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As melhores no Brasil em 2020: (8) – fly

Cria do 1.6, fly é uma das jogadores que mais representou o país internacionalmente e teve um 2020 forte o bastante para chegar a oitava colocação da lista

por Gabriel Melo / 03 de jan de 2021 - 14:03 / Capa: Arte/DRAFT5
O Counter-Strike é fundamental para a vida de muitos brasileiros desde o milênio passado. Grandes são os nomes do cenário que começaram a jogar o FPS da Valve nas versões mais antigas. Não foi diferente com Jessica "fly" Pellegrini, que se apaixonou pelo jogo por conta do pai e conseguiu se transformar em um dos principais ícones do competitivo feminino nacional.

DE PAI PARA FILHA


Paulista de nascença, fly conheceu o Counter-Strike pelo pai, que na época em que era policial jogava o FPS. Por conta disso, como a própria descreve, teve uma infância diferente, na qual passava os fins de semana jogando com os pais em um dos quartos da casa onde morava.

E é por conta disso que, diferente de outras jogadoras, fly não passou pelo famoso problema de precisar apresentar os esportes eletrônicos aos pais e explicar que Counter-Strike é mais que um joguinho.

"Sempre recebi apoio e incentivo deles, quando entrou em qualquer time ou quando vou jogar. Sempre me perguntam como está a equipe e compreendem bastante quando tenho campeonato, sendo que quando é presencial vão me assistir".

VOANDO PELO MUNDO!


Como só estava acostumada a jogar Counter-Strike junto com os familiares, fly não sabia que existia um cenário feminino. A descoberta aconteceu quando pisou pela primeira vez em uma lan house. Daí em diante a fly conheceu o mundo e o mundo conheceu a fly.

Mas antes de começar a competir, fly precisou se adequar ao antigo costume de se colocar o nome da organização antes do nick e, com isso, reduziu o apelido que até então utilizava dentro do jogo de butterfly para o atual.

Gabriela "Gabs" Freindorfer e Regiane "Regiane" Santos foram as primeiras companheiras de fly no competitivo, no qual começou já representando uma tag de peso, a semXorah. E a estreia da jogadora em um presencial aconteceu no início de 2012, disputando a segunda edição do GamerHouse Challenger feminino em São Paulo.

Assim como muitas outras jogadoras, fly decidiu se arriscar no CS:GO logo nos primórdios da nova versão. Uma decisão acertada visto que no ano seguinte ao lançamento a jogadora conseguiu colecionar títulos e, por pouco, não disputou  um dos principais torneios internacionais para o cenário feminino, a Electronic Sports World Cup (ESWC).

A equipe a qual fly se encontrava, playArt.Girls - outra importante tag do cenário nacional - foi convidada para disputar a ESWC 2013, mas optou por não viajar até a França. Tal decisão não ofuscou o sucesso obtido naquele ano, porque também pelo pA.Girls conquistou   ESEA League Female destinada a America do Sul e, já defendendo o time League of Ladies, levou medalha de ouro no 1º campeonato feminino de CS:GO SKGCL South America League - competição internacional.

fly com pA.Girls em uma gh improvisada | Foto: Arquivo pessoal de santininha


Em 2014 veio o primeiro time profissional, conforme a própria jogadora classifica, que foi a INTZ. Tratava-se da primeira passagem de fly pela organização, mas sem muito brilho.

Os títulos voltaram em 2015, quando passou a vestir a camisa do Santos na época em que a divisão de esports do clube era controlada pela Dexterity. Nesse ano, a jogadora foi campeã do 1º Campeonato Feminino do SiteCS e do Chora pras Minas I.

Foi também nesse ano que fly realizou o sonho de pisar em um presencial internacional. Aconteceu na ESWC 2015, para a qual o Santos.Dex foi convidado. O time acabou o torneio em questão com uma vitória em três séries disputadas, não conseguindo assim passar da fase de grupos.

Fly na disputa da ESWC 2015 | Foto: Arquivo pessoal fly


A temporada 2016 com fly defendendo a ProGaming.Shine e por ela sendo vice-campeã do SiteGames Female League #1 para o antigo time. A jogadora também marcou presença em um dos principais presenciais da temporada, a g3xCup Female 2016. Neste torneio, contudo, dividiu a 5ª colocação com a Yollo Girls.

