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As melhores no Brasil em 2020: (1) – izaa

Melhor jogadora do Brasil em 2020, izaa colecionou conquistas e encerrou a temporada com 59,7 D5 Points 10,3 a mais que a segunda da listagem

por Filipe Carbone / 07 de jan de 2021 - 16:35 / Capa: Arte/DRAFT5
Há pouco mais de nove meses, esse que vos escreve era responsável por entrevistar a, até então, principal promessa do cenário brasileiro feminino de Counter-Strike: Global Offensive dos últimos anos. Assim como dito sobre Izabella "izaa" Galle no especial da Semana da Mulher, a cidade pacata de União da Vitória, no interior do Paraná, ficou responsável por lapidar a joia união-vitoriense. E assim o fez.

De lá pra cá, a jovem jogadora da FURIA completou mais uma primavera e atingiu a maioridade no mesmo ano em que teria a melhor temporada da carreira (pelo menos até aqui). Mesmo com a pouca idade, izaa deixava de ser promessa para se transformar em realidade no mesmo período em que assumia a função de In Game Leader do quinteto.

DE PAI PARA FILHA


No decorrer da série das dez melhores jogadoras do ano feita pela DRAFT5, algumas falavam sobre as dificuldades que enfrentaram no círculo familiar para conseguir se dedicar de forma integral ao Counter-Strike. Izaa, muito pelo contrário, encontrou nos braços do pai a inspiração para se tornar jogadora, mesmo que casual.

Izaa acompanha jogatina do pai desde o Counter-Strike 1.6 | Foto: Reprodução/Instagram


À primeira vista, izaa e o pai possuem características físicas semelhantes. Mais de perto, é possível ver que a paixão pelo FPS desenvolvido pela Valve também fez parte da genética da, agora, melhor jogadora de 2020. Se o estereótipo das meninas de 7 anos é brincar de boneca, ela contrariaria todas as expectativas e iniciaria a briga pelo seu espaço, que seria provado anos mais tarde.

"O meu primeiro contato com o Counter-Strike foi com 7 anos e quem me apresentou foi meu pai. Eu ficava vendo ele jogar e foi minha primeira experiência no Counter-Strike", disse. Se uma imagem vale mais do que mil palavras, uma foto publicada por izaa nas redes sociais mostra que ela não apenas via o pai jogar, mas estava lado a lado, aprendendo o máximo que era permitido sem o mouse na mão.

APOIO DOS PAIS E TRILHO PARA O SUCESSO


Dos primeiros contatos com o FPS da Valve com o pai até começar a entrar no servidor por conta própria, Izabella Galle revelou ter tido o apoio dos pais de forma incondicional: "100%", definiu izaa. Por mais que o mesmo não se repetisse em toda a família, ela precisou de pouco tempo para mostrar que, independente de aprovações, ela seria capaz de chegar ao topo.

"A família, no geral, não (apoiava). Hoje em dia todo mundo me apoia, mas quando comecei a minha família não me apoiava. Só o meu pai e minha mãe", disse. Falando aparentemente sem ressentimentos, Izabella parece ter deixado isso tudo para trás para guardar energias para conseguir melhorar individualmente.

Pouco a pouco, se via na dicotomia que todos os jogadores e jogadoras se encontram em algum momento: quando seguir para o profissional. Para ela, a ficha de que precisava tentar algo profissionalmente veio em 2017, quando começou a se destacar em times fakes. "Foi aí que eu percebi que queria me profissionalizar e veio a proposta do Santos", disse.

Foto: Divulgação/Santos e-Sports


Talvez nem mesmo Izabella soubesse o que lhe aguardaria nos anos seguintes, mas a partir da chegada no Santos, em 2018, a jogadora passou a ser vista como uma das joias do cenário. Com apenas 16 anos àquela altura, a jovem jogadora seria lapidada aos poucos para, dois anos depois, ocupar o posto de melhor jogadora de Counter-Strike do Brasil.

