As vezes fico pensando o que poderia acontecer se isso não tivesse acontecido, sabe? Mas enfim, mesmo com diversos times aparecendo, o que me preocupa é que várias não voltam a ter equipes. Poderia citar alguns exemplos, mas os times que defendi (paiN, Keyd), não tem line-up ativa no momento. Já é difícil ter organização, e as poucas que aparecem não voltam a ter lines'', desabafa. Bizinha finalizou ressaltando a importância da transferência da showliana e potencial das meninas: ''É difícil ter investimento no cenário feminino, que certamente tem um potencial quanto ao número de telespectadores e transmissões. Já superou a Liga Pro masculina uma época na GC. É uma área com potencial, mas com pouca gente acreditando. Mas agora as esperanças foram renovadas com a showliana indo para a Dignitas. Acho que isso pode abrir mais oportunidades pro cenário. Se elas viessem pra cá, sem dúvidas seria um hype e o cenário poderia crescer bastante'', finaliza. Por fim, a FURIA fem jogará nesse domingo (11), às 18h30 contra a Soberano, em confronto válido pela grande final do Bombsite B. Você pode acompanhar a partida clicando aqui.
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