Ainda naquele ano, fly vestiu a camisa de outro time de futebol no Counter-Strike ao defender o Remo.Brave, com o qual terminou a edição de abril da Liga Feminina by Gamers Club divindo a 3ª colocação com a ex-equipe. No mês seguinte subiu um degrau no pódio do mesmo torneio, mas agora defendendo o fake More Than You (MTY), sendo derrotado na decisão para Don't Blink.

Nos quatro meses seguintes, a jogadora e as demais companheiras do MTY foram superiores as demais adversárias na Liga Feminina. ProGaming foi a vítima nas edições de junho, julho e agosto, enquanto na de setembro a equipe bateu a Cube Team.

Foi também em 2016 que fly cravou a segunda participação seguida na ESWC. Nesta edição, a jogadora estava representando a organização portuguesa Team AlienTech, e, novamente, a equipe não conseguiu passar da fase de grupos, se despedindo do torneio com uma vitória em quatro séries disputadas.

Com AlienTech, fly disputando mais uma ESWC | Foto: Arquivo pessoal


O maior resultado de fly pelo AlienTech foi o título da Power Lounge Cup feminina no primeiro semestre de 2017. A competição presencial, disputada em São Paulo contou com a participação das principais equipes do país e lá o título veio após vitória sobre a Team oNe.

Outra LAN na qual fly subiu no degrau mais alto do pódio foi o da Greenk Tech Show, mas este vestindo a camisa da BootKamp. Na ocasião, o título veio após vitória sobre Victory Pro Team. Quatro meses depois a jogadora foi protagonista de mais uma decisão de um torneio presencial, o da Brasil Game Cup (BGC) feminina, mas neste ficou com o vice ao perder para Vivo Keyd.

Também naquela temporada fly conquistou mais uma Liga Feminina, a de setembro, e foi para a Suécia com o objetivo de disputar a ESU Masters 2017, competição na qual a BootKamp venceu uma das três séries que disputou, não conseguindo assim passar da fase de grupos.

Fly na Brasil Game Show de 2017 | Foto: Felipe Guerra


O ano de 2018 foi um pouco minguado para fly em relação a títulos, com os resultados mais expressivos acontecendo na seletiva brasileira para o Intel Challenge Katowice, a qual terminou divindo a 5ª colocação com outras três equipes, e no GAMECON Challenge, o qual dividiu a mesma posição no pódio com o Canil do Subsolo.

Mas a jogadora não se abateu e, no início de 2019, novamente vestindo a camisa da INTZ, conseguiu voltar a figurar na decisão de um importante torneio feminino. Aconteceu na seletiva sul-americana para a edição daquele ano do Intel Challenge Katowice, a qual ficaram com o vice após derrota sofrida para o TiMe DaS LiNdAs.

O melhor estava por vir no últimos meses de 2019. Ainda como uma Intrépida, fly conseguiu conquistar a sonhada quarta vaga para um presencial internacional, o GIRLGAMER Esports Festival 2019. Isso aconteceu em outubro, quando a INTZ foi superior a todas as outras grandes equipes femininas na seletiva brasileira, a qual venceu com um 2 a 1 de virada contra Isurus.

fly na conquista da vaga para o GILRGAMER Festival | Rafael Veiga / DRAFT5

O SEGREDO DA LONGEVIDADE


As atualizações que o CS sofre com o decorrer do tempo motivam fly a se manter competindo na modalidade porque, na opinião da jogadora, uma atleta tem que ser versátil e habilidade de se adaptar a todas as mudanças que acontecem no jogo, o que a faz mais sempre querer aprender mais.

Grandes nomes do cenário feminino internacional, como a sueca Zainab "zAAz" Turkie - campeã de diversas competições desde os tempos de 1.6, servem de inspiração para fly, bem como o atual namorado Kevyn "BALEROSTYLE" Guedes.

GUARDADO NA HISTÓRIA


Por ser uma jogadora que presenciou e viveu muito do que ocorreu no cenário feminino em duas versões do CS, fly possui muitos momentos marcantes na carreira. Mas, de acordo com os jogadores, os mais inesquecíveis aconteceram em presenciais.

O primeiro deles aconteceu na ESWC 2016, quando fly e as companheiras desbancaram a Selfless Gaming por 16 a 14 na Overpass. A equipe norte-americana era cotada como uma das favoritas ao título, o qual não conquistou porque perdeu a decisão para Team Secret.