MOMENTOS E ENSINAMENTOS DO COMPETITIVO


Apesar de ter vencido praticamente tudo que disputou na última temporada, izaa revela que um dos momentos mais marcantes da curta e próspera carreira foi justamente defendendo o Peixe. Na ocasião, dava os primeiros suspiros como jogadora profissional quando conseguiu vencer a primeira Liga Feminina pelo Santos.

A vitória por 2 a 1 contra a Nox!um tirava da garganta a vontade de gritar que era campeã de Counter-Strike: "Acho que um momento marcante pra mim foi quando fui campeã da Liga Feminina pela primeira vez, em 2018". Mal sabia izaa que, nos anos seguintes, triunfar no campeonato da Gamers Club seria como ir na padaria comprar pão.

Foto: Reprodução/Instagram


Alguns meses depois, Izabella seria uma das peças presentes na montagem do "supertime" da paiN Gaming, no primeiro semestre de 2019. O jovem talento se veria ao lado de nomes já consagrados no cenário feminino como Pamella "pan" Shibuya, Gabriela "GaBi" Maldonado, Juliana "showliana" Maransaldi e Bruna "Bizinha" Marvila.

Em uma análise fria, é possível dizer que o quinteto não alcançou todos os objetivos que eram esperados da line-up, formada por alguns dos melhores nomes do Counter-Strike brasileiro. No entanto, o destino foi capaz de guiar não só izaa, mas GaBi e Bizinha para um novo projeto na história do CS do Brasil.

PROJETO FURIA


O projeto da FURIA, inicialmente, não contava com nenhum dos três nomes citados anteriormente. Entretanto, não tardaria para as histórias se cruzarem e se tornarem uma das mais bem sucedidas do cenário feminino. Izaa e GaBi entraram na organização apenas dois meses depois da montagem do elenco.

"A FURIA entrou em contato comigo e passou a ideia de qual seria a line-up inicial. Eu gostei bastante. Além de ser uma organização que eu sempre admirei e quis fazer parte. O plano inicial era para a gente estar entre as melhores. Falamos que íamos trabalhar muito para isso porque era esse o nosso objetivo", disse. Meses depois, cumpriu.

Àquela altura ainda sem Bizinha, o time já seria capaz de vencer as duas primeiras edições da Liga Feminina do ano. Com partidas praticamente impecáveis, a FURIA já mostrava que seria o time a ser batido no decorrer da temporada.

A chegada de Bizinha, em maio do ano passado, dava à equipe a força que faltava para vencer absolutamente tudo que disputaria no cenário feminino na última temporada. Mesmo ao lado de gigantes, a jovem izaa se mostrava cada vez mais capaz de liderar a equipe, além de manter o alto nível no poder de fogo.

Foto: Divulgação/FURIA


"Percebemos que íamos chegar longe quando começamos a jogar os campeonatos e tivemos excelentes performances contra os times que já estavam consolidados no cenário. Pensamos: "Poxa, realmente está dando certo". Acredito que foi quando vencemos a GC Masters Invictas. Era o principal campeonato do ano e conseguimos apresentar excelentes resultados".

Não apenas invictas, como dito pela própria Izabella, mas sem perder nenhum mapa sequer. A FURIA se colocava entre as principais forças do feminino e realizava, aos poucos, todo prognóstico idealizado pela jogadora no início da temporada. Mesmo com a pouca idade, izaa aprendeu o suficiente para saber que nenhum fruto de um jogo competitivo pode ser colhido sozinho.

"Acho que estou no nível de hoje graças as jogadoras e treinadoras experientes que eu tive contato no decorrer de 2019 e 2020. Elas me ajudaram a evoluir muito", disse. Em seguida, exaltou o próprio esforço, mas não por muito tempo. Izaa não consegue se lembrar da carreira sem citar as companheiras de time.

Isso porque Izabella Galle citou rapidamente o próprio "treino e dedicação" antes de rasgar elogios às companheiras. "Toda a equipe deu tudo de si. Todas nós demos o nosso máximo para tentar se ajudar sempre e acho que isso é muito importante".

A MELHOR JOGADORA DO BRASIL EM 2020


O posto conquistado por izaa como melhor jogadora do Brasil em 2020 é incontestável. Capitã e rifler, Izabella Galle não precisou de muito tempo percorrido no cenário competitivo para fazer uma temporada praticamente impecável, assim como a FURIA.

Arte/DRAFT5


Desde que começou a representar a organização, izaa conseguiu colecionar uma longa lista de títulos. Entre os principais, o bicampeonato da GC Masters Feminina e a BGS Esports. No entanto, a jogadora também triunfou em três edições da Liga Feminina da Gamers Club, Girl Power Invitational e Rainhas do Clutch.

Se os títulos coletivos já são invejáveis o suficiente para apenas uma temporada, izaa pode até tentar fugir dos próprios elogios e exaltar as companheiras, mas não consegue esconder o desempenho brilhante que teve em todos eles para se tornar a melhor jogadora do Brasil.

Assim como já dito neste texto, izaa revelou que um dos momentos mais marcantes da carreira foi a conquista da Liga Feminina. Queira o destino ser irônico ou não, a jogadora da FURIA foi apontada como MVP da primeira edição do torneio deste ano. E se Izabella abriu o ano com chave de ouro, também o fechou ao conquistar o MVP da BGS Esports.

Mesmo sem o posto de "jogadora mais valiosa", a IGL da FURIA seguiu entre os destaques em todas as conquistas do time que era responsável por passar as jogadas. Isso porque ela foi considerada EVP da Liga Feminina do 2º e 3º trimestre, das duas edições da GC Masters, Girl Power Invitational e Rainhas do Clutch. Além disso, lá em janeiro pela paiN, a jogadora levou o EVP da seletiva da WESG.

Izaa terminou a temporada com 59.7 D5 Points, o bastante para deixar a companheira Gabi para trás por 10,3 pontos. Ambas as jogadoras tiveram 2 MVPs e 7 EVPs, mas a diferença de pontos é oriunda dos torneios em que Izaa foi EVP1, além de ter conquistado um dos EVPs da terceira Liga Feminina do ano, listagem no qual a segunda colocada não apareceu.

O QUE ESPERAR DE 2021?


Ao responder sobre o futuro, izaa fez questão de ressaltar a busca por "campeonatos mundiais". Não há como saber o que izaa lembra ou não do que foi respondido no texto de Semana da Mulher, mas mostra que cultiva uma ambição que poucas jovens jogadoras conseguem mostrar.

Izaa durante a GIRL Gamer 2019 em São Paulo | Foto: Rafael Veiga/DRAFT5


Entretanto, alguns meses depois e em um assunto diferente do que abordado anteriormente, a jogadora e IGL da FURIA voltou a reiterar o desejo que possui por conquistar o Mundial de Counter-Strike: "Conseguir vagas para os campeonatos mundiais", repetiu, assim como dito na última entrevista especial que deu para a DRAFT5.

A mentalidade de comandar um time parece ter dado à izaa a clareza para saber exatamente o que é preciso para alcançar os próprios objetivos. Por isso, citou o processo que precisará seguir caso queira realizar o sonho que carrega desde o ano passado: "O próximo passo é nos mantermos como melhor time do Brasil e subir nas ligas masculinas".

Se hoje Izabella Galle atua como capitã da melhor equipe feminina do Brasil, ela sabe que depende, principalmente dela, a possibilidade de fazer esses sonhos se tornarem realidade. Por isso, não deixou de citar quais características individuais precisa melhorar para colocar a FURIA ainda mais na história do cenário feminino.

"Para a minha carreira, vou continuar com o meu trabalho e dedicação para melhorar o meu IGL e passar o máximo de conhecimento para poder ajudar cada vez mais o meu time", finalizou a melhor jogadora do Brasil em 2020.
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