Já o outro triunfo que se tornou especial para fly foi o que garantiu a equipe da jogadora no GIRLGAMER Festival.

Fly & Cia. conquistam a GIRL Gamer Festival em São Paulo | Foto: Rafael Veiga/DRAFT5

E O 2020?


Fly começou a última temporada competindo em Dubai, nos Emirados Árabes, disputando uma das únicas LANs que aconteceram em 2020. Vestindo a camisa alvinegra, a jogadora conseguiu um bom resultado no GIRLGAMER ao terminar a competição em terceiro lugar.

Ainda pela INTZ, no retorno ao Brasil, a jogadora e a equipe não conseguiram um resultado tão satisfatório ao serem eliminadas ainda na rodada de estreia da Liga Feminina referente ao 1º trimestre do ano. Mas a performance foi melhorando com o decorrer da temporada. Prova disso é o vice obtido na edição seguinte da competição, a qual perderam o título para a FURIA.

Este torneio em questão marcou o fim da trajetória da jogadora pela equipe. Fly decidiu deixar o time porque queria mudar por completo o rumo da própria carreira.

"Queria me renovar, voltar a ter confiança que eu tinha dentro de jogo e remoldar. Mudar de time significa conhecer outro estilo de jogo, mescar com as ideias e ter outro ambiente fora de jogo".

Da INTZ, fly formou uma equipe com  Ana Carolina "annaEX" Brito e Julia "julih" Gomes, jogadoras com as quais que jogar. Daí surgiu a Last Name, que teve uma ascensão meteórica no cenário ao sair do anonimato para a segunda colocação da primeira edição da Gamers Club Masters feminina, a qual perderam o título para a FURIA.

As boas campanhas não pararam por aí. Na Liga Feminina do 3º trimestre, fly, já vestindo a camisa da Severe, ficou na 4ª colocação, enquanto na última edição do ano conquistou o título, após triunfo sobre a Black Dragons, e levou MVP. Medalha de prata no 1º Split da BGS Esports e na superfinal, ambas com derrotas para a FURIA, enquanto no 2º Split dividiu a terceira colocação com a Soberano.



AUTOAVALIAÇÃO


Avaliando o desempenho que teve na última temporada, fly afirma que 2020 foi bem aproveitado já que aprendeu muito com a equipe em todos os aspectos, lições estas que a fizeram crescer ao longo de 2020.

E na opinião da jogadora, a última Liga Feminina do ano foi a competição que teve o melhor desempenho na temporada. Prova disso é o fato da jogadora ter sido eleita pela DRAFT5 como a Jogadora Mais Valiosa (MVP) da competição.

Com surpresa a jogadora recebeu a notícia de que foi eleita pela DRAFT5 como uma das 10 melhores no Brasil no ano passado, afirmando que qualquer posição para ela seria gratificante porque reconhecimento "sempre deixa o coração quentinho".

A 8ª MELHOR JOGADORA EM 2020


Por mais que tenha decidido dar uma guinada a uma nova direção na carreira no meio da temporada, fly conseguiu manter bons números nas competições que disputou. Na Liga Feminina em que foi eleita MVP, conseguiu um KDR de 1.53 e o o segundo maior KD Difference, com 243 inimigos abatidos e apenas 159 mortes contabilizadas.

Arte por DRAFT5


Bons números a jogadora também conseguiu no 2º Split da BGS Esports, competição na qual foi eleita uma das EVPs ao terminar o torneio com 1.17 de KDR, que foi crucial para o bom desempenho de sua equipe. Com essas conquistas individuais a jogadora conseguiu um total de 14,7 D5 Points, que foram essenciais para fly ficar a frente de outros importantes nomes do cenário feminino na disputa pela oitava colocação do prêmio as melhores no Brasil em 2020.

O retorno em marcha lenta da INTZ após a disputa do GIRLGAMER Festival atrapalhou fly em obter bons números no ínicio de 2020. Contudo, com a corajosa decisão que tomou de formar um novo time, a veterana voltou a ascender no competitivo e fazer boas apresentações, principalmente nos torneios em que a Severe chegou nos confrontos finais.

EXPECTATIVAS PARA 2021


Quanto o que o público pode esperar da fly neste ano, a jogadora promete que vai mudar completamente e dar o melhor em todos os campeonatos que irá competir. Gabriela ''bokor'' Alves e Mariana "LyttleZ" Sabia são as apostas da veterana para surpreender em 2021.